Para André Vieira, eletrificação das frotas, pressão por eficiência e operações cada vez mais complexas exigem sistemas capazes de integrar programação, veículos, motoristas, despacho e novas variáveis trazidas pelos ônibus elétricos
ALEXANDRE PELEGI
A transformação tecnológica do transporte não está acontecendo apenas nos veículos. Dentro das empresas, uma mudança menos visível começa a atingir uma área decisiva para os custos e a qualidade dos serviços: o planejamento da operação.
Eletrificação das frotas, pressão por maior eficiência, necessidade de reduzir custos e decisões que precisam ser tomadas cada vez mais rapidamente aumentaram o número de variáveis que precisam ser consideradas na programação de veículos e motoristas.
Para André Vieira, diretor comercial da Goal no Brasil, esse cenário começa a revelar as limitações de sistemas e processos desenvolvidos para uma realidade operacional menos complexa.
“O futuro da mobilidade não pode ser planejado com ferramentas do passado. As operações estão cada vez mais complexas e isso exige uma tecnologia capaz de acompanhar essa evolução”, afirma.
Segundo Vieira, um sinal importante aparece quando empresas que já possuem sistemas especializados continuam dependendo de planilhas, controles paralelos e intervenções manuais para conseguir fechar sua programação.
“Ter um sistema não significa, necessariamente, ter uma operação otimizada. Quando a equipe precisa encontrar soluções fora da ferramenta para fazer o planejamento funcionar, é importante avaliar se o problema está apenas na complexidade da operação ou também nas limitações da tecnologia utilizada.”
Do planejamento ao despacho
A Goal desenvolve soluções voltadas ao planejamento e à operação dos transportes. Sua plataforma GoalBus reúne diferentes etapas do processo, desde a construção da rede e programação dos serviços até a otimização de recursos e definição das escalas de veículos e motoristas.
A ferramenta também contempla operação diária, despacho e planejamento relacionado às frotas elétricas.
Vieira explica que integrar essas etapas ganhou importância porque o planejamento deixou de significar apenas organizar horários e distribuir veículos.
“É preciso relacionar veículos, jornadas dos motoristas, disponibilidade da frota, custos, restrições operacionais e as alterações que acontecem ao longo do dia. Quanto mais essas informações estiverem conectadas, maior é a capacidade de avaliar alternativas antes de tomar uma decisão.”
Para o executivo, sistemas fragmentados podem dificultar justamente essa visão mais ampla da operação.
Ônibus elétricos aumentam a complexidade
A eletrificação acrescentou novas variáveis ao planejamento das empresas.
Além de horários, veículos disponíveis, jornadas e manutenção, as operadoras precisam considerar autonomia, estado de carga das baterias, disponibilidade e capacidade dos carregadores, tempo necessário para recarga e o impacto dessas operações sobre a programação da frota.
“Com o ônibus convencional, determinados parâmetros estavam bastante consolidados. Na frota elétrica surgem novas restrições. Não basta saber qual veículo vai cumprir determinada viagem. É preciso considerar quanto de energia ele terá disponível, quando deverá recarregar e como essa recarga interfere na programação do restante da frota”, explica Vieira.
Na avaliação do diretor da Goal, essa mudança aproxima ainda mais planejamento e operação.
“Uma decisão aparentemente pequena na programação pode repercutir na utilização dos veículos, nas jornadas dos motoristas e nos custos da operação. O desafio é conseguir enxergar essas relações antes que elas se transformem em ineficiências.”
Por que ainda existem tantas planilhas?
Vieira considera que a utilização frequente de ferramentas externas ao sistema principal merece ser observada pelos gestores.
“Se o sistema utilizado entrega tudo o que a operação precisa, é razoável perguntar por que a equipe ainda precisa fazer tanta coisa fora dele.”
Isso não significa, segundo ele, que a resposta seja necessariamente substituir a tecnologia existente. O primeiro passo deve ser identificar onde estão os gargalos.
“É preciso olhar para a operação: onde estão os ajustes manuais? Onde a equipe perde tempo? Quais informações não conversam entre si? Quais decisões poderiam ser apoiadas por dados melhores? A tecnologia deve responder a essas necessidades, e não obrigar a empresa a adaptar sua operação às limitações da ferramenta.”
Tecnologia precisa entregar resultado
A discussão ganha relevância diante da pressão crescente sobre os custos do transporte coletivo.
Para Vieira, o avanço da digitalização deve ser medido menos pela quantidade de ferramentas implantadas e mais pelos resultados obtidos na operação.
“Durante muito tempo, informatizar determinadas etapas já representava um avanço importante. Agora a discussão é outra: saber se a tecnologia efetivamente ajuda a encontrar uma solução operacional melhor.”
É nesse cenário que a Goal pretende ampliar sua atuação no mercado brasileiro.
A companhia aposta que operações de grande porte e elevada complexidade, como as existentes no País, tendem a demandar maior integração entre planejamento, frota, motoristas e gestão da operação diária.
Para Vieira, uma pergunta resume o desafio que começa a se apresentar às empresas.
“O ponto não é simplesmente saber se a empresa possui um sistema. É saber se esse sistema consegue acompanhar a operação que ela tem hoje — e, principalmente, aquela que terá nos próximos anos.”
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GOAL EM RESUMO
A Goal Systems atua há mais de 30 anos no desenvolvimento de soluções tecnológicas para planejamento e otimização de operações de transporte.
A empresa informa estar presente em mais de 25 países, com sua tecnologia utilizada em centenas de cidades.
Entre suas soluções está o GoalBus, plataforma destinada ao planejamento de redes e serviços, programação operacional, escalas de veículos e motoristas, otimização de recursos, despacho e planejamento de operações com frotas elétricas.
No Brasil, a companhia está ampliando sua atuação no mercado de transporte de passageiros.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
