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Volvo aposta em inteligência artificial, ônibus de 15 metros e linha Euro 6 de 320 cv a 510 cv para crescer nos rodoviários – Veja completo

I-See apresentado na Lat.Bus 2026 lê relevo da estrada e interfere na gestão do motor e da transmissão para economizar até 3% de combustível; fabricante mantém seis modelos para fretamento e transporte rodoviário, do B320R ao B510R

ADAMO BAZANI

A Volvo está reforçando sua aposta no mercado brasileiro de ônibus rodoviários combinando uma linha ampla de chassis Euro 6, novas configurações para veículos de maior capacidade e inteligência artificial embarcada para reduzir consumo de combustível. O principal lançamento tecnológico apresentado pela fabricante na Lat.Bus 2026 foi o I-See, sistema que usa GPS, conectividade, informações sobre a topografia da estrada e algoritmos de inteligência artificial para antecipar acelerações, reduções, trocas de marcha, uso do freio-motor e da função de roda livre. Segundo a Volvo, o recurso pode proporcionar economia adicional de combustível de até 3%.

A estratégia ocorre num segmento que tem peso relevante para a operação da Volvo no País. Dos 553 chassis emplacados pela fabricante no Brasil em 2025, aproximadamente 80% foram rodoviários. Hoje, a oferta para fretamento e transporte rodoviário vai dos modelos de oito litros B320R e B360R aos B380R, B420R, B460R e B510R de 13 litros. A empresa também passou a explorar uma configuração de 15 metros com apenas três eixos no B420R 6×2, buscando aumentar o número de passageiros e o volume de bagagem sem a necessidade de um quarto eixo.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PASSA A “LER” A ESTRADA

O I-See foi uma das principais novidades da Volvo para os ônibus rodoviários na Lat.Bus 2026, realizada entre 11 e 13 de agosto, em São Paulo.

A tecnologia, já utilizada nos caminhões pesados da fabricante, está disponível para os chassis B380R, B420R, B460R e B510R, todos equipados com o motor Volvo D13K de 13 litros e transmissão automatizada I-Shift.

O princípio é fazer com que o ônibus não reaja ao relevo apenas quando chega a uma subida ou descida. Com dados de localização e topografia, o sistema identifica antecipadamente o que encontrará na estrada e prepara o trem de força.

Em uma subida, por exemplo, o I-See pode antecipar a escolha da marcha e administrar a aceleração para evitar uma redução desnecessária ou perda excessiva de velocidade. Antes de uma descida, pode aliviar a aceleração, utilizar a inércia do veículo e administrar o I-Roll, sistema de roda livre controlada. Na descida, também coordena o uso do freio-motor.

Velocidade, peso do veículo, inclinação e características da rodovia entram nos cálculos.

Segundo a Volvo, os algoritmos reaprendem continuamente as rotas e o comportamento do veículo. A montadora estima redução de consumo de até 3%, além de condução mais suave, menor desgaste de componentes e ganhos de segurança.

O sistema não elimina a atuação do motorista. O condutor continua determinando parâmetros como a velocidade programada, enquanto o I-See administra motor e transmissão dentro desses limites.

I-SHIFT FICOU MAIS RÁPIDA E MANUTENÇÃO PODE CHEGAR A 450 MIL KM

A estratégia tecnológica vai além da inteligência artificial.

A atual geração dos rodoviários de 13 litros utiliza a sétima geração da transmissão automatizada Volvo I-Shift. De acordo com a fabricante, novos módulos eletrônicos e processadores permitem trocas até 30% mais rápidas em comparação às gerações anteriores.

A intenção é reduzir a interrupção de torque durante as mudanças de marcha, principalmente em retomadas e aclives, e contribuir para velocidade média, conforto e economia.

Outro ponto apresentado pela Volvo é o aumento dos intervalos de manutenção. Com a utilização de uma nova geração de óleo sintético, a empresa informa que a troca de lubrificantes da transmissão e dos eixos pode chegar a 450 mil quilômetros, dependendo das condições previstas pela fabricante.

Na prática, para um ônibus que percorra aproximadamente 150 mil quilômetros por ano, a intervenção poderia ocorrer apenas a cada três anos.

DE 320 CV A 510 CV: VEJA A LINHA RODOVIÁRIA ATUAL DA VOLVO

A oferta atual permite à Volvo disputar desde fretamento e linhas de menor distância até operações de longa distância com ônibus double-decker e quatro eixos.

A tabela considera os chassis destinados pela fabricante brasileira a fretamento e/ou transporte rodoviário. As configurações podem variar conforme carroceria, aplicação e especificação feita pelo operador.

Modelo Motor / potência Principal aplicação
B320R D8K, 8 litros, 320 cv Fretamento e curta/média distância
B360R D8K, 8 litros, 360 cv Fretamento e rodoviário
B380R D13K, 13 litros, 380 cv Rodoviário
B420R D13K, 13 litros, 420 cv Média e longa distância
B460R D13K, 13 litros, 460 cv Longa distância e alta capacidade
B510R D13K, 13 litros, 510 cv Longa distância, DD e operações pesadas

Os seis modelos atendem à norma Euro 6/Proconve P8. Na família de 13 litros, a Volvo divulga versões 4×2, 6×2 e 8×2, embora a combinação efetivamente ofertada dependa da aplicação. As fichas técnicas atualmente disponibilizadas pela fabricante no Brasil contemplam B380R 4×2; B420R 4×2 e 6×2; e B460R e B510R em configurações 4×2, 6×2 e 8×2.

O B320R utiliza motor D8K Euro 6 de 320 cv e 1.200 Nm. Para aplicações rodoviárias e de fretamento, a Volvo adota a transmissão I-Shift. Quando apresentou o modelo ao mercado brasileiro, a fabricante definiu como foco principalmente viagens de curta e média distância.

Logo acima está o B360R, uma das mais recentes ampliações da gama. O chassi tem motor D8K de oito litros, 360 cv e 1.400 Nm, transmissão I-Shift de sétima geração e foi lançado inicialmente como 4×2 para carrocerias de até 14 metros. O posicionamento é justamente preencher o espaço entre o B320R e a família pesada de 13 litros.

B380R, B420R, B460R E B510R FORMAM A FAMÍLIA PESADA

O núcleo da oferta rodoviária da Volvo continua sendo a família B380R, B420R, B460R e B510R.

Todos utilizam o motor D13K Euro 6, de seis cilindros e 12,8 litros, combinado à transmissão I-Shift.

A geração foi lançada para o mercado brasileiro a partir de 2022/2023 e, segundo a Volvo, trouxe redução de consumo de até 9% em relação à linha anterior. Agora, com a possibilidade de adoção do I-See, a fabricante promete uma redução adicional de até 3%, dependendo da operação.

O B510R permanece no topo da gama, com potência comercial anunciada de 510 cv. A Volvo o posiciona como seu chassi para as aplicações mais pesadas, principalmente veículos de três e quatro eixos e carrocerias de grande porte ou double-decker.

15 METROS COM TRÊS EIXOS É OUTRA APOSTA

Uma das movimentações mais importantes da Volvo em 2026 foi estender o conceito de ônibus de 15 metros à configuração 6×2.

Historicamente, ônibus rodoviários desse comprimento no Brasil estiveram associados principalmente à configuração 8×2, com quatro eixos.

A Eucatur começou a receber em junho de 2026 os primeiros B420R 6×2 preparados para carrocerias rodoviárias de 15 metros. Os veículos foram encarroçados pela Busscar no modelo Vissta Buss 365 da família NB1.

A solução utiliza terceiro eixo traseiro direcional. Além de permitir o comprimento maior, o sistema reduz o raio necessário para as curvas e facilita manobras.

Segundo a Volvo e a Eucatur, a configuração permite chegar a até 58 assentos e proporciona ganho de até 10% no volume do bagageiro em relação a uma configuração convencional comparável.

A lógica comercial é aumentar a chamada receita por assento-quilômetro sem fazer o custo operacional crescer na mesma proporção.

Ou seja: mais passageiros e mais espaço para bagagens e encomendas utilizando três, e não quatro, eixos.

Esse desenvolvimento também ajuda a explicar uma das tendências exibidas pela Volvo na Lat.Bus 2026. A fabricante levou à feira dois outros chassis de 15 metros e três eixos, neste caso para aplicações urbanas: o elétrico BZR 6×2 e o B320R 6×2 B100 Flex.

SEGURANÇA ATIVA GANHA PESO NA COMPRA DOS RODOVIÁRIOS

A Volvo também mantém como argumento comercial o pacote de segurança eletrônica.

Nos chassis rodoviários 6×2 e 8×2, a fabricante oferece de série uma série de sistemas agrupados no SSA, Sistema de Segurança Ativa.

Entre eles estão aviso de colisão frontal com frenagem de emergência, alerta de mudança involuntária de faixa, piloto automático adaptativo, controle eletrônico de estabilidade, detector de fadiga, monitoramento de pressão dos pneus e alertas de ponto cego frontal e lateral.

A família D13K conta ainda com o VEB+, freio-motor da Volvo com potência de frenagem de até 510 cv. A utilização conjunta com retarder permite elevar ainda mais a capacidade de desaceleração sem depender exclusivamente dos freios de serviço.

RODOVIÁRIOS REPRESENTARAM CERCA DE 80% DAS VENDAS DA VOLVO NO BRASIL EM 2025

O tamanho da aposta da Volvo nos rodoviários também pode ser medido pelas vendas.

A fabricante informou que emplacou 553 chassis de ônibus no Brasil em 2025 e que aproximadamente 80% desse volume foi composto por rodoviários. A empresa destacou principalmente a participação dos modelos de quatro eixos destinados a linhas interestaduais de longa distância e turismo de maior padrão.

Os negócios de 2026 mostram diferentes pontos da gama.

A Real Maia comprou 40 B460R 6×2 para serviços de longa distância. A Auto Viação Progresso adquiriu 19 chassis B460R e B510R. A Eucatur estreou os B420R 6×2 de 15 metros.

Já em setembro, a Princesa dos Campos e a Cantelle anunciaram outras 22 unidades: 14 B380R 4×2, dois B510R 8×2 double-decker e seis B460R 6×2. Na Princesa dos Campos, os chassis Volvo passaram a representar mais de 80% da frota; na Cantelle, 100%.

Os negócios ajudam a mostrar a estratégia da fabricante: em vez de concentrar a linha apenas nos ônibus de maior potência, a Volvo tenta ocupar diferentes faixas do rodoviário, partindo dos modelos de oito litros para fretamento e viagens menores, passando pelos convencionais de dois e três eixos e chegando aos 8×2 de 510 cv para operações de maior capacidade.

Com o I-See, o terceiro eixo direcional, as novas configurações de 15 metros e a evolução dos sistemas de segurança, a aposta passa cada vez mais pela eletrônica e pelo uso dos dados para reduzir o custo por quilômetro e, principalmente, o custo por passageiro transportado.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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