Área de 889,78 m² no Bairro das Indústrias I poderá ser incorporada pela Metrô BH para construção da estação; Linha 2 terá 10,5 km e sete estações, já começou a operar parcialmente e deve chegar integralmente ao Barreiro em 2028
ADAMO BAZANI
O Governo de Minas Gerais autorizou a desapropriação de um terreno de 889,78 metros quadrados necessário à implantação da Estação Ferrugem, uma das sete estações da Linha 2 do Metrô de Belo Horizonte (MG). A área fica no Bairro das Indústrias I, junto à Avenida Padre José Nascimento, e a concessionária Metrô BH poderá promover a desapropriação, inclusive com pedido de imissão urgente na posse, para permitir o avanço das obras.
A medida ocorre em uma etapa importante da construção da linha de 10,5 quilômetros que ligará Nova Suíça ao Barreiro. As estações Nova Suíça e Amazonas foram inauguradas em 3 de julho de 2026 e deram início à operação parcial do novo ramal, enquanto há frentes de obras em Nova Gameleira, Nova Cintra, Vista Alegre, Ferrugem e Barreiro. A meta atualmente divulgada pelo Governo de Minas é colocar toda a Linha 2 em funcionamento em 2028, com projeção de aproximadamente 56 mil passageiros por dia.
A autorização foi formalizada pelo Decreto NE nº 924, de 10 de setembro de 2026.
O terreno confronta com lotes das quadras do Bairro das Indústrias I e com área pública da Avenida Padre José Nascimento. A declaração de utilidade pública alcança também eventuais benfeitorias existentes no imóvel.
A Metrô BH, responsável pela concessão do sistema, foi autorizada a promover a desapropriação de pleno domínio. O decreto também permite que a empresa alegue urgência para buscar a imissão na posse, instrumento que pode permitir o acesso ao terreno antes do encerramento definitivo da discussão sobre a indenização, desde que atendidos os requisitos legais.
A publicação não informa quem é o proprietário do imóvel nem o valor estimado da indenização.
Ferrugem é um dos pontos tecnicamente mais complexos da Linha 2
A futura Estação Ferrugem está em um trecho no qual o metrô precisa conviver com a infraestrutura ferroviária de cargas existente.
Desde 2023, Governo de Minas, Metrô BH, MRS Logística, VLI e ANTT discutem soluções para compatibilizar as operações. Em fevereiro de 2025, a própria Metrô BH informou que seria necessária uma alteração nas linhas ferroviárias da MRS e da VLI na região de Ferrugem para viabilizar a implantação de um viaduto destinado ao metrô.
Em agosto de 2026, o remanejamento da ferrovia de cargas entrou em uma nova fase. O novo alinhamento passou a liberar parte da área da futura estação, embora trilhos antigos ainda precisassem ser retirados para permitir o avanço de outras frentes de serviço.
A desapropriação publicada agora acrescenta mais uma frente necessária para liberar fisicamente a área da estação.
Trecho entre Ferrugem e Barreiro será construído com via dupla
Um dos pontos que mais geraram discussão no projeto da Linha 2 foi justamente a configuração do trecho final entre Ferrugem e Barreiro.
Documentos enviados pela Seinfra à Assembleia Legislativa de Minas Gerais mostram que a Metrô BH chegou inicialmente a propor uma via singela, ou seja, apenas uma linha para circulação dos trens entre as duas estações, alegando restrições de espaço na região.
O Estado pediu estudos e simulações adicionais para avaliar os reflexos da alternativa sobre a qualidade da operação e sobre a capacidade futura da linha. Em resposta oficial encaminhada em maio de 2026 à Assembleia, a Seinfra informou que os estudos posteriores concluíram pela viabilidade da via dupla. Essa passou a ser a solução adotada no desenvolvimento do projeto.
Segundo a Secretaria, a definição também considera as exigências da MRS para permitir a convivência entre os sistemas ferroviários de passageiros e de cargas no Pátio Barreiro.
Isso significa que, pelo projeto atualmente adotado, o trecho Ferrugem–Barreiro não deverá ficar limitado à operação em linha única.
Linha 2 começou a funcionar parcialmente em julho
As obras da Linha 2 começaram formalmente em setembro de 2024, encerrando mais de duas décadas de espera pela retomada efetiva do projeto. O traçado possui 10,5 quilômetros e as sete estações são Nova Suíça, Amazonas, Nova Gameleira, Nova Cintra, Vista Alegre, Ferrugem e Barreiro.
Em 3 de julho de 2026, Nova Suíça e Amazonas foram inauguradas antecipadamente e a Linha 2 passou a transportar passageiros de forma parcial.
A operação inicial foi implantada de maneira assistida, enquanto prosseguem testes e obras do restante do corredor. Na inauguração, as viagens entre as duas primeiras estações foram iniciadas em horário reduzido, das 9h às 16h nos dias úteis, com expansão gradual prevista à medida que o sistema avançasse.
O Governo de Minas informa que as frentes seguintes estão concentradas nas estações Nova Gameleira, Nova Cintra, Vista Alegre, Ferrugem e Barreiro e mantém a previsão de funcionamento integral em 2028.
Projeto prevê cerca de 56 mil passageiros por dia na Linha 2
Quando concluída, a Linha 2 deverá transportar aproximadamente 56 mil passageiros diariamente, segundo projeção mais recente divulgada pelo Governo de Minas. A estimativa para o conjunto do metrô é chegar a cerca de 223 mil usuários por dia, somando as duas linhas.
O Barreiro é um dos principais polos populacionais e econômicos da capital mineira e historicamente depende de ônibus e do sistema viário para as ligações com outras regiões de Belo Horizonte.
Com a Linha 2, o passageiro terá conexão com a Linha 1 em Nova Suíça, permitindo prosseguir pelo eixo metroviário que atende Belo Horizonte (MG) e Contagem (MG).
Concessão foi assinada com Grupo Comporte em 2023
A transformação do projeto em obra ocorreu após a concessão do metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O contrato foi assinado em março de 2023 com a Comporte Participações. A concessionária Metrô BH passou a ser responsável pela operação do sistema, modernização e expansão da Linha 1 e conclusão da Linha 2 durante uma concessão de 30 anos.
O pacote de investimentos previsto para a modernização e ampliação do sistema é de aproximadamente R$ 3,7 bilhões. Desse montante, R$ 2,8 bilhões correspondem a recursos federais e aproximadamente R$ 440 milhões têm origem no Acordo Judicial de Reparação de Brumadinho.
Documentos encaminhados pela Seinfra à Assembleia mostram que, até 30 de junho de 2025, dos R$ 2,8 bilhões federais depositados em conta vinculada, R$ 666,4 milhões já haviam sido liberados à concessionária mediante cumprimento de marcos contratuais. O saldo permanecia aplicado e condicionado ao avanço das etapas previstas no contrato, principalmente as relacionadas à Linha 2.
Além da nova linha, o contrato inclui a modernização das estações da Linha 1, a expansão até Novo Eldorado e a aquisição de 24 novos trens.
Com o decreto publicado nesta sexta-feira, a futura Estação Ferrugem ganha agora mais um instrumento necessário para o avanço físico das obras: a liberação da área que será diretamente ocupada pela infraestrutura metroviária.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
