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Mobi-Rio contrata Prodata por R$ 292 mil para fornecer validadores embarcados nos ônibus do Rio de Janeiro

Equipamentos do modelo V3695 fazem a leitura de cartões inteligentes; extrato publicado nesta terça-feira não informa quantidade de aparelhos nem em quais veículos serão instalados

ADAMO BAZANI

A Mobi-Rio contratou a Prodata Mobility Brasil S.A. por R$ 292 mil para fornecer, sob demanda, leitores de cartões inteligentes, os validadores embarcados utilizados nos ônibus. O equipamento especificado é o modelo V3695, que fica instalado no veículo e faz parte da estrutura tecnológica responsável pela validação do meio de pagamento do passageiro.

O extrato apareceu no Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro (RJ) desta terça-feira, 8 de setembro de 2026, mas informa que o contrato foi assinado em 22 de julho e teve prazo entre 22 de julho e 21 de agosto. A publicação não revela quantos validadores foram adquiridos, o preço unitário, os ônibus que receberão os equipamentos ou se a compra é destinada a expansão, substituição de aparelhos ou formação de estoque.

O validador é o equipamento que fica junto à catraca do ônibus e reconhece o meio de pagamento apresentado pelo passageiro.

Dependendo da configuração do sistema, ele pode ler cartões sem contato e outros meios eletrônicos, conferir se há direito à viagem ou à gratuidade, registrar a passagem e liberar a catraca.

O V3695 não é um equipamento novo no mercado fluminense. Segundo a própria Prodata, em 2019 foram fornecidos 5,5 mil validadores deste modelo para linhas de ônibus do Estado do Rio de Janeiro no sistema então operado pela Riocard. A fabricante informa que a plataforma trabalha conectada por 4G e pode operar em ambiente de nuvem, permitindo atualização de informações e acompanhamento das operações.

Mobi-Rio já comprou o mesmo modelo anteriormente

A contratação publicada agora não é a primeira da Mobi-Rio com a Prodata para o V3695.

Em abril de 2024, a companhia municipal firmou contrato de R$ 177,6 mil com a mesma empresa para fornecimento, também sob demanda, de leitores de cartões inteligentes embarcados do modelo V3695.

Em junho daquele mesmo ano, houve outra contratação do mesmo equipamento, desta vez no valor de R$ 592 mil.

A repetição das compras mostra que o modelo já faz parte da infraestrutura embarcada utilizada pela Mobi-Rio. Os extratos, entretanto, não detalham a quantidade de aparelhos em cada contratação.

O Rio de Janeiro (RJ) passou por uma ampla mudança de bilhetagem com a implantação do Jaé, sistema controlado pela prefeitura.

Desde 30 de maio de 2026, segundo a administração municipal, o dinheiro deixou de ser aceito nos ônibus municipais e os validadores do Jaé passaram a permitir também pagamentos diretamente nas catracas por Pix e cartões de débito e crédito.

Mas há uma diferença importante.

O contrato publicado em 8 de setembro não menciona o Jaé. Ele apenas especifica o fornecimento de validadores Prodata V3695.

Por isso, não é possível afirmar somente com base nesse extrato que os R$ 292 mil correspondem à compra de novos equipamentos do Jaé ou que serão destinados especificamente aos pagamentos por Pix, débito e crédito.

Essa distinção é ainda mais necessária porque o mesmo modelo V3695 já era utilizado anteriormente em sistemas ligados à Riocard. A própria Prodata registra o fornecimento de milhares desses validadores para o sistema fluminense antes da implantação da atual bilhetagem municipal.

O que a publicação permite afirmar com segurança é que a Mobi-Rio adquiriu novos leitores de cartões inteligentes embarcados da Prodata, modelo V3695, por R$ 292 mil. A quantidade, a destinação específica e a integração desses aparelhos com a atual arquitetura do Jaé não foram detalhadas no extrato.

Bilhetagem se tornou parte estratégica da gestão do transporte

A compra ocorre num momento em que a bilhetagem eletrônica passou a ter papel ainda mais importante no planejamento dos ônibus municipais.

Além de cobrar a passagem, um sistema de bilhetagem pública gera informações sobre embarques, deslocamentos, utilização das linhas e demanda ao longo do dia. Esses dados podem ser cruzados com informações operacionais para planejamento da oferta e acompanhamento do serviço.

A prefeitura atribui à mudança para uma bilhetagem sob controle municipal parte da transformação da gestão do sistema, afirmando que o domínio das informações de arrecadação e demanda contribuiu para mudanças no BRT e no modelo de remuneração dos ônibus.

No caso específico do contrato de R$ 292 mil com a Prodata, entretanto, o Diário Oficial não detalha quais dessas funcionalidades serão utilizadas nos equipamentos adquiridos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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