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Sertran incorpora à frota primeiro Volare biometano/GNV para fretamento em Presidente Prudente (SP) e região

Marca, integrante da Marcopolo S.A., diz apostar em tecnologias alternativas ao diesel, mas variadas. Além do biometano/GNV, passou a oferecer comercialmente o híbrido elétrico-etanol, conforme anunciado pelo Diário do Transporte em primeira mão

ADAMO BAZANI

A Sertran Transportes incorporou à frota seu primeiro Volare Fly 10 GV, micro-ônibus preparado para operar com biometano e GNV (Gás Natural Veicular). O veículo está em fase de testes em uma operação de fretamento para um cliente da transportadora na região de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, e tem 10,145 metros de comprimento, 31 poltronas e três cilindros que armazenam até 360 litros de combustível.

A aquisição ocorre em um momento no qual fabricantes e empresas de ônibus testam diferentes alternativas ao diesel para o fretamento e para serviços rodoviários, ainda sem predominância de uma única tecnologia. A Volare, marca da Marcopolo S.A., além do modelo a gás, passou a oferecer comercialmente em 2026 o Attack 10 Híbrido, de tração elétrica com geração de energia a etanol, como o Diário do Transporte mostrou em primeira mão antes da Lat.Bus. O biometano também vem aparecendo em ônibus maiores: Scania e Marcopolo já realizaram demonstrações com Cometa e Santa Cruz e, no fim de 2025, a Pássaro Marron incorporou um rodoviário desta configuração à frota.

Volare da Sertran começa testes em operação de fretamento na região de Presidente Prudente

A unidade adquirida pela Sertran é um Fly 10 GV e, segundo a Volare, está sendo avaliada em uma operação real de fretamento empresarial de um cliente da transportadora.

O veículo utiliza motor desenvolvido para funcionar com GNV, biometano ou mistura dos dois combustíveis.

Embora possam alimentar o mesmo tipo de motor, os combustíveis têm origens diferentes. O GNV convencional é de origem fóssil. Já o biometano é renovável e pode ser produzido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos, dejetos animais, resíduos agroindustriais, aterros sanitários e outras fontes.

Por isso, o potencial de redução das emissões de gases de efeito estufa atribuído a esse tipo de veículo depende, entre outros fatores, da parcela efetivamente abastecida com biometano.

A Volare informa que, quando considerada a utilização do combustível renovável, a redução das emissões de gases de efeito estufa pode chegar a 84% em relação a uma configuração convencional, enquanto a diminuição de material particulado pode chegar a aproximadamente 96%. Os porcentuais são dados divulgados pela fabricante e podem variar conforme combustível, operação e metodologia considerada.

“O modelo introduz uma alternativa de menor emissão para operações nas quais há disponibilidade de biometano ou gás natural e infraestrutura para abastecimento”, afirma o gerente executivo da Volare, Sidnei Vargas.

Fly 10 GV tem 31 lugares e autonomia anunciada de até 450 quilômetros

A unidade destinada à Sertran possui 10.145 milímetros de comprimento e 31 poltronas do padrão Executivo.

Entre os equipamentos relacionados pela fabricante estão tomadas USB, ar-condicionado, câmeras de monitoramento e sensor traseiro de estacionamento.

O veículo também possui controle eletrônico de tração e estabilidade e sistema que impede sua movimentação com a porta aberta.

São três cilindros para armazenamento do combustível, com capacidade conjunta de 360 litros.

A Volare informa autonomia de até 450 quilômetros, mas ressalta que o alcance depende da aplicação. Peso transportado, velocidade média, relevo, trânsito, uso do ar-condicionado e características da rota estão entre os fatores que podem modificar o consumo.

Antes da operação com a Sertran, o Fly 10 GV passou por demonstrações e testes em diferentes cidades, entre elas Guarulhos (SP), Belo Horizonte e Juiz de Fora (MG), Salvador (BA) e Londrina (PR).

Em Juiz de Fora, por exemplo, uma operação assistida colocou o modelo em quatro linhas urbanas e acumulou 2.974 quilômetros. O projeto envolveu prefeitura, Universidade Federal de Juiz de Fora e Gasmig.

Em Londrina, o modelo também foi submetido a testes em linhas urbanas, com acompanhamento de indicadores como consumo, autonomia, torque, desempenho em diferentes relevos e comportamento operacional.

Fretamento já tem outro Fly 10 GV em operação no Rio Grande do Sul

A Sertran não é a primeira empresa a utilizar o Fly 10 GV no fretamento.

Em fevereiro de 2026, a Volare entregou uma unidade à Viação Giratur, de Caxias do Sul (RS), para o transporte diário de funcionários da própria Marcopolo.

Naquela configuração, o veículo recebeu 35 poltronas e também três cilindros com capacidade total de 360 litros.

A chegada do modelo à Sertran amplia, portanto, a presença ainda inicial do biometano/GNV no fretamento empresarial brasileiro.

Não há, até o momento, participação expressiva desse combustível no conjunto da frota nacional de fretamento comparável à predominância histórica do diesel. O que existe é uma sequência crescente de projetos-piloto, demonstrações e primeiras aquisições, principalmente em operações nas quais há perspectiva de acesso ao biometano e estrutura de abastecimento.

Sertran também testa híbrido elétrico-etanol

A opção pelo Fly 10 GV não é a única experiência da Sertran com uma tecnologia diferente do diesel.

A empresa também participa do desenvolvimento operacional do Volare Attack 10 Híbrido, que combina tração elétrica e geração de energia a partir do etanol.

Em março de 2026, Marcopolo, Sertran e bp bioenergy iniciaram uma operação de demonstração do modelo em uma unidade da companhia do setor de bioenergia.

Posteriormente, outro teste passou a ser realizado em Dourados (MS), segundo a Sertran.

O sistema é diferente de um híbrido convencional no qual motor a combustão e motor elétrico podem movimentar diretamente as rodas. No conceito apresentado pela Volare, a tração é elétrica e o motor alimentado por etanol funciona como gerador de energia para o conjunto de baterias.

A tecnologia foi uma das novidades que o Diário do Transporte conheceu antes da Lat.Bus 2026, em visita à unidade da Marcopolo em São Paulo, em 6 de agosto.

Na ocasião, a fabricante informou que o Attack 10 Híbrido passaria à comercialização e indicou justamente operações severas de fretamento, inclusive rural e mineração, entre as aplicações pretendidas para o veículo.

Segundo a Sertran, aproximadamente 200 veículos Marcopolo e Volare foram incorporados pela companhia no período de um ano.

“A Sertran busca diferentes alternativas tecnológicas e parceiros para avaliar o que pode ser aplicado ao transporte de pessoas ligado ao setor agroindustrial”, afirma o diretor de Novos Negócios e Tecnologias da Sertran, Daniel Felício.

O executivo cita ainda a participação da empresa na Fenasucro & Agrocana 2026 e os testes tanto do Fly 10 GV como do Attack híbrido.

Marcopolo passou a trabalhar simultaneamente com elétrico, etanol e biometano

A estratégia apresentada pela Marcopolo na Lat.Bus 2026 não se concentrou em uma única fonte de energia.

Como mostrou o Diário do Transporte, a fabricante trabalha simultaneamente com ônibus integralmente elétricos, o híbrido elétrico-etanol e veículos preparados para biometano/GNV, além de continuar desenvolvendo os modelos convencionais a diesel.

Na linha Volare, o Attack 10 Híbrido passou para a fase comercial. A empresa também ampliou a disponibilidade de câmbio automático para a gama de micro-ônibus.

Já entre os ônibus elétricos, a Marcopolo apresentou uma nova configuração do Attivi, com menor altura, destinada também a operações com restrições físicas, como determinados serviços aeroportuários.

A coexistência das tecnologias reflete uma discussão cada vez mais presente no setor: diferentes operações têm necessidades distintas de autonomia, infraestrutura, abastecimento, capacidade de passageiros, custos e disponibilidade energética.

Biometano começa a aparecer também nos ônibus rodoviários maiores

A utilização do biometano no transporte de passageiros brasileiro não está limitada aos micro-ônibus.

O Diário do Transporte acompanha há alguns anos testes com ônibus maiores, principalmente numa parceria entre Scania e fabricantes de carrocerias.

Um dos veículos mais conhecidos dessa fase é um Scania K 340 4×2 a gás com carroceria Marcopolo Paradiso New G7.

O ônibus foi usado inicialmente em demonstrações pela Viação Cometa e, posteriormente, passou a ser empregado pela Viação Santa Cruz em uma nova rodada de avaliações.

Em junho de 2025, Scania e Santa Cruz apresentaram o veículo para operação na ligação São Paulo–Campinas.

Não se tratava de uma compra da Santa Cruz. Era justamente o mesmo ônibus que havia passado pela Cometa cerca de três anos antes. O modelo possui seis cilindros, capacidade conjunta de 720 litros e autonomia estimada em aproximadamente 400 quilômetros.

A configuração evidencia também uma das limitações práticas para ônibus rodoviários: os cilindros ocupam parte do espaço normalmente disponível para bagagens. Assim, aplicações de curta e média distância, com menor volume de malas, podem ser mais compatíveis com a tecnologia do que viagens rodoviárias muito longas.

A Santa Cruz posteriormente colocou o modelo na rota São Paulo–Campinas em operação demonstrativa.

Pássaro Marron já incorporou modelo G8 a biometano

Outro passo ocorreu no fim de 2025.

A Pássaro Marron recebeu um Marcopolo Paradiso G8 1050 com chassi Scania K 340 4×2 Gás, tornando-se uma das primeiras empresas brasileiras a incorporar um rodoviário desta geração preparado para biometano/GNV.

O veículo possui 14 metros, 46 lugares e seis cilindros que somam 720 litros. A autonomia anunciada chega a 450 quilômetros.

A estreia comercial ocorreu em dezembro de 2025.

Assim, o cenário do biometano no transporte rodoviário e no fretamento ainda é de implantação gradual: a Cometa participou de uma etapa de demonstração; a Santa Cruz colocou o mesmo veículo em avaliação operacional; a Pássaro Marron avançou para a incorporação de um ônibus Geração 8; Giratur e agora Sertran introduziram o Volare em operações de fretamento.

Paralelamente, a escala mais significativa anunciada até agora no País está no transporte urbano e metropolitano de Goiânia, onde um programa prevê 501 ônibus a biometano, incluindo articulados Scania com carrocerias Marcopolo. Os primeiros articulados começaram a ser entregues em 2026.

A movimentação mostra que o biometano começa a ganhar aplicações em diferentes portes de veículos, mas ainda convive com questões como disponibilidade regional do combustível, rede de abastecimento, custo de implantação e adequação de cada configuração à operação.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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