Disputa terá sessão em novembro e representa novo avanço no projeto aguardado há anos no ABC; contratação publicada nesta segunda-feira é para acompanhamento técnico e não para a construtora responsável diretamente pela nova estação
ADAMO BAZANI
A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) abriu nesta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, uma licitação para contratar a empresa que fará a supervisão técnica dos projetos e das obras de reconstrução da Estação Rio Grande da Serra, ponto final da Linha 10-Turquesa, no Grande ABC. A sessão pública da concorrência está marcada para 10 de novembro de 2026, às 10h.
A contratação é mais uma etapa do projeto de substituição da antiga estação, reivindicado há anos pela região. É importante, entretanto, distinguir os objetos: a licitação publicada agora é destinada à supervisão dos projetos básicos e executivos de engenharia e arquitetura e da execução da obra. Portanto, o aviso desta segunda-feira não corresponde, por si só, à contratação da empresa que executará diretamente a reconstrução.
Edital está disponível a partir desta segunda-feira
A concorrência recebeu a identificação LC00626.
Segundo a CPTM, o edital e os respectivos documentos ficam disponíveis a partir de 31 de agosto nos portais da companhia e do Diário Oficial.
A abertura da sessão pública está prevista para 10 de novembro, na sede administrativa da CPTM, no centro da capital paulista.
A futura contratada deverá acompanhar tecnicamente tanto o desenvolvimento dos projetos básicos e executivos de arquitetura e engenharia quanto a implantação física da reconstrução.
Esse tipo de contrato funciona como apoio técnico à estatal durante a execução do empreendimento, permitindo acompanhar projetos, cumprimento de especificações, qualidade dos serviços e desenvolvimento das obras.
Nova estação é aguardada há anos
A reconstrução de Rio Grande da Serra é uma demanda antiga da Linha 10-Turquesa.
No início de 2026, informações apresentadas pela CPTM à administração municipal indicavam previsão de início das obras no segundo semestre de 2027. Posteriormente, informações do Plano de Negócios da companhia apontaram 2030 como horizonte para conclusão da nova estrutura.
O cronograma poderá ser refinado à medida que as licitações, projetos e contratos forem concluídos.
A abertura da concorrência para supervisão, entretanto, demonstra que a companhia está estruturando previamente o acompanhamento técnico necessário para a etapa de implantação.
Estação integra ferrovia inaugurada em 1867
Rio Grande da Serra está entre as estações ferroviárias mais antigas do Estado de São Paulo.
A atual Linha 10-Turquesa faz parte da antiga São Paulo Railway, ferrovia inaugurada em 1867 para ligar Santos a Jundiaí passando pelo ABC Paulista e pela capital.
A própria CPTM relaciona Rio Grande da Serra entre as estações originárias de 1867 e destaca a importância histórica do corredor ferroviário.
A companhia também informa que as estações de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra foram protegidas pelo patrimônio histórico paulista e integram o conjunto ferroviário construído pela antiga companhia inglesa.
Esse caráter histórico é um dos fatores que tornam a modernização mais complexa: é necessário ampliar acessibilidade, conforto, circulação e capacidade para o transporte atual sem simplesmente eliminar estruturas protegidas.
Rio Grande da Serra é ponto final da Linha 10 e integração regional
A estação atende o extremo da Linha 10-Turquesa no Grande ABC e funciona como polo de conexão entre os trens e linhas de ônibus da região.
Também é um dos pontos de acesso ao eixo turístico de Paranapiacaba. Há serviços de ônibus metropolitanos que conectam a estação à região da vila ferroviária.
Além de Rio Grande da Serra, a CPTM mantém uma sequência de investimentos na Linha 10.
Entre os projetos em andamento estão obras de acessibilidade nas estações Prefeito Celso Daniel-Santo André e Mauá, implantação de uma nova subestação retificadora em Santo André, modernização da sinalização do Pátio Mauá Norte e reconstrução da Estação Ipiranga, que será integrada à futura extensão da Linha 15-Prata.
A movimentação ocorre em um momento no qual a Linha 10 permanece como um dos principais corredores ferroviários do ABC, ligando Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires, Mauá, Santo André, São Caetano do Sul e bairros da capital à região central de São Paulo.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
