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Novos achados arqueológicos paralisam novamente obras da Estação 14 Bis-Saracura da Linha 6-Laranja em São Paulo

Linha Uni aguarda orientações do Iphan após identificação de estruturas e objetos que podem estar associados a espaço religioso de matriz africana; estação tem cerca de 15% das obras concluídas e não há previsão de retomada

ADAMO BAZANI

As obras da futura Estação 14 Bis-Saracura, da Linha 6-Laranja de metrô de São Paulo, foram novamente paralisadas por causa de achados arqueológicos no canteiro localizado no Bixiga, região da Bela Vista, no centro da capital. Desta vez, o monitoramento identificou estruturas e objetos que reforçam a possibilidade de ter existido no local um espaço permanente de práticas religiosas de matriz africana. A Linha Uni, concessionária responsável pela implantação e futura operação do ramal, informou que todas as atividades no canteiro estão suspensas e que não há previsão para a retomada, que dependerá de novas orientações do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Os vestígios mais recentes foram encontrados em junho de 2026, em um cômodo a aproximadamente 2,2 metros de profundidade, numa área que ainda não havia sido completamente investigada. Entre os elementos estão concentrações de anil, gravetos amarrados, objetos metálicos, ossos, conchas e estruturas fixadas ao piso. A Estação 14 Bis-Saracura é atualmente a mais atrasada da Linha 6, com avanço físico em torno de 15%, depois de sucessivas interrupções e restrições relacionadas ao sítio arqueológico Saracura-Vai-Vai, identificado em 2022. O primeiro trecho da Linha 6, entre João Paulo I e Perdizes, já está em operação assistida, enquanto o Governo do Estado mantém como referência 2027 para completar a ligação até São Joaquim. A paralisação da 14 Bis-Saracura, entretanto, recoloca incertezas sobre a conclusão dessa estação.

Novo achado foi feito numa área ainda não completamente escavada

O novo foco arqueológico está na chamada Área 6 do canteiro.

Segundo informações do parecer técnico do Iphan analisadas pelo site especializado MetrôCPTM, essa área mede aproximadamente 29 metros por 11 metros e fica ao lado da Área 4, onde pesquisas anteriores já haviam localizado estruturas relacionadas à ocupação histórica do território.

Os novos vestígios começaram a aparecer durante a retirada de pilares de concreto. Tijolos maciços ligados às estruturas fizeram com que a equipe de arqueologia abandonasse naquele ponto a remoção mecanizada e passasse à escavação manual.

A investigação revelou alicerces, pisos, paredes e sistemas de drenagem que delimitam diferentes ambientes.

Em um desses cômodos foram identificados elementos que levaram os pesquisadores a trabalhar com a hipótese de um espaço de culto de matriz africana.

Entre eles estão concentrações de anil, material também utilizado em determinados rituais afro-brasileiros; ossos de animais; estruturas metálicas fixadas ao piso; fragmentos de gravetos ou cipós dispostos de maneira específica e outros objetos cuja relação entre si passou a ser considerada relevante para a interpretação arqueológica.

A disposição dos materiais é importante porque, em arqueologia, não se analisa apenas o objeto individualmente. A posição em que cada peça foi encontrada, sua relação com pisos, paredes, estruturas e outros artefatos também ajuda a determinar como determinado ambiente era utilizado.

É justamente por isso que retirar simplesmente os objetos e prosseguir com a escavação de engenharia não é uma alternativa automática.

Iphan vê possibilidade de espaço religioso permanente

No parecer emitido em 13 de agosto de 2026, depois de uma vistoria realizada três dias antes, o Iphan considerou que as evidências podem indicar um espaço sagrado utilizado de maneira permanente, e não apenas um local onde objetos foram depositados ocasionalmente.

O instituto classificou o conjunto como potencialmente relevante do ponto de vista histórico, arqueológico, científico e cultural.

O Iphan determinou que as escavações na Área 6 sejam feitas manualmente, por níveis controlados, para que pisos, estruturas e objetos permaneçam documentados dentro de seu contexto.

Também foi determinado acompanhamento por uma autoridade religiosa de matriz afro-diaspórica, além de documentação fotogramétrica e produção de modelo tridimensional das estruturas.

Objetos aderidos ou incorporados aos pisos não podem simplesmente ser retirados separadamente. O objetivo é preservar, na documentação e eventualmente na musealização, a relação espacial entre os elementos.

Uma questão ainda em análise é se determinadas estruturas poderão ser removidas integralmente para posterior remontagem, procedimento semelhante ao estudado para achados anteriores.

Parecer permitia outras obras, mas Linha Uni agora paralisou o canteiro inteiro

Há uma diferença importante entre a orientação técnica emitida anteriormente e a situação confirmada nesta quinta-feira, 27 de agosto.

O parecer do Iphan de 13 de agosto previa que atividades de engenharia poderiam continuar em outras áreas que não fossem diretamente afetadas pelos novos vestígios, desde que mantido o monitoramento arqueológico.

Caso algo relevante aparecesse, somente aquela frente seria interrompida para investigação.

Agora, entretanto, a Linha Uni confirmou que as atividades estão paralisadas em todo o canteiro da futura Estação 14 Bis-Saracura enquanto aguarda uma nova definição do instituto.

A concessionária havia encaminhado em 28 de julho ao Iphan relatório sobre os achados recentes.

Sem uma definição sobre como as novas estruturas deverão ser tratadas, a empresa diz que não consegue reorganizar a sequência dos trabalhos de engenharia.

O que diz a Linha Uni

Em nota encaminhada à imprensa, a concessionária informou:

A Concessionária Linha Uni informa que as atividades no canteiro de obras da futura Estação 14 Bis-Saracura estão paralisadas em razão de novos achados arqueológicos, aguardando as diretrizes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) sobre o tratamento a ser dado aos materiais encontrados. Somente a partir dessa definição será possível replanejar o sequenciamento das atividades no local.

A Concessionária segue rigorosamente as orientações do órgão, a quem cabe definir os procedimentos a serem adotados, e mantém diálogo permanente com as autoridades competentes e com a comunidade local.

A empresa não informou prazo estimado para a nova manifestação do Iphan nem uma data possível para retomada das obras.

Em março, Iphan havia liberado novamente o avanço das obras

A nova paralisação ocorre poucos meses depois de uma decisão que parecia encerrar uma das etapas mais complexas da disputa arqueológica.

Em 18 de março de 2026, o Iphan aprovou relatório que considerava concluída a etapa de salvamento arqueológico então realizada no terreno e se manifestou favoravelmente à continuidade das obras civis.

As pesquisas daquele ciclo haviam alcançado profundidades de até 7,5 metros em áreas investigadas, com cerca de 888 metros quadrados escavados manualmente e aproximadamente 2 mil metros cúbicos de solo analisados.

A autorização, entretanto, já continha uma condição que agora se mostrou decisiva: o monitoramento arqueológico teria de continuar durante a movimentação de terra.

O parecer determinava que, se aparecessem novos elementos não previstos, a intervenção naquele local deveria novamente ser interrompida para avaliação.

Foi justamente o que ocorreu na Área 6.

Assim, a autorização dada em março não significava que não poderia mais haver descobertas. Ela liberava a engenharia nas áreas então pesquisadas e consideradas aptas, mantendo a obrigação de acompanhamento arqueológico das novas frentes.

Estação tem somente cerca de 15% das obras concluídas

O efeito desses sucessivos impasses aparece claramente no avanço físico.

Enquanto diversas estações da Linha 6 já estavam acima de 90% de execução no primeiro semestre de 2026, a 14 Bis-Saracura permanecia próxima de 15%.

Em fevereiro de 2025, o próprio Governo do Estado havia informado ao Diário do Transporte que somente cerca de 10% da estação estavam concluídos e chegou a admitir publicamente que a implantação poderia ser reavaliada caso não houvesse liberação para os trabalhos arqueológicos.

A hipótese de retirar definitivamente a estação do projeto chegou, portanto, a aparecer oficialmente no debate.

Posteriormente, com novas autorizações do Iphan, Estado e concessionária mantiveram a parada no projeto.

Até agora, não há anúncio oficial de supressão da 14 Bis-Saracura.

Relembre: Governo de SP admitiu em 2025 que construção da Estação 14 Bis-Saracura poderia ser reavaliada

Em 2025, Iphan determinou continuidade da pesquisa e musealização dos achados

Outro momento importante ocorreu em fevereiro e março de 2025.

O Iphan aprovou a continuidade das escavações arqueológicas na chamada Área 4, onde também haviam sido encontradas estruturas e objetos potencialmente relacionados à religiosidade afro-brasileira.

A decisão veio acompanhada de contrapartidas.

Entre elas estava a elaboração de um projeto de salvamento, conservação e musealização dos elementos arqueológicos, desenvolvido com participação das comunidades ligadas à memória do território.

Uma das propostas é que partes das estruturas encontradas possam ser apresentadas dentro da própria estação.

O Iphan chegou a destacar a possibilidade de a 14 Bis-Saracura se tornar a primeira estação de metrô brasileira com remontagem e musealização de parte de um sítio arqueológico em seu interior.

Relembre: Iphan aprovou em março de 2025 continuidade das escavações na Estação 14 Bis-Saracura

Em 2024, Linha Uni já alertava para risco de atraso ou inviabilização

As divergências sobre a liberação de áreas já preocupavam a concessionária um ano antes.

Em 19 de julho de 2024, a Linha Uni informou ao Diário do Transporte que precisava receber determinadas liberações do Iphan até a primeira metade de agosto para evitar impactos no cronograma.

Na ocasião, a empresa chegou a dizer que o atraso das autorizações poderia comprometer ou até inviabilizar a entrega da estação dentro do planejamento então vigente.

Naquele momento, a concessionária dizia que as atividades de engenharia que poderiam ser executadas paralelamente ao resgate arqueológico já haviam sido realizadas e que determinadas áreas dependiam diretamente das pesquisas e liberações patrimoniais.

Relembre: Linha Uni alertou em 2024 que atraso nas liberações poderia comprometer a Estação 14 Bis-Saracura

Nome da estação mudou depois das descobertas

A presença histórica do Saracura também chegou ao nome da futura estação.

Inicialmente chamada apenas de 14 Bis, a parada passou oficialmente a se chamar Estação 14 Bis-Saracura em junho de 2024, por determinação do Governo do Estado.

A mudança incorporou ao nome da infraestrutura de transporte uma referência ao território negro identificado pelas pesquisas históricas e arqueológicas.

Movimentos ligados ao Bixiga e à preservação da memória negra defendiam uma denominação ainda mais ampla, “Saracura/Vai-Vai”, reunindo a referência ao antigo quilombo e à escola de samba que ocupou o terreno por décadas.

Relembre: Governo de SP mudou o nome da futura estação para 14 Bis-Saracura em 2024

Primeiros achados apareceram em 2022

A história arqueológica começou no início das obras mais profundas da estação.

Os primeiros vestígios foram identificados em 2022, aproximadamente três metros abaixo do nível da rua.

A partir das descobertas, a concessionária contratou a empresa especializada A Lasca para realizar monitoramento, escavação, salvamento, catalogação e estudos dos materiais, sob acompanhamento do Iphan.

Em 2023, a Linha Uni informava que mais de quatro mil objetos já haviam sido encontrados e catalogados, entre louças, cerâmicas, metais e peças de vestuário.

Esse número, entretanto, corresponde apenas a uma etapa inicial da pesquisa.

Com a continuidade das escavações, o volume cresceu significativamente. Em 2025, o próprio Iphan já falava em dezenas de milhares de materiais recuperados. Uma exposição acadêmica apresentada em 2026 pelo Jornal da USP menciona mais de 90 mil peças dos séculos XIX e XX associadas ao sítio.

Ou seja, os cerca de quatro mil itens divulgados nos primeiros anos não representam mais o total acumulado dos achados.

Enchente provocou uma das primeiras interrupções em 2023

O Diário do Transporte acompanha os problemas desde as primeiras descobertas.

Em 7 de fevereiro de 2023, fortes chuvas alagaram a área arqueológica no canteiro da estação.

Três dias depois, em 10 de fevereiro, o Iphan determinou a interrupção das escavações arqueológicas para preservar o sítio e garantir segurança. O local já havia sido drenado, mas a retomada dependia da redução do período de chuvas intensas.

É importante diferenciar essa interrupção da paralisação de toda a obra.

O próprio Iphan explicou posteriormente que determinadas atividades gerais já estavam limitadas por questões geotécnicas e de segurança, enquanto o que havia sido formalmente suspenso pelo instituto naquele momento era o trabalho arqueológico na área atingida pela inundação.

Relembre: após enchente, Iphan determinou interrupção das escavações em fevereiro de 2023

Novas peças religiosas voltaram a interromper o salvamento em maio de 2023

Poucos meses depois, houve novo impasse.

Em maio de 2023, foram encontradas duas peças cerâmicas que poderiam estar relacionadas a cerimônias e atividades de religiões de matriz africana.

Diante da possível sensibilidade cultural dos achados, o Iphan pediu nova suspensão temporária do salvamento arqueológico e consultou órgãos ligados à cultura, igualdade racial, direitos humanos e patrimônio afro-brasileiro.

O instituto ressaltou, entretanto, que não havia decretado embargo integral à construção da Linha 6.

A discussão naquele momento era especificamente como pesquisar, preservar e retirar materiais que poderiam possuir significado religioso e cultural.

Em julho de 2023, o Iphan autorizou novamente a retomada do salvamento arqueológico.

Relembre: Iphan pediu suspensão temporária após encontro de peças cerâmicas em 2023

Relembre: em julho de 2023, Iphan autorizou retomada da retirada das peças

O que existia na região do Saracura

Os achados não surgiram em um terreno historicamente neutro.

O Vale do Saracura, onde hoje está o Bixiga, teve forte presença da população negra desde o século XIX.

O córrego Saracura atravessava a região que mais tarde seria profundamente modificada pela urbanização e pela implantação da Avenida Nove de Julho.

Pesquisas históricas apontam a formação de um núcleo negro às margens do córrego, associado a moradores, trabalhadores, pessoas que haviam sido escravizadas e fugitivos da escravidão. O território é identificado historicamente como Quilombo do Saracura.

O Iphan registrou oficialmente o Saracura/14 Bis como sítio arqueológico integrante do Patrimônio Cultural Brasileiro em 2022.

Segundo o instituto, os materiais recuperados colocam em evidência a ocupação negra da região e incluem estruturas potencialmente vinculadas a práticas religiosas afro-brasileiras.

O Saracura também está relacionado à história do samba paulistano.

Vai-Vai ocupou por décadas o terreno da futura estação

A história da Escola de Samba Vai-Vai está profundamente ligada ao mesmo território.

A agremiação tem origem no antigo cordão Vae-Vae, criado em 1930 a partir das manifestações culturais e esportivas da população negra do Bixiga.

Na década de 1970, a escola estabeleceu sua sede própria na região formada pelas ruas São Vicente, Cardeal Leme e Doutor Lourenço Granato, próximo à Praça 14 Bis.

O local tornou-se uma das principais referências culturais da escola e permaneceu ligado à Vai-Vai durante aproximadamente cinco décadas.

Em setembro de 2021, a agremiação deixou a sede para permitir a implantação da estação da Linha 6-Laranja. As estruturas foram posteriormente demolidas para abertura do canteiro.

Assim, o terreno que hoje concentra a disputa entre engenharia e arqueologia reúne camadas diferentes da história negra paulistana: a ocupação ligada ao Saracura no século XIX e início do XX e, décadas depois, a presença da Vai-Vai.

Linha 6 também já enfrentou uma paralisação de quatro anos por falta de financiamento

Os problemas da 14 Bis-Saracura não são os únicos responsáveis pelo longo histórico da Linha 6-Laranja.

Muito antes dos achados arqueológicos, todo o empreendimento ficou parado por aproximadamente quatro anos.

A primeira concessionária, Move São Paulo, suspendeu as obras em setembro de 2016 alegando dificuldades para obter o financiamento de longo prazo necessário à continuidade do projeto.

O grupo era formado por Odebrecht Transport, Queiroz Galvão, UTC Engenharia e Eco Realty. As obras haviam começado em 2015.

A paralisação se prolongou enquanto o Estado e a antiga concessionária buscavam uma solução para o contrato.

A Acciona entrou posteriormente no projeto, por meio da Linha Universidade, e as obras foram oficialmente retomadas em outubro de 2020.

Assim, o atraso acumulado da Linha 6 não pode ser atribuído exclusivamente à arqueologia do Bixiga.

Em 2022, rompimento de interceptor de esgoto provocou cratera na Marginal Tietê

Outro episódio de grande repercussão ocorreu em 1º de fevereiro de 2022.

Um interceptor de esgoto se rompeu próximo ao VSE Aquinos, poço de ventilação e saída de emergência da Linha 6, provocando inundação da obra e abertura de uma enorme cratera na Marginal Tietê.

Não houve vítimas fatais.

A Linha Uni afirmou na época que o incidente estava relacionado ao rompimento da tubulação e que seria pontual, sem paralisação das demais frentes. As causas técnicas do rompimento passaram por perícia.

O acidente despejou enorme volume de água e esgoto nos poços e túneis e exigiu reconstrução do trecho atingido.

O Diário do Transporte acompanhou posteriormente as obras de recuperação no local. Mais de 170 milhões de litros de água contaminada atingiram a área, e a pista local da Marginal permaneceu afetada por semanas.

Ou seja, o projeto acumula uma sequência de problemas de natureza completamente diferente: financiamento, retomada contratual, acidente de engenharia e saneamento, condições geológicas e, na área do Bixiga, sucessivas descobertas arqueológicas.

Primeiro trecho já funciona, mas 14 Bis ficou para a fase central

Apesar dos problemas, parte da Linha 6 finalmente começou a transportar passageiros em julho de 2026.

Seis estações — João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes — entraram em operação assistida a partir de 3 de julho.

O Governo do Estado prevê ampliar a operação até Brasilândia ainda em 2026.

Para o trecho entre Perdizes e São Joaquim, onde estão Higienópolis-Mackenzie, 14 Bis-Saracura, Bela Vista e a integração com a Linha 1-Azul, a referência oficial continua sendo 2027.

A 14 Bis-Saracura, porém, está em situação muito diferente das demais.

Com cerca de 15% de execução e novamente paralisada, a estação não possui neste momento um cronograma individual de retomada divulgado pela Linha Uni.

O problema é também operacionalmente sensível: na região da estação, o túnel provisório construído para permitir a passagem das tuneladoras precisa ser posteriormente aberto e integrado à estrutura definitiva das plataformas e vias.

Quanto mais tempo essa etapa permanecer condicionada à arqueologia, maior será a necessidade de reorganizar a sequência das obras civis.

A Linha Uni afirma que somente poderá definir essa nova sequência depois que receber as diretrizes do Iphan.

Assim, mais uma vez, a construção de uma estação de metrô que deveria apenas abrir caminho para o futuro encontrou, debaixo do solo do Bixiga, partes ainda pouco conhecidas do passado de São Paulo.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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