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Gontijo, Atual, Riodoce e São Geraldo e São Cristóvão querem paralisar linhas, modificar horários e mudar categorias de ônibus em Minas Gerais

Pedidos foram feitos à Seinfra e podem afetar rotina de passageiros

ADAMO BAZANI

Cinco empresas de ônibus pediram à Seinfra (Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias) de Minas Gerais alterações em serviços intermunicipais que podem mudar a rotina de passageiros de diferentes regiões do estado. Os pedidos envolvem a Gontijo, Companhia Atual, Viação Riodoce, Empresa São Geraldo e Empresa São Cristóvão, com propostas de paralisação de linhas por até 360 dias, cancelamento e implantação de horários, mudança de dias de operação, retomada de serviço e reorganização de atendimentos convencionais, executivos e leito.

Entre as principais mudanças estão alterações da Gontijo na Belo Horizonte–Almenara; a intenção da Atual de paralisar uma das autorizações entre Belo Horizonte e Juiz de Fora ao mesmo tempo em que retoma o serviço Executivo; a suspensão por um ano pretendida pela Riodoce nas ligações Capelinha–Novo Cruzeiro e Araçuaí–Novo Cruzeiro; a paralisação solicitada pela São Geraldo entre Diamantina e Felício dos Santos; e uma ampla reorganização da São Cristóvão nas ligações entre Uberlândia, Unaí, Patos de Minas, Paracatu e Presidente Olegário. As mudanças ainda não devem ser consideradas definitivas: a Seinfra abriu prazo de dez dias para que interessados apresentem impugnações antes da conclusão dos procedimentos.

Gontijo quer mudar horários da Belo Horizonte–Almenara nos serviços convencional, Executivo e Leito

A Empresa Gontijo de Transportes apresentou alterações para a linha Belo Horizonte–Almenara, que passa por Diamantina e Araçuaí e atende uma extensa ligação entre a capital e o Vale do Jequitinhonha.

No serviço convencional, a proposta é alterar apenas o dia de uma das partidas de Almenara. A viagem das 15h30, atualmente prevista para terça-feira, passaria a ocorrer na quarta-feira.

As mudanças são mais perceptíveis para quem utiliza as categorias Executivo e Leito.

Nos dois padrões, a Gontijo pretende cancelar a partida de Belo Horizonte às 18h de segunda, quarta e sexta-feira e substituí-la por uma saída às 20h15, nos mesmos três dias da semana.

Na prática, se a alteração for aprovada, o passageiro que hoje consegue sair da capital no início da noite terá de embarcar mais de duas horas depois nesses dias.

O pedido não significa extinção da ligação Belo Horizonte–Almenara. Trata-se de uma alteração no quadro de funcionamento dos diferentes padrões de atendimento.

A Gontijo já teve outras modificações de linhas intermunicipais analisadas pela Seinfra neste ano. Em 21 de agosto de 2026, por exemplo, o Diário do Transporte mostrou que o Estado havia autorizado alteração na Patos de Minas–São Gonçalo do Abaeté após uma fase anterior de publicação do pedido. O caso ajuda a mostrar como funciona o procedimento: primeiro a proposta é tornada pública e admite manifestações; posteriormente, se deferida, passa a integrar oficialmente o quadro operacional da linha.

Relembre: Gontijo, São Geraldo, Cambuí e outras empresas em Minas Gerais terão mudanças em linhas intermunicipais

Atual quer paralisar uma das Belo Horizonte–Juiz de Fora por um ano e retomar Executivo

O conjunto mais complexo de mudanças desta edição envolve a Companhia Atual de Transportes e a ligação entre Belo Horizonte e Juiz de Fora.

Em uma das autorizações da empresa, identificada pela Seinfra como linha Belo Horizonte–Juiz de Fora, a Atual pede a paralisação do serviço por 360 dias.

Isso não significa, entretanto, que a empresa esteja pedindo para deixar completamente o mercado entre as duas cidades.

No mesmo aviso, a companhia solicita a retomada da operação do serviço Executivo.

Para as partidas de Belo Horizonte nessa categoria, a proposta é cancelar o horário das 12h15 e implantar uma saída às 13h todos os dias. Também seria criada uma viagem às 15h30 de segunda a sexta-feira e aos domingos.

A saída das 18h30, atualmente prevista de segunda a sexta, domingos e feriados, passaria a funcionar de segunda a sexta e aos domingos, deixando portanto de ter a previsão específica para feriados.

No sentido Juiz de Fora–Belo Horizonte, a Atual quer criar uma partida à 1h da madrugada de segunda a sábado e outra às 15h30 de segunda a sexta e aos domingos. Também pretende retirar os feriados da frequência da viagem das 18h30.

Outra autorização da Atual também terá redução e criação de horários se pedido for aprovado

A mesma edição traz um segundo pedido da Companhia Atual para outra autorização Belo Horizonte–Juiz de Fora.

Neste caso, não há pedido de paralisação da linha, mas uma reorganização do quadro de horários.

Saindo de Belo Horizonte, a companhia pretende cancelar a viagem diária das 12h e a saída das 18h45 às sextas-feiras. Em contrapartida, quer implantar uma partida à 1h da madrugada de segunda a sábado e outra às 19h aos sábados.

De Juiz de Fora, a proposta é retirar a saída diária das 12h e criar uma viagem às 19h de sábado.

Para o passageiro, portanto, é importante não resumir o pedido da Atual como uma simples redução de oferta. Há ao mesmo tempo paralisação pretendida de uma autorização, retomada de uma categoria de serviço, retirada de algumas viagens e criação de outras.

Também é por isso que as diferentes autorizações Belo Horizonte–Juiz de Fora não devem ser confundidas entre si.

Riodoce pede para paralisar duas linhas durante 360 dias

A Viação Riodoce apresentou dois pedidos semelhantes, ambos envolvendo o Vale do Jequitinhonha.

O primeiro é para a paralisação por 360 dias da linha Capelinha–Novo Cruzeiro.

O segundo pretende suspender pelo mesmo período a ligação Araçuaí–Novo Cruzeiro.

Caso sejam aprovados nos termos publicados, os pedidos representam interrupção de até um ano em duas ligações distintas que têm Novo Cruzeiro como um dos extremos.

O aviso não informa, entretanto, quais alternativas de transporte estarão disponíveis aos passageiros, se outros serviços da própria Riodoce cobrem partes dos trajetos ou se haverá outro operador durante o período.

Esse é um ponto importante porque a paralisação administrativa de uma linha pode ter efeitos diferentes conforme a existência de outras ligações, atendimentos parciais ou empresas servindo os mesmos municípios.

Por enquanto, a publicação registra a intenção da empresa e abre espaço para contestação. Não é correto informar que os ônibus já deixaram de circular com base apenas neste aviso.

São Geraldo quer suspender atendimento entre Diamantina e Felício dos Santos

A Empresa São Geraldo também pediu uma paralisação por 360 dias.

O ato está relacionado à linha Diamantina–São José da Cachoeira, mas o serviço que a companhia pretende suspender é o atendimento parcial entre Diamantina e Felício dos Santos.

A sigla ATP utilizada pela Seinfra identifica um atendimento parcial associado à linha principal. Isso significa que a medida publicada não equivale necessariamente à paralisação de toda a Diamantina–São José da Cachoeira.

O efeito direto, se o pedido for aprovado, recairá sobre o serviço específico Diamantina–Felício dos Santos.

A São Geraldo também passou recentemente por outra alteração de operação no sistema mineiro. Em agosto, a Seinfra autorizou mudança na Belo Horizonte–Coronel Murta, via Água Boa, depois de a proposta ter sido submetida anteriormente ao procedimento regulatório.

São Cristóvão quer parar duas Uberlândia–Unaí e ampliar operação entre Uberlândia e Patos de Minas

A Empresa São Cristóvão apresentou um pedido que combina redução de serviços em algumas ligações com ampliação ou flexibilização de operação em outras.

A empresa quer paralisar durante 360 dias a linha Uberlândia–Unaí via Araguari.

Também pretende suspender pelo mesmo período a Uberlândia–Unaí via BR-365.

Ao mesmo tempo, a São Cristóvão pede mudança no atendimento parcial Patos de Minas–Unaí, via BR-365.

A proposta é retirar uma restrição entre os pontos de seção de Paracatu e Presidente Olegário.

Uma restrição de seção define quais pares de localidades uma empresa pode ou não atender dentro de uma linha. Assim, um ônibus pode passar por duas cidades sem necessariamente estar autorizado a vender passagem somente entre esses dois pontos. A retirada da restrição pode ampliar as possibilidades de embarque e desembarque dentro do trajeto, dependendo do quadro operacional que vier a ser aprovado.

Há ainda uma mudança na Uberlândia–Patos de Minas via Araguari.

A saída das 6h de Uberlândia, que hoje tem frequência de segunda a sábado no pedido publicado, passaria a ser diária. A mesma alteração seria feita na partida das 6h de Patos de Minas: de segunda a sábado para todos os dias da semana.

Assim, embora a São Cristóvão esteja propondo paralisação de duas ligações para Unaí, também pretende aumentar a frequência de outro serviço.

Pedidos ainda não são mudanças definitivas

Todos esses atos fazem parte de uma etapa do processo regulatório da Seinfra.

A Subsecretaria de Transportes e Mobilidade informa que qualquer interessado pode apresentar impugnação escrita e fundamentada no prazo de dez dias corridos, contado a partir do primeiro dia útil posterior à publicação.

Somente depois da tramitação é que as propostas podem ser deferidas, indeferidas ou eventualmente modificadas.

Por isso, os passageiros não devem alterar seus planos de viagem imediatamente com base nesses pedidos.

A orientação prática é consultar a empresa responsável e os canais oficiais próximos à data da viagem, principalmente se a Seinfra publicar posteriormente a aprovação de novos quadros de funcionamento.

O procedimento tem sido recorrente em Minas Gerais. Em 21 de agosto de 2026, a própria Seinfra publicou um pacote de alterações que já havia passado pela etapa anterior de avisos e determinou que os novos quadros de 11 linhas entrassem em vigor em 6 de setembro. Entre as empresas estavam Gontijo e São Geraldo.

Assim, a edição desta quinta-feira, 27 de agosto, deve ser entendida como o início público de mais uma rodada de possíveis mudanças no transporte intermunicipal mineiro — algumas com impacto limitado a um horário, outras capazes de retirar uma linha de circulação durante até um ano.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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