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VÍDEO: BYD aposta na diversificação de versões de ônibus elétricos para atender mais segmentos. Baterias mais leves são trunfos para mais configurações

Fabricante chinesa lançou recentemente modelo para fretamento e também amplia opções entre urbanos

ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA

Diversificação é uma das palavras da vez quando o assunto é ônibus elétricos na BYD.

De acordo com o diretor comercial da marca, Bruno Paiva, em entrevista ao criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, na Lat.Bus 2026, feira especializada do setor, lançamentos como a configuração de piso alto para o setor de fretamento são respostas à procura maior por coletivos elétricos espontaneamente pelos operadores privados, sem as pressões e determinações das gestões públicas.

Para atender às demandas cada vez mais variadas, o segredo é apostar na montagem de chassis flexíveis para diferentes configurações e em tecnologia.

As baterias do tipo Blade, que são menores e mais leves, e soluções de arquitetura, como a Cell-To-Chassis, que integra as baterias e longarinas de chassis, permitem que os ônibus fiquem mais personalizados de acordo com cada encomenda.

Paiva também destacou a venda de 200 unidades do modelo superarticulado com carroceria Caio eMillennium BRT para o sistema de alta capacidade da cidade de São Paulo.

DIÁRIO DO TRANSPORTE ACOMPANHOU AS NOVIDADES DA BYD ANTES E DURANTE A LAT.BUS

O Diário do Transporte acompanhou a evolução da nova geração de ônibus elétricos da BYD desde antes da Lat.Bus 2026.

A cobertura já havia mostrado, em 2025, diretamente na fábrica da BYD em Campinas (SP), a introdução da bateria Blade nos novos chassis produzidos no Brasil, incluindo as novas gerações BC12LE e BC22LE.

O Diário do Transporte também mostrou o desenvolvimento do BC10LE, chassi elétrico de aproximadamente 10 metros e piso baixo, desenvolvido especialmente para características do mercado brasileiro e apresentado inicialmente na Arena ANTP 2025.

Na Lat.Bus 2026, realizada entre os dias 11 e 13 de agosto, no São Paulo Expo, a fabricante reuniu no estande esta nova família.

Além do BC10LE, foram apresentados o BC12LE, de aproximadamente 12 a 13 metros e piso baixo, e o BC22LE, articulado para operações de grande capacidade.

A grande novidade da feira, entretanto, foi a expansão desta arquitetura para uma aplicação diferente.

Antes mesmo da abertura da Lat.Bus, o Diário do Transporte adiantou que a BYD apresentaria o BC12HF, primeiro integrante da nova geração da fabricante com piso alto e bateria Blade.

O modelo amplia a atuação da empresa para além dos ônibus urbanos de piso baixo e foi desenvolvido para atender tanto operações urbanas como o fretamento.

Durante a feira, Adamo Bazani e Vinícius de Oliveira acompanharam presencialmente as novidades e conversaram com representantes da fabricante.

Na entrevista desta reportagem, Bruno Paiva explica não apenas as características dos diferentes veículos, mas a estratégia por trás desta diversificação.

BC12HF ABRE NOVA FRENTE NO FRETAMENTO

O BC12HF representa uma tentativa da BYD de entrar de maneira mais direta em um segmento no qual a eletrificação ainda possui participação pequena: o fretamento contínuo.

A sigla HF significa High Floor, ou piso alto.

A característica permite que o chassi receba carrocerias mais próximas da configuração tradicional utilizada por empresas que transportam funcionários de indústrias, escritórios, centros logísticos, escolas e outros estabelecimentos.

Não se trata, entretanto, de um ônibus rodoviário elétrico convencional destinado inicialmente a turismo ou linhas de longa distância.

Como Bruno Paiva explica na entrevista, o espaço inferior que poderia ser utilizado para grandes bagageiros é parcialmente ocupado pelo sistema de baterias.

A aplicação pretendida é principalmente o fretamento contínuo, no qual o transporte de grandes volumes de bagagem normalmente não é uma necessidade.

É justamente neste tipo de operação que a eletrificação pode encontrar uma característica favorável.

Os veículos de fretamento contínuo costumam cumprir períodos de maior movimento na entrada e saída dos turnos das empresas e permanecer parados por intervalos durante o dia.

Essas janelas podem ser utilizadas para recargas de oportunidade.

O BC12HF apresentado na Lat.Bus possui bateria Blade de 401 kWh e autonomia divulgada de 270 quilômetros.

Segundo Bruno Paiva, a BYD também pode montar configurações para aproximadamente 350 quilômetros, de acordo com a aplicação.

O tempo máximo anunciado para uma recarga completa é de aproximadamente duas horas.

A possibilidade de utilizar duas tomadas simultaneamente eleva a potência máxima combinada de carregamento para 280 kW.

Paiva explicou ao Diário do Transporte que, em condições normais de operação, o ônibus dificilmente deverá chegar ao carregador completamente descarregado.

Por isso, dependendo do estado de carga da bateria, uma parada de cerca de uma hora e dez minutos ou uma hora e vinte minutos pode ser suficiente para deixar novamente o veículo próximo da carga total.

MENOS PESO É UM DOS PRINCIPAIS OBJETIVOS

A redução de peso aparece repetidamente na estratégia da nova geração.

No caso do BC12HF, Bruno Paiva disse que o conjunto ficou aproximadamente 1,5 tonelada mais leve em comparação com soluções anteriores.

Não é apenas a bateria que responde por isso.

A fabricante combina a tecnologia Blade com a chamada arquitetura integrada 6 em 1, que reúne em um único conjunto funções que anteriormente dependiam de diferentes componentes.

A redução da quantidade de equipamentos significa, segundo a BYD, menor peso, menor quantidade de conexões e componentes e simplificação da manutenção.

Para um ônibus elétrico, a redução de peso tem impacto em diferentes pontos da operação.

Quanto menos massa o próprio veículo precisa deslocar, menor tende a ser a energia necessária para movimentá-lo.

O ganho pode ser usado para ampliar autonomia, aumentar a margem para passageiros e equipamentos ou adequar o veículo a diferentes exigências de peso.

É justamente por isso que Paiva diz que a redução de massa permite incorporar outras soluções aos ônibus.

FICHA TÉCNICA – BYD BC12HF

Característica BYD BC12HF
Tipo Chassi de ônibus 100% elétrico
Configuração 4×2
Piso Alto – High Floor
Aplicações Fretamento contínuo e transporte urbano
Comprimento do chassi apresentado 12.120 mm
Largura 2.550 mm
Entre-eixos 6.350 mm
PBT 20.500 kg
Capacidade eixo dianteiro 7.500 kg
Capacidade eixo traseiro 13.000 kg
Motorização Dois motores elétricos síncronos de ímãs permanentes
Modelo dos motores BYD-TZ290XSE
Potência máxima 2 x 150 kW
Potência máxima combinada 300 kW
Potência nominal 2 x 110 kW
Torque máximo 2 x 600 Nm
Torque nominal 2 x 320 Nm
Rotação máxima 11.000 rpm
Bateria BYD Blade LFP
Capacidade da configuração apresentada 401 kWh
Autonomia da configuração apresentada 270 km
Possibilidade de autonomia Até aproximadamente 350 km, conforme configuração
Conectores de recarga Duas tomadas CCS Combo 2
Potência máxima de recarga 2 x 140 kW
Potência máxima combinada 280 kW
Outra configuração de recarga 2 x 120 kW
Tempo anunciado de recarga completa Até aproximadamente 2 horas
Recarga em operação citada pela BYD Aproximadamente 1h10 a 1h20, dependendo da carga restante
Suspensão Pneumática integral
Controle da suspensão Eletrônico – ECAS
Direção Eletro-hidráulica
Freios de serviço A disco
Sistemas ABS, EBS e frenagem regenerativa
Rodas Alumínio 8,25 x 22,5
Pneus 295/80 R22,5
Possibilidades de portas Até três do lado direito e opção do lado esquerdo, conforme carroceria
Garantia da bateria 10 anos, mantendo SOH igual ou superior a 80% nas condições definidas pela fabricante

Autonomia, consumo e tempo de carregamento podem variar conforme configuração, quantidade de passageiros, equipamentos instalados, topografia, condições de trânsito, temperatura, utilização do ar-condicionado, modo de condução e capacidade da infraestrutura de recarga.

CELL-TO-CHASSIS: QUANDO A BATERIA PASSA A FAZER PARTE DA ESTRUTURA

Outro ponto enfatizado por Bruno Paiva durante a visita ao estande é a arquitetura denominada pela BYD de CTC, sigla para Cell-To-Chassis.

A mudança pode ser percebida visualmente quando o chassi é apresentado sem carroceria.

Em uma arquitetura tradicional, a estrutura do veículo precisa suportar os conjuntos de baterias, que são instalados sobre ela como componentes adicionais.

Na solução adotada pela BYD na nova geração, a bateria Blade passa a cumprir também uma função estrutural.

Em vez de simplesmente acrescentar o conjunto de baterias sobre uma estrutura que precisa ser reforçada para sustentá-lo, a integração permite que bateria e chassi trabalhem conjuntamente.

Com isso, segundo a fabricante, é possível utilizar menos material para obter a resistência estrutural necessária.

O resultado pretendido é redução de peso e melhor aproveitamento do espaço.

Na entrevista, Paiva mostra que esta configuração está presente no BC10 e no BC12.

O Diário do Transporte já havia acompanhado a introdução da solução também na nova geração de chassis produzidos em Campinas.

A tecnologia está diretamente ligada à bateria Blade.

As células utilizam química LFP, de fosfato de ferro-lítio, e possuem desenho longo e estreito.

A configuração permite que as células sejam posicionadas de maneira a aproveitar melhor o volume disponível.

A BYD diz que a Blade também apresenta vantagens em resistência estrutural e comportamento térmico.

CENTRO DE GRAVIDADE MAIS BAIXO

Uma das consequências destacadas por Bruno Paiva está na distribuição de peso.

Com parte das baterias integrada à região inferior do chassi, o centro de gravidade pode ficar mais baixo.

Isso tende a favorecer a estabilidade do veículo.

Paiva também relacionou a redução de peso à possibilidade de utilização de outras soluções de suspensão.

No BC10 mostrado durante a entrevista, o executivo explicou que o sistema permite movimentos mais independentes de cada lado, reduzindo a transmissão ao restante do veículo das irregularidades encontradas por uma das rodas.

Para o passageiro, o objetivo é melhorar o conforto.

Para o operador, a combinação de menos massa, melhor distribuição dos componentes e menor quantidade de equipamentos também é apresentada como forma de simplificar manutenção e reduzir períodos de indisponibilidade do ônibus.

BATERIA BLADE E SISTEMA 6 EM 1 FORMAM A BASE DA NOVA GERAÇÃO

A BYD iniciou em Campinas, ainda em 2025, a montagem da nova geração de chassis com bateria Blade.

O BC12LE e o BC22LE foram os primeiros modelos desta fase a ganhar produção nacional.

O BC10LE ampliou a família para o segmento midi e, agora, o BC12HF acrescenta o piso alto.

A outra tecnologia comum é o controlador integrado chamado de 6 em 1.

Em vez de diferentes equipamentos independentes para executar funções do sistema elétrico, seis funções são concentradas em um único conjunto.

Segundo a empresa, além da redução de peso, há menos componentes e conexões que podem exigir intervenções de manutenção.

O conjunto formado pelas baterias Blade, pela integração estrutural e pela eletrônica mais compacta explica parte da diferença de peso ressaltada repetidamente por Bruno Paiva na entrevista.

DE 10 A 22 METROS: BYD PASSA A TER CONFIGURAÇÕES PARA DIFERENTES DEMANDAS

O menor dos novos modelos é o BC10LE.

Desenvolvido com participação da engenharia brasileira, o chassi possui aproximadamente 10 metros e piso baixo.

A aplicação é principalmente urbana, em regiões nas quais um veículo menor consegue circular com mais facilidade, mas nas quais a acessibilidade proporcionada pelo piso baixo continua sendo exigida.

Na Lat.Bus, o Diário do Transporte mostrou uma unidade encarroçada pela Mascarello destinada ao sistema municipal da cidade de São Paulo.

O BC12LE ocupa a faixa dos ônibus padron.

Com aproximadamente 13 metros, também possui piso baixo e pode receber diferentes configurações de carroceria para sistemas urbanos.

Já o BC22LE é destinado aos serviços de maior capacidade.

O articulado chega à faixa dos 22 metros e possui piso baixo.

Durante a entrevista, Paiva detalha uma particularidade de seu sistema de tração: o veículo possui tração em dois eixos, além de eixo direcional controlado eletronicamente.

A BYD já recebeu encomendas de mais de 200 unidades desta categoria para São Paulo, segundo o executivo.

A nova carroceria Caio eMillennium BRT é uma das configurações utilizadas.

Por fim, o BC12HF ocupa a faixa de aproximadamente 12 metros, mas diferencia-se dos outros pela adoção do piso alto e pela possibilidade de atendimento ao fretamento.

OS MODELOS DA ATUAL GERAÇÃO PRODUZIDA EM CAMPINAS

A BYD apresentou na Lat.Bus 2026 quatro chassis como integrantes de sua atual família de ônibus elétricos: BC10LE, BC12LE, BC22LE e BC12HF.

Os modelos são montados na unidade de Campinas, primeira fábrica da empresa no Brasil.

A planta trabalha com chassis que posteriormente são enviados às encarroçadoras de acordo com as encomendas dos operadores.

As carrocerias, portanto, podem variar.

Caio, Marcopolo e Mascarello estão entre as empresas que já desenvolveram produtos sobre chassis desta nova família, dependendo do modelo e da aplicação.

A tabela abaixo reúne as informações divulgadas pela fabricante e os dados técnicos apresentados pela BYD ao Diário do Transporte. Nos campos em que a empresa não apresentou um número específico para determinada configuração, a informação foi mantida como não divulgada, sem estimativas.

Modelo Categoria/aplicação Piso Comprimento de referência Bateria Capacidade divulgada Autonomia divulgada Recarga divulgada Arquitetura/tecnologias
BC10LE Midi urbano Baixo Aproximadamente 10 m Blade LFP BYD não detalhou capacidade específica no material consultado Aproximadamente 250 km a 270 km, conforme configuração e operação citadas pela BYD Não detalhada especificamente no material técnico consultado Cell-To-Chassis, bateria estrutural, sistema integrado 6 em 1, suspensão pneumática
BC12LE 21.410 Padron urbano Baixo Aproximadamente 13 m Blade LFP 425 kWh ou 499 kWh Até 270 km ou até 350 km, conforme bateria/configuração Aproximadamente 1h30 a 2h Cell-To-Chassis, sistema 6 em 1, suspensão pneumática
BC12HF Urbano/fretamento Alto 12,12 m no chassi apresentado Blade LFP 401 kWh na configuração da Lat.Bus; outras configurações podem variar 270 km na configuração apresentada; até cerca de 350 km segundo a BYD Até 2h; potência máxima combinada de 280 kW Sistema integrado 6 em 1, suspensão pneumática com controle eletrônico
BC22LE 41.820 Articulado/superarticulado urbano de alta capacidade Baixo Aproximadamente 22 m Blade LFP 542 kWh ou 642 kWh Até aproximadamente 270 km a 350 km, conforme configuração Aproximadamente 1h30 a 2h; configurações de alta potência podem reduzir o tempo Cell-To-Chassis, sistema 6 em 1, tração elétrica em dois eixos, eixo direcional eletrônico

Os valores de autonomia são referências divulgadas pela fabricante e não representam garantia de quilometragem fixa em qualquer operação.

Topografia, quantidade de passageiros, peso da carroceria, ar-condicionado, velocidade média, número de paradas, temperatura ambiente, estilo de condução e condições do trânsito interferem diretamente no consumo.

Também por este motivo, a BYD defende a possibilidade de configurar quantidade de energia embarcada de acordo com a operação, evitando transportar peso de bateria sem necessidade quando o ônibus percorre distâncias menores.

Os modelos D9W, D9A, D11B, D11A e D9F fazem parte da geração anterior de chassis elétricos da BYD no Brasil e continuam presentes em diferentes operações. Para a Lat.Bus 2026, entretanto, a fabricante apresentou BC10LE, BC12LE, BC22LE e BC12HF como a família atual de produtos, razão pela qual são estes os modelos reunidos na tabela de produção atual.

DO MIDI AO SUPERTICULADO

A amplitude da linha ajuda a explicar a palavra “diversificação” utilizada no início desta reportagem.

Em uma extremidade está um ônibus de cerca de 10 metros preparado para ruas e operações nas quais um veículo mais compacto é suficiente.

Na outra está o BC22LE, destinado a corredores e linhas que necessitam de grande capacidade.

Entre ambos estão os veículos da faixa de 12 e 13 metros, agora com opções de piso baixo e piso alto.

Para a BYD, isso permite disputar projetos com especificações muito diferentes sem abandonar a eletrificação.

A própria entrevista mostra que parte desta estratégia responde ao amadurecimento da demanda.

No fretamento, segundo Paiva, não são apenas as empresas operadoras que procuram veículos elétricos.

Em diversas situações, a demanda parte do próprio contratante do transporte.

Indústrias e outras empresas podem estabelecer objetivos ambientais e exigir dos prestadores a substituição de veículos a diesel por alternativas de emissão zero.

É neste cenário que a BYD espera encontrar espaço para o BC12HF.

Já no transporte urbano, São Paulo aparece como principal mercado de escala da empresa.

O BC10LE foi desenvolvido considerando demandas específicas da cidade, enquanto o BC22LE já possui grandes encomendas para operações de alta capacidade.

Assim, a mesma tecnologia básica é empregada em veículos com portes e funções bastante diferentes.

É justamente esta estratégia que Bruno Paiva detalha na entrevista completa.

Confira a entrevista completa

ADAMO BAZANI: Diário do Transporte numa cobertura especial da Lat.Bus, aqui com o diretor comercial da BYD, Bruno Paiva, que vai conversar com a gente dos principais lançamentos, o contexto da feira, do mercado de ônibus elétricos, mas tratando, inicialmente, o grande lançamento da marca para esse semestre, que é o ônibus para fretamento e urbano, é isso?

BRUNO PAIVA: É isso aí, Adamo. Estamos lançando aqui o BC12HF, o ônibus da marca que vem com piso alto, com todas as inovações que os outros chassis já trouxeram no ano passado, bateria Blade, 6 em 1, duas possibilidades de autonomia, mais potência de recarga, e agora para ser usado tanto no urbano quanto no fretamento.

ADAMO BAZANI: Você falou duas possibilidades de autonomia, quais são?

BRUNO PAIVA: 270 km ou 350 km.

ADAMO BAZANI: O que muda para um e para o outro?

BRUNO PAIVA: Um tem mais bateria e o outro tem menos bateria, muito simples, nada demais, o contexto do veículo é todo o mesmo.

ADAMO BAZANI: E aí o operador tem a flexibilidade de ver a sua aplicação, às vezes um fretamento contínuo, que você vai lá, fica parado bastante tempo na fábrica, na escola, na igreja, já um fretamento um pouquinho, uma rota um pouquinho maior, o ida e vinda, já você pega uma autonomia maior.

BRUNO PAIVA: Exato, o que a gente acredita é que o veículo de 270 km vai se aplicar mais ao fretamento e o 350 km a gente vai ter tanto para o fretamento quanto para o urbano, dependendo da operação da linha, enfim, quantidade de quilometragem que aquele veículo faz naquela linha por dia.

ADAMO BAZANI: Quais são os principais diferenciais além dessas duas opções de autonomia?

BRUNO PAIVA: Acho que o principal além disso é que ele vem também com uma tonelada e meia a menos de peso, isso é bem relevante.

ADAMO BAZANI: Por causa da Blade?

BRUNO PAIVA: De tudo, é o conjunto completo, que seria a Blade, a questão do 6 em 1 que acaba diminuindo a quantidade de componentes, enfim, o conjunto todo acabou diminuindo o peso do veículo.

ADAMO BAZANI: Para o urbano ele pode receber quais configurações de carrocerias, portas, distribuição?

BRUNO PAIVA: Esse veículo chegou para a feira, ele chegou ali bem no limite, então a gente ainda não fez contato com as encarroçadoras, mas a ideia é que a gente tenha parceria com todo mundo, enfim, como sempre foi.

ADAMO BAZANI: Várias configurações?

BRUNO PAIVA: Exatamente.

ADAMO BAZANI: E o fretamento, é bom a gente deixar claro que existem vários tipos de fretamento, existe aquele fretamento longa distância, o turismo, tem o fretamento de compras, que aí você precisa daqueles ônibus grandes de LD, HD, esse é para um fretamento que você não necessita tanto de bagageiro?

BRUNO PAIVA: Sim, na verdade a gente tem um pedacinho aqui de bagageiro bem pequeno, então ele seria mais um fretamento de empresas, de serviço de empresas.

ADAMO BAZANI: Isso está sendo bastante demandado pelo mercado.

BRUNO PAIVA: Isso está sendo bastante demandado, muita gente, fretamento, visitou a gente aqui na feira, conversando não só com o operador, mas às vezes com o cliente.

ADAMO BAZANI: E é normalmente esse que demanda, né?

BRUNO PAIVA: Esse que demanda o operador, que ele tem aí o veículo elétrico, exatamente.

ADAMO BAZANI: E a gente tem mais veículos aqui, uma gama agora mais completa, né?

BRUNO PAIVA: Aqui a gente tem o BC-10, nós temos ele aqui, do outro lado você pode ver ele encarroçado com o Mascarello, com a configuração de São Paulo, e esse é o único ônibus do mundo que está encarroçado, ele vai começar a operação dele em breve, então é o primeiro ônibus do mundo, da marca, de 10 metros, piso baixo, que vai rodar.

ADAMO BAZANI: Zona Norte de São Paulo.

BRUNO PAIVA: Zona Norte de São Paulo, exatamente. Foi desenvolvido especialmente para o Brasil, então aqui a gente tem a tecnologia chinesa com a engenharia brasileira, que ajudou a fazer a composição desse chassi todo. Ele vem com a bateria no chassi, que ela é estrutural, e com a bateria no teto. Esse veículo roda aí na faixa de uns 270 quilômetros, 250 quilômetros.

ADAMO BAZANI: É isso que significa o Cell-To-Chassis?

BRUNO PAIVA: Exatamente, a gente precisa de menos material no chassi para poder gerar a mesma resistência. Então esse modelo de bateria, que é o mesmo usado nos carros, os carros da BYD, tem essa concepção onde a bateria faz parte do chassi, a gente está trazendo isso para o ônibus, agora a bateria faz parte do chassi também.

ADAMO BAZANI: Então isso é uma novidade de mercado?

BRUNO PAIVA: Sim, sim, sim, isso é engenharia brasileira com tecnologia chinesa.

ADAMO BAZANI: Perfeito, só no de 10 metros?

BRUNO PAIVA: Não.

ADAMO BAZANI: Toda linha?

BRUNO PAIVA: Você vem aqui atrás, vamos dar uma passada aqui. Você vai ter aqui o BC-12, que vem na mesma configuração. Bateria no chassi e um jogo de bateria no teto. Com a mesma concepção de gerar resistência no chassi.

ADAMO BAZANI: Ela é tubular e isso chama bastante atenção. Quais são as vantagens disso? A gente está vendo aproveitamento de espaço, redução de peso. Detalhe essas vantagens.

BRUNO PAIVA: Bom, o centro de gravidade do carro fica mais baixo também, então ele fica muito mais estável. A suspensão desse veículo é em ar, são leques de suspensão, então elas não são uma viga.

ADAMO BAZANI: Por causa justamente dessa solução?

BRUNO PAIVA: Não, o carro ficou mais leve, então ele acaba podendo receber outras tecnologias.

ADAMO BAZANI: Perfeito.

BRUNO PAIVA: Então essa suspensão agora, a suspensão em viga, quando você passa num buraco você sente dos dois lados. Com essa suspensão você sente só um lado de cada vez. Então isso acaba melhorando a condição do veículo, fazendo com que o amortecimento do veículo seja muito melhor.

ADAMO BAZANI: Perfeito. Mais veículos também?

BRUNO PAIVA: Temos sim. Vamos aqui atrás, eu vou te mostrar. É importante falar, a BYD tem a solução completa. Então a gente tem carregador, a gente tem ônibus, a gente tem carros, a gente tem painel solar, a gente tem bateria. Então assim, não é simplesmente chassi de ônibus, a gente tem a solução completa para os clientes.

ADAMO BAZANI: Mas se eu quiser só comprar o chassi?

BRUNO PAIVA: Você compra sem problema nenhum. Hoje a gente recebe aqui todas as marcas de carregador.

ADAMO BAZANI: Porque às vezes a empresa já tem na garagem o equipamento.

BRUNO PAIVA: Sim, sem problema. Vamos lá. Aqui a gente tem o BC22.

ADAMO BAZANI: Que é o que está rodando bastante em São Paulo, né?

BRUNO PAIVA: Isso, vai rodar lá no Corredor Verde, 42 já foram entregues para a cidade, já tem mais alguns que vão ser entregues agora. Nós temos um pedido grande para esse veículo, mais de 200.

ADAMO BAZANI: Mais de 200 unidades?

BRUNO PAIVA: Exatamente.

ADAMO BAZANI: Só para a capital paulista?

BRUNO PAIVA: Só para a capital paulista, exatamente.

ADAMO BAZANI: Já nessa carroceria nova da Caio, né?

BRUNO PAIVA: Já na carroceria nova da Caio, exatamente. Que é a mesma que foi mostrada no lançamento de São Paulo.

ADAMO BAZANI: A gente detalhou já esse veículo, mas ele sempre chama atenção pelo porte dele e até visualmente, né? Muita gente, a gente lida bastante com quem é do setor, quem entende, mas também o passageiro, cliente do cliente, né? Vamos explicar basicamente que é uma cena que a gente não vê sempre, né? Um chassi articulado.

BRUNO PAIVA: É raro de se ver ele aberto. Bom, aqui a gente tem na parte traseira um eixo de tração e um eixo direcional. Na parte dianteira do vagão dianteiro, a gente tem mais um eixo de tração. Importante dizer, interessante também, que tudo aqui é eletrônico. Então o diferencial é feito por software, o eixo direcional ele se movimenta por software. Então ele entende que o volante está sendo virado e ele se aciona. Não precisa ter nada conectado a ele para isso acontecer, tudo é eletrônico. Aqui a gente tem a articulação do veículo, que é onde fica aquela sanfona quando se coloca. Eu tinha até visto um bem legal com o desenho de uma sanfona realmente. Ficou diferente. E esse é o maior chassi que a gente tem hoje aqui operando no Brasil. A gente tem ele em piso baixo, que é o que vocês estão vendo aqui. E futuramente teremos ele em piso alto também.

ADAMO BAZANI: Para Goiânia?

BRUNO PAIVA: É o modelo antigo. De piso alto. O D11A. Não é o BC. Não é o modelo BC. Que vem com todas as características. Bateria Blade. O 6 em 1, que a gente não falou dele, mas é uma novidade que a gente está trazendo. Aqui a gente tem seis equipamentos dentro de um equipamento só. Tirando peso, tirando bastante coisa para poder dar manutenção no veículo também.

ADAMO BAZANI: Quer dizer, reduz o peso, que é muito importante. É aquela coisa. Se para um carro de passeio o peso é importante, para o ônibus o peso representa para o passageiro, mais espaço. Mais capacidade de transportar gente e transportar gente com mais conforto. Para o operador, menos custo.

BRUNO PAIVA: Menos manutenção. Menos parada do veículo.

ADAMO BAZANI: E para o gestor público, um veículo que vai forçar menos o leito encarroçado.

BRUNO PAIVA: Sim, acho que o trabalho que a gente faz aqui na engenharia é tentar melhorar sempre a autonomia. Reduzir o tempo de recarga e também diminuir o peso do veículo, que vai melhorar a autonomia dele também. Então é uma coisa que recorrentemente está sendo trabalhada aqui dentro da engenharia da BYD, para a gente poder entregar o melhor produto final para o cliente.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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