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Emplacamentos de ônibus caem 7,04% no acumulado de 2026 e recuam 2,32% em julho, diz Fenabrave

Mercedes-Benz permanece na liderança do mercado brasileiro de ônibus, seguida pela Volkswagen

ADAMO BAZANI

Os emplacamentos de ônibus no Brasil registraram queda de 7,04% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Também houve retração de 2,32% nas vendas de julho em relação ao mesmo mês do ano passado, apesar de um avanço de 4,26% frente a junho deste ano. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (04) pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Entre janeiro e julho de 2026 foram emplacados 15.682 ônibus, contra 16.870 unidades no mesmo intervalo de 2025, uma redução de 7,04%. Apenas em julho, foram licenciados 2.691 veículos, ante 2.755 em julho de 2025. Na comparação com junho deste ano, quando foram registrados 2.581 emplacamentos, houve crescimento de 4,26%.

O desempenho do segmento confirma um cenário que o Diário do Transporte vem acompanhando ao longo de 2026. Apesar da continuidade de programas públicos voltados à renovação de frota, o mercado ainda enfrenta dificuldades para ampliar o ritmo de vendas.

Entre os fatores estão o elevado custo do crédito, os juros ainda altos, a demora na contratação de financiamentos por operadores e prefeituras e a cautela das empresas diante das incertezas regulatórias em diferentes segmentos do transporte coletivo.

As indefinições ainda sobre a Guerra no Oriente Médio, que causam pressões ainda sobre o preço do óleo diesel, pesam mais ainda no segmento de urbanos, porque não há o “benefício” da migração de demanda de outros meios de transportes, como os rodoviários que têm cativado parte dos usuários de avião, uma vez que o combustível da aviação teve aumento superior ao do diesel, encarecendo os valores das passagens.

Assim, no segmento urbano, diversas cidades têm optado por renovações parciais ou pela aquisição de veículos seminovos, enquanto operadores rodoviários mantêm investimentos concentrados na substituição gradual das frotas.

No caso dos rodoviários, entretanto, os impasses sobre a definição pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a respeito da “primeira janela” do mercado de ônibus interestaduais da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) têm feito com que as empresas adiem decisões de investimentos.

“Janela” é o período para o procedimento em que a ANTT abre a oportunidade para as empresas conseguirem autorização para novas ligações.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/07/22/impasse-no-stf-sobre-abertura-de-mercados-da-antt-ja-faz-empresas-de-onibus-pensarem-em-adiar-investimentos-e-pode-afetar-industria/

Também seguem influenciando o mercado as entregas de veículos elétricos e movidos a biometano, embora esses volumes ainda representem uma parcela reduzida do total de emplacamentos.

Em relação às marcas, a Mercedes-Benz manteve a liderança no acumulado do ano, com 7.390 ônibus emplacados e participação de 47,12% do mercado. A Volkswagen aparece na segunda colocação, com 3.400 unidades e 21,68%, seguida por Iveco, Marcopolo, Scania, Induscar (Caio dom Eletra), Agrale, Volvo, BYD, CRRC e Higer.

Em julho, a Mercedes-Benz também liderou o mercado, com 1.187 unidades licenciadas e participação de 44,11%, seguida pela Volkswagen, com 604 veículos e 22,45%. A Iveco ficou em terceiro lugar, à frente da Marcopolo (Volare).

Veja o desempenho das fabricantes de ônibus:

Emplacamentos de ônibus por marca – Acumulado de janeiro a julho de 2026

Posição Marca Unidades Participação
1 Mercedes-Benz 7.390 47,12%
2 Volkswagen 3.400 21,68%
3 Iveco 1.991 12,70%
4 Marcopolo (Volare) 1.700 10,84%
5 Scania 248 1,58%
6 Caio com Eletra 244 1,56%
7 Agrale 208 1,33%
8 Volvo 206 1,31%
9 BYD 175 1,12%
10 CRRC 91 0,58%
11 Higer 15 0,10%

Fonte: Fenabrave.

Emplacamentos de ônibus por marca – Julho de 2026

Posição Marca Unidades Participação
1 Mercedes-Benz 1.187 44,11%
2 Volkswagen 604 22,45%
3 Iveco 418 15,53%
4 Marcopolo (Volare) 283 10,52%
5 BYD 66 2,45%
6 Agrale 64 2,38%
7 Scania 31 1,15%
8 Caio com Eletra 20 0,74%
9 Volvo 17 0,63%

Fonte: Fenabrave.

Caminho da Escola e licitações públicas podem influenciar mercado no segundo semestre

Embora os emplacamentos de ônibus apresentem retração de 7,04% no acumulado do ano, representantes da indústria e do mercado avaliam que o segundo semestre tende a concentrar parte das entregas decorrentes de programas públicos e licitações já contratadas.

Um dos principais vetores é o Programa Caminho da Escola, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O 13º ciclo de compras nacionais teve suas atas disponibilizadas aos estados e municípios, permitindo a adesão dos entes públicos e o início da formalização dos pedidos. Como ocorre tradicionalmente, há um intervalo entre a assinatura dos contratos, a produção dos veículos e o efetivo emplacamento, o que faz com que boa parte dos licenciamentos seja registrada apenas nos meses seguintes.

Além do Caminho da Escola, o mercado acompanha a evolução das compras relacionadas ao Novo PAC e ao programa MOVE, voltado ao financiamento da renovação das frotas, mas que teve os recursos já esgotados. Diversos municípios abriram licitações ou iniciaram processos de substituição de veículos, mas muitos contratos ainda dependem da conclusão das etapas de financiamento e fabricação.

Outro segmento que pode contribuir para o aumento dos licenciamentos é o das renovações promovidas por empresas concessionárias do transporte coletivo urbano e rodoviário.

O desempenho do mercado de ônibus no segundo semestre dependerá principalmente da velocidade de execução das compras públicas. Caso os contratos do Caminho da Escola, do Novo PAC e das licitações municipais avancem conforme os cronogramas previstos, os emplacamentos poderão apresentar recuperação nos próximos meses, reduzindo parte da retração registrada no acumulado do ano.

Ainda assim, a tendência é de que esse crescimento ocorra de forma concentrada em determinados períodos, já que as entregas de grandes lotes costumam ocorrer em etapas, diferentemente do mercado de caminhões e automóveis, que apresenta fluxo mais uniforme de licenciamentos ao longo do ano.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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