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HISTÓRIA: “Volta ao Mundo”, a linha de ônibus da CMTC com 97,5 km e que podia levar mais de sete horas para concluir o percurso

Criada em 1986, linha 222T – Circular Interbairros ligava bairros das zonas Norte, Oeste, Sul e Leste sem passar pelo Centro e se tornou uma das operações mais ousadas da história do transporte paulistano

ADAMO BAZANI

Muito antes da implantação dos corredores estruturais, dos terminais de integração e do Sistema Interligado da SPTrans, São Paulo teve uma experiência considerada revolucionária para a época: uma linha de ônibus que praticamente contornava toda a cidade.

Conhecida popularmente como “Volta ao Mundo”, a linha 222T – Circular Interbairros, operada pela então Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), foi criada em 1986, durante a gestão do prefeito Jânio Quadros.

Embora “Volta ao Mundo” nunca tenha sido sua denominação oficial, o apelido rapidamente se popularizou entre os passageiros por causa do enorme percurso realizado pelo coletivo.

Uma cidade sem integração

Na década de 1980, São Paulo já enfrentava um dos maiores problemas de mobilidade urbana do País.

Grande parte da rede de ônibus era radial: quem precisava ir de um bairro periférico para outro quase sempre era obrigado a passar pelo Centro da cidade.

A proposta da 222T era romper esse modelo.

A linha foi concebida para ligar diversas regiões periféricas sem necessidade de passar pela região central, reduzindo baldeações e criando uma ligação direta entre importantes bairros da capital.

Na prática, funcionava como uma grande linha orbital, conceito que décadas depois seria retomado em diversas cidades brasileiras.

Percurso de aproximadamente 100 quilômetros

O itinerário fazia praticamente um grande anel em torno da cidade.

Entre os bairros atendidos estavam:

Depois, retornava ao ponto inicial, completando um circuito que percorria praticamente todas as regiões da capital.

O trajeto total chegava a 97,5 km, algo incomum até mesmo para os padrões atuais.

Viagem podia ultrapassar sete horas

Oficialmente, o percurso já era bastante longo.

Na prática, entretanto, a duração variava conforme o trânsito.

Sem corredores exclusivos em boa parte do itinerário e enfrentando congestionamentos crescentes em São Paulo, uma viagem completa frequentemente ultrapassava seis horas, podendo chegar a mais de sete horas nos horários de maior movimento.

Essa característica consolidou o apelido de “Volta ao Mundo”, já que muitos passageiros brincavam que era possível “conhecer São Paulo inteira” sem trocar de ônibus.

Diversos modelos marcaram a operação

Ao longo de sua existência, a linha utilizou diferentes modelos da frota da CMTC.

Entre eles estavam veículos equipados com chassis Mercedes-Benz e Scania, além de carrocerias produzidas por fabricantes como Caio; Marcopolo e Ciferal.

Os tradicionais ônibus Padron da década de 1980 ficaram entre os modelos mais lembrados pelos usuários da linha.

Experiência inovadora para a época, mas difícil de operar

Apesar da proposta considerada avançada para a época, a operação apresentava diversos desafios.

Como toda a programação dependia de um único e enorme percurso, qualquer congestionamento repercutia no restante da viagem.

Os atrasos se acumulavam ao longo do dia, dificultando o cumprimento dos horários e a regularidade dos intervalos.

Além disso, os custos operacionais eram elevados, já que poucos veículos conseguiam completar várias viagens diárias.

Mudança no modelo de transporte

Nos anos seguintes, principalmente com a reorganização do sistema municipal e, posteriormente, com a implantação do Sistema Interligado pela SPTrans, São Paulo passou a adotar outra filosofia operacional.

Em vez de linhas extremamente longas, o planejamento passou a priorizar corredores exclusivos de ônibus; terminais de integração; linhas alimentadoras; conexões com metrê e trem; viagens mais curtas e regulares.

Dentro desse novo conceito, a 222T acabou sendo descontinuada.

Legado histórico

Mesmo tendo deixado de operar há décadas, a “Volta ao Mundo” permanece como uma das linhas mais emblemáticas da história do transporte coletivo paulistano.

Especialistas consideram que ela antecipou, de certa forma, o conceito das atuais linhas perimetrais, que procuram ligar bairros sem obrigar o passageiro a passar pela região central.

A diferença é que, enquanto hoje essa função é dividida entre diversas linhas integradas, a antiga 222T tentava cumprir toda essa missão sozinha — uma solução ousada, mas que acabou se mostrando operacionalmente difícil para uma metrópole do porte de São Paulo.

A relação das principais ruas percorridas dava uma noção da odisséia

222T Interbairros – Circular

Rua Monte Serrat
Rua Antonio de Camargo
Rua Apucarana
Rua Serra do Japi
Rua Tijuco Preto
Rua Fernandes Pinheiro
Rua Melo Freire
Acesso –
Avenida Salim Farah Maluf
Ponte do Tatuape
Acesso –
Avenida Morvan Dias de Figueiredo
Acesso –
Avenida Guilherme Cotching
Praça Santo Eduardo
Avenida Guilherme Cotching
Rua Mere Amedea
Praça Cosmorama
Avenida Alberto Byington
Praça Maria Montessori
Rua Padre Saboia de Medeiros
Rua Tupirama
Avenida Conceiçao
Rua Francisco Medeiros Jordao
Rua Eurico Sodre
Rua Reverendo Israel Ferreira Vieira
Rua Itamonte
Rua Ataliba Vieira
Rua Canapolis
Praça Lourenço Bellis
Avenida Jardim Japao
Avenida Julio Buono
Avenida Gustavo Adolfo
Rua Major Dantas Cortez
Avenida Guapira
Avenida Tucuruvi
Avenida Nova Cantareira
Rua Maestro Joao Gomes de Araujo
Avenida Agua Fria
Rua Doutor Zuquim
Rua Perpetuo Junior
Rua Jose Debieux
Rua Benvinda Aparecida de Abreu Leme
Rua Conselheiro Saraiva
Rua Amaral Gama
Rua Conselheiro Moreira de Barros
Avenida Engenheiro Caetano Alvares
Avenida Imirim
Praça Francisco Alves
Avenida Itaberaba
Rua Javorau
Avenida Santa Marina
Avenida Nossa Senhora do O
Avenida Comendador Martinelli
Ponte da Freguesia do O
Avenida Comendador Martinelli
Avenida Ermano Marchetti
Viaduto Comendador Elias Nagib Blein
Rua Nossa Senhora da Lapa
Rua Pio XI
Praça Doutor Antonio Bento Garcia
Rua Visconde de Indaiatuba
Rua Doutor Jose Elias
Rua Jorge Americano
Rua Barbalha
Avenida Queiroz Filho
Avenida Imperatriz Leopoldina
Rua Doutor Seidel
Avenida Doutor Gastao Vidigal
Contorno –
Avenida Doutor Gastao Vidigal
Avenida Queiroz Filho
Ponte do Jaguare
Avenida Jaguare
Praça Hermann Cappelen
Avenida Jaguare
Avenida Corifeu de Azevedo Marques
Avenida do Rio Pequeno
Avenida Otacilio Tomanik
Praça Isai Leiner
Avenida Comendador Alberto Bonfiglioli
Rodovia Raposo Tavares
Rua Azem Abdalla Azem
Avenida Ministro Laudo Ferreira de Camargo
Avenida Eliseu de Almeida
Avenida do Imigrante Japones
Avenida Professor Francisco Morato
Avenida Jorge Joao Saad
Praça Roberto Gomes Pedrosa
Avenida Giovanni Gronchi
Estrada de Itapecerica
Avenida Joao Dias
Ponte Joao Dias
Avenida Joao Dias
Rua Barao do Rio Branco
Praça Suzana Rodrigues
Rua Suzana Rodrigues
Largo Bonneville
Alameda Santo Amaro
Praça Dom Francisco de Souza
Avenida Washington Luiz
Avenida Nossa Senhora do Sabara
Avenida Washington Luiz
Acesso –
Avenida Vereador Joao de Luca
Avenida Cupece
Avenida Rodrigues Montemor
Rua Francisco Solimena
Rua das Guassatungas
Praça Engenheiro Haim Vaindergorn
Rua Cruz das Almas
Avenida Engenheiro George de Corbisier
Rua dos Capinans
Rua Farjalla Koraicho
Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira
Avenida Doutor Hugo Beolchi
Avenida Fagundes Filho
Avenida Professor Abraao de Moraes
Rua Francisco Tapajos
Rua Coronel Silverio Magalhaes
Rua Doutor Nestor Alberto de Macedo
Avenida do Cursino
Rua Doutor Otacilio Camara da Silveira
Rua Vergueiro
Rua Muriae
Rua Salvador Simoes
Avenida Doutor Gentil de Moura
Rua Julia Cortinez
Rua Bom Pastor
Rua Xavier Curado
Rua Silva Bueno
Rua Oliveira Alves
Avenida do Estado
Viaduto Grande Sao Paulo
Avenida Professor Luiz Ignacio de Anhaia Mello
Rua Ituverava
Rua Igarata
Rua Ibitirama
Praça Padre Damiao
Rua do Orfanato
Praça Clemente Ader
Rua Montesina
Praça Adolfo Cavalcanti
Rua Itiuba
Rua Sao Maximiniano
Avenida Sapopemba
Rua Doutor Gabriel de Rezende
Avenida Luca
Rua Maria Afonso
Avenida Montemagno
Rua Particular
Avenida Regente Feijo
Rua Francisco Ziccardi
Rua Alonso Camalhaes
Rua Emilia Marengo
Rua Monte Serrat (Proximo do Acesso de Entrada da Garagem Tatuapé)

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes  

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