Desenvolvido pela Arrow Mobility, de Caxias do Sul (RS), veículo é monobloco e busca ocupar espaço entre vans convencionais e micro-ônibus tradicionais
ADAMO BAZANI
A eletrificação do transporte de passageiros no Brasil ganha um novo integrante. A Arrow Mobility, empresa brasileira sediada em Caxias do Sul (RS), fundada por ex-executivos da encarroçadora gaúcha Marcopolo iniciou as vendas do Arrow PAX, veículo elétrico voltado ao transporte coletivo de passageiros com o objetivo de ocupar um nicho intermediário entre as vans de grande porte e os micro-ônibus convencionais.
Segundo a fabricante, o preço inicial é de cerca de R$ 600 mil e o modelo foi concebido desde o início para ser elétrico, “diferentemente da maior parte dos veículos atualmente disponíveis no mercado brasileiro, que utilizam plataformas originalmente desenvolvidas para motores a diesel e posteriormente adaptadas à eletrificação”.
O Arrow PAX pode transportar até 20 passageiros, dependendo da configuração interna, e foi projetado para aplicações de curta e média distância.
Entre os segmentos-alvo estão:
- transporte corporativo;
- fretamento contínuo;
- hotéis e resorts;
- aeroportos;
- universidades;
- hospitais;
- linhas alimentadoras de sistemas de ônibus;
- operações por aplicativos;
- serviços especiais de mobilidade.
Até 200 quilômetros de autonomia
De acordo com a Arrow Mobility, o Arrow PAX possui autonomia de até 200 quilômetros, dependendo da configuração das baterias, da topografia, da ocupação e do perfil operacional.
Essa faixa atende principalmente operações urbanas e metropolitanas, nas quais os veículos costumam retornar diariamente às garagens para recarga.
A proposta é reduzir custos com combustível, manutenção e emissões de poluentes, além de oferecer menor nível de ruído durante a operação.
Nicho entre vans e micro-ônibus
No mercado brasileiro, o Arrow PAX ocupa uma faixa pouco explorada.
Enquanto as vans tradicionais normalmente transportam entre 15 e 18 passageiros, os micro-ônibus convencionais podem superar 30 ocupantes, dependendo da configuração.
A proposta da Arrow é atender operadores que necessitam de maior capacidade que uma van, mas sem chegar às dimensões, ao peso e ao custo operacional de um micro-ônibus convencional.
Veículo integral
Outra característica é o fato de o Arrow PAX ser um veículo integral (monobloco).
Ao contrário do modelo predominante no Brasil — em que montadoras como Mercedes-Benz, Volkswagen, Iveco ou Agrale fornecem o chassi e empresas como Caio, Mascarello, Marcopolo/Volare ou Comil produzem a carroceria —, o Arrow PAX foi desenvolvido como um único projeto estrutural.
Esse conceito é semelhante ao adotado por diversos fabricantes internacionais de veículos elétricos, permitindo melhor integração entre baterias, sistemas eletrônicos e estrutura do veículo.
Projeto nacional
A Arrow Mobility foi criada em 2021 por profissionais com experiência na indústria nacional de ônibus, especialmente oriundos da Marcopolo.
Entre os fundadores da Arrow Mobility estão ex-profissionais da Marcopolo: Júlio Cesar Balbinot – cofundador e CEO (Chief Executive Officer); Jocelei André Salvador – cofundador eMarcelo Simon – cofundador e responsável pelas áreas de negócios e finanças (Head de Business & Finance).
Os três trabalharam por vários anos na Marcopolo, em Caxias do Sul (RS). Durante a pandemia de Covid-19, após o processo de reestruturação da fabricante de ônibus, deixaram a empresa e criaram inicialmente uma engenharia especializada em projetos de ônibus para clientes no Brasil e no exterior, atendendo empresas de países como Reino Unido, Egito, Espanha e Índia.
Posteriormente, decidiram desenvolver um produto próprio. Em vez de competir diretamente com a Marcopolo no mercado de ônibus, optaram por atuar em um segmento ainda pouco explorado no Brasil: veículos comerciais elétricos leves, destinados tanto ao transporte de cargas quanto de passageiros. Assim nasceu a Arrow Mobility, fundada em 2021, com fábrica em Caxias do Sul.
Além do Arrow PAX, a empresa oferece vans destinadas à logística urbana e ao transporte de cargas leves.
A empresa aposta em projetos concebidos especificamente para eletrificação, buscando aproveitar melhor a distribuição de peso, o espaço interno e a eficiência energética.
Entre os clientes dos veículos para cargas leves está o “Mercado Livre”.
Mercado em expansão
O lançamento ocorre em um momento de crescimento da eletromobilidade no transporte coletivo brasileiro.
Programas federais, como o Novo PAC Mobilidade Urbana, linhas de financiamento do BNDES e metas ambientais adotadas por grandes cidades têm impulsionado a renovação de frotas.
Embora os ônibus urbanos elétricos de grande porte ainda concentrem a maior parte dos investimentos, cresce também a procura por veículos menores destinados a serviços alimentadores, transporte corporativo e operações especiais.
Nesse cenário, fabricantes tradicionais e novas empresas disputam espaço em um segmento que tende a ganhar relevância nos próximos anos à medida que evoluem a infraestrutura de recarga, a produção nacional de componentes e a redução dos custos das baterias.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
