Operação será das 10h às 15h e não haverá cobrança de passagem
ARTHUR FERRARI
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, entregou nesta quinta-feira (2) o primeiro trecho da Linha 6-Laranja do Metrô, marcando o início da operação aberta ao público. Nesta fase inicial, seis estações passam a integrar o sistema, com funcionamento em caráter assistido.
Durante o período de testes com passageiros, as viagens serão gratuitas, acontecendo de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, entre as estações João Paulo I e Perdizes, com apenas um trem circulando em cada via com velocidade de 30 km/h e intervalos estimados em 19 minutos. Não haverá cobrança de tarifa enquanto durar essa etapa.
Quando estiver completamente concluída, a Linha 6-Laranja terá 15,3 quilômetros de extensão, ligando Brasilândia à São Joaquim por meio de 15 estações. O empreendimento recebeu investimento de R$ 19 bilhões e deverá transportar aproximadamente 633 mil passageiros por dia.
A nova ligação promete reduzir significativamente o tempo de deslocamento entre os extremos da linha. Atualmente, o percurso é realizado por ônibus em cerca de uma hora e meia. Com a operação integral do metrô, a previsão é que a viagem seja feita em aproximadamente 23 minutos.
As obras da Linha 6-Laranja foram interrompidas em 2016 e retomadas em 2020 sob responsabilidade de uma nova concessionária. Desde então, o projeto avançou com a geração de aproximadamente 11 mil empregos diretos. Em 2025 foram concluídas a escavação dos túneis e a entrega do primeiro trem da futura frota.
A construção utilizou duas tuneladoras, conhecidas como “tatuzões”, responsáveis pela escavação e pela instalação simultânea do revestimento estrutural dos túneis. Um dos equipamentos, batizado de Maria Leopoldina, possuía cerca de duas mil toneladas, 109 metros de comprimento e diâmetro de escavação de 10,6 metros. A máquina percorreu aproximadamente 8,9 quilômetros até alcançar a Estação São Joaquim, concluindo o trecho sul em fevereiro de 2025. Em outubro de 2024, chegou a registrar avanço de 41,3 metros em apenas 24 horas.
Além das tuneladoras, as obras empregaram métodos como o Novo Método Austríaco de Tunelamento (NATM) e escavações em vala a céu aberto. Cada equipamento mobilizou cerca de 50 profissionais distribuídos em três turnos de trabalho.
Os trens da Linha 6-Laranja foram projetados para transportar até 2.044 passageiros por composição, capacidade aproximadamente 28% superior à de um trem convencional utilizado atualmente na Linha 1-Azul, mantendo o mesmo número de carros. Fabricadas pela Alstom, em Taubaté (SP), as composições poderão atingir velocidade máxima de 90 km/h, embora a operação comercial esteja prevista para ocorrer a até 80 km/h.
Outra característica do sistema será a condução autônoma dos 22 trens previstos para a linha, dispensando operador a bordo durante a operação regular. As composições também foram produzidas em aço inoxidável, material que reduz o peso, aumenta a durabilidade — estimada em mais de 40 anos — e contribui para menor consumo de energia.
Entre as tecnologias embarcadas estão sistemas de frenagem regenerativa, capazes de devolver parte da energia gerada durante a desaceleração à rede elétrica, além de mapas dinâmicos, monitores de informação aos passageiros, câmeras de vigilância, contagem automática de usuários, detecção de fumaça, sistema de combate a incêndio e comunicação permanente com o Centro de Controle Operacional. Os trens também contarão com intercomunicadores instalados em altura acessível para pessoas em cadeira de rodas.
A infraestrutura da nova linha também reúne algumas das estações mais profundas do sistema metroviário paulistano. Nesta primeira etapa, Água Branca passa a ocupar o posto de estação mais profunda em operação, com 47,8 metros. Após a conclusão integral da Linha 6-Laranja, esse título será da Estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado, que terá 65 metros de profundidade.
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte
