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Emplacamentos de ônibus têm queda de 8% no semestre; Em elétricos, Mercedes-Benz passa BYD e Eletra mantém liderança; Dinheiro do Move 2 acabou para empresas

Informações são da Fenabrave, que divulgou balanço nesta quinta-feira, 02 de julho de 2026. Chinesa CRRC liderou no mês por causa do Grupo Comporte

ADAMO BAZANI

O primeiro semestre de 2026 foi agitado para o mercado de ônibus no Brasil, apesar de os emplacamentos de ônibus terem caído de 7,97% com 12.990 unidades. No período do ano passado foram emplacados 14.115 veículos de transportes coletivos pesados.

Eletrificação das frotas de ônibus, os impactos da crise nos transportes com a alta do diesel gerada pela guerra no Oriente Médio; O suspiro que foi o Move 2, programa de R$ 21,2 bilhões para estimular a renovação da frota e a indústria de pesados; e o programa Caminho da Escola cujo ciclo atual de licitação está mais lento do que se aguardava são algumas das “fortes emoções” que integram o pacote de um dos mais agitados semestres da história da indústria de ônibus, em pleno ano eleitoral.

MERCADO GERAL:

No mercado geral, entre maio e junho, houve alta expressiva de 24,4% nos emplacamentos, com variação de 2.074 unidades para 2.580. Em comparação com junho do ano passado, que registrou 2.359 coletivos, a alta foi de 9,37%.

Entre as marcas, ainda no acumulado do mercado geral, a Mercedes-Benz manteve a liderança de décadas. Entre janeiro de junho de 2026, foram emplacados 6.201 ônibus da marca, correspondendo a 47,74% de todo o mercado. A vice-liderança ficou com a Volkswagen, que emplacou 2.796 21,52%, seguida de Iveco, com 1.574 unidades e 12,12% no mercado (Veja ranking completo ao fim da reportagem).

ÔNIBUS ELÉTRICOS

Já em relação aos ônibus elétricos, no acumulado entre janeiro e junho de 2026, houve crescimento de 89,39% com 589 unidades emplacadas, ante 311 do período de 2025.

De maio de 2026, com 132 unidades, para junho de 2026, com 278, a alta foi de 110,61%, e na comparação com junho de 2025, quando foram emplacadas 34 unidades, a alta foi de 717,65%.

Vale ressaltar que o mercado de elétricos ainda depende muito de entregas públicas e que as grandes variações se devem em especial ao mercado da cidade de São Paulo, que responde por 80% da frota deste tipo de ônibus no Brasil e que há 15 dias teve uma grande de 500 unidades por diversas empresas.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2026/06/22/video-exclusivo-de-500-onibus-eletricos-entregues-neste-domingo-21-490-sao-de-tres-marcas-de-tecnologia-dizem-fabricantes/

Em relação a marcas, a empresa de tecnologia nacional Eletra Industrial juntamente com a encarroçadora Induscar-Caio continua liderando o mercado de ônibus elétricos.

Entre janeiro e junho de 2026, foram 224 unidades Eletra-Induscar-Caio, com 38,03% de participação no mercado. Historicamente, a marca lidera o semento de ônibus elétricos, desde o início das medições em 2019.

O mês de junho de 2026 para o segmento de elétricos foi bem interessante, com algumas pontuações.

Por marcas, liderou junho de 2026, a Chinesa CRRC com 90 unidades. Mas o desempenho não deve se repetir, ao menos em curto prazo, porque se tratar de uma importação pontual pelo Grupo Comporte para operação no sistema de transportes do Distrito Federal.

O Gruppo Comporte é parceiro da CRRC na construção do TIC (Trem Intercidades) entre São Paulo (SP) e Campinas (SP) e na linha 7-Rubi de trens metropolitanos na Grande São Paulo.

Se a Eletra com Caio lidera, a briga entre os elétricos fica pelo segundo lugar.

A Mercedes-Benz com um único modelo, o eO-500 U ultrapassou a BYD, que possui diferentes modelos.

Se em maio de 2026, a BYD ficou em primeiro lugar; em junho de 2026, caiu para sexto, ficando atrás de CRRC, Eletra-Caio, Mercedes-Benz, Volkswagen (que possui um modelo somente) e Higer, ficando apenas a frente da Volvo.

Mas vale ressaltar que estas grandes variações, pelo perfil de mercado, são normais.

(Confira ao fim da reportagem o ranking completo).

MOVE 2 SEM DINHEIRO MAIS PARA EMPRESAS:

Na entrevista coletiva, apresentando os números de mercado, a Fenabrave informou que os R$ 21,2 bilhões do Move Brasil já se esgotaram para frotistas, mas que para autônomos ainda é possível conseguir recursos.

Para ônibus, foram reservados R$ 2 bilhões e o ritmo de esgotamento já estava bem a frente de caminhões e implementos.

O diretor executivo da Fenabrave, Marcelo Franciulli, disse na coletiva que os emplacamentos derivados dos ônibus e caminhões do Move 2 ainda serão sentidos pelo mercado.

“Temos informações de que os recursos aportados pela iniciativa já terminaram para empresas. Como ainda existem emplacamentos a serem feitos, ainda deverá refletir em crescimento nas vendas nos próximos meses.”

Segundo o executivo, no caso dos caminhoneiros autônomos, foram aportados apenas em torno de R$ 300 milhões do total de R$ 2 bilhões.

O motivo principal é que este público tem mais dificuldade de acesso a crédito e de informações. O nível de pessoas com nome negativado e até mesmo a falta de tempo de negociar com os bancos fazem parte da vida dos caminhoneiros autônomos.

DINHEIRO JÁ ACABANDO E NECESSIDADES CONTINUAM:

Como mostrou o Diário do Transporte, em balanço divulgado em 16 de junho de 2026, o BNDES informou que, até então, considerando todo o volume de R$ 21,1 bilhões para os mais variados tipos de veículos pesados, R$ 10 bilhões, ou 47,1%, tiveram aprovação.

Especificamente sobre os ônibus, os recursos vão acabar mais rapidamente. Até 16 de junho de 2026, dos R$ 2 bilhões para ônibus, o BNDES tinha aprovado R$ 1,6 bilhão, ou cerca de 80%

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/06/16/bndes-diz-que-80-das-verbas-para-onibus-no-move-2-ja-foram-comprometidos/

CARTILHA:

O BNDES ainda informou que lançou uma cartilha para esclarecer motoristas autônomos e proprietários de empresas para tirar a principais dúvidas quanto à linha de financiamento.

O material pode ser acessado neste link:  https://www.bndes.gov.br/wps/wcm/connect/site/129e2f3d-2777-48b7-a582-a1078c06a1dc/Cartilha+BNDES+Mais+Mobilidade.pdf?MOD=AJPERES

JUROS, PRAZOS E COMO ACESSAR:

Ainda na nota, o BNDES explica que as taxas de juros são até de 12,36% a.a. – ao ano – (ou 11,26% a.a. em caso de entrega do veículo usado para desmontagem).

Os prazos para o pagamento variam entre 60 meses (para transportadoras de cargas) e 120 meses (para caminhoneiros e para ônibus). Há possibilidade de financiamento de caminhões seminovos, fabricados a partir de 2012 (padrão de redução de emissões Euro V em diante).

Conheça o programa – Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o programa Move Brasil amplia o apoio às iniciativas de renovação de frota no país. A iniciativa prevê reserva de R$ 2 bilhões para aquisição de ônibus e micro-ônibus, além de R$ 2 bilhões para transportadores autônomos de cargas e pessoas físicas associados a cooperativas. No novo programa, a compra de caminhões e caminhões-tratores seminovos será permitida apenas para transportadores autônomos e cooperados.

Para veículos novos, o programa exige fabricação nacional, credenciamento no CFI do BNDES e atendimento ao padrão Proconve P-8 (Programa de Controle de Emissões Veiculares). No caso de caminhões e caminhões-tratores seminovos, os veículos devem ter fabricação a partir de 2012, atender à fase P-7 do Proconve e observar critérios de rastreabilidade fiscal.

As condições de financiamento variam conforme o perfil do beneficiário. Para autônomos, o prazo total poderá chegar a 120 meses, com até 12 meses de carência. Para empresas do setor de transporte rodoviário ou urbano de cargas, o prazo poderá chegar a 60 meses, com até 6 meses de carência. Para empresas do setor de transporte rodoviário ou urbano de passageiros, o prazo poderá chegar a 120 meses, com até 6 meses de carência.

As taxas de juros podem alcançar patamares competitivos em relação às taxas praticadas no mercado, próximo a 13% ao ano. O programa prevê limite de financiamento de até R$ 50 milhões por cliente, sem valor mínimo, admite a utilização de fundos garantidores, conforme disponibilidade, regras específicas de cada fundo e política do agente financeiro.

Além dos veículos e implementos, poderão ser financiados itens associados à operação, como seguro do bem, seguro prestamista e comissão de fundos garantidores, desde que contratados em conjunto com o financiamento. Esses itens adicionais são elegíveis para clientes com receita operacional bruta de até R$ 300 milhões. 

Como acessar – Os interessados devem procurar uma instituição financeira credenciada ao BNDES. O Banco não realiza operações diretamente com os clientes finais nessa modalidade. Caberá ao agente financeiro analisar o crédito, negociar as condições finais da operação e encaminhar o pedido ao BNDES, conforme as regras do programa.

O prazo para protocolo das operações no sistema do BNDES vai até 28 de agosto de 2026, e a data limite para comunicação da contratação ao Banco é 28 de setembro de 2026. O programa poderá ser suspenso ou encerrado antes dessas datas em caso de esgotamento da dotação orçamentária disponível.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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