Entre as fabricantes, a Eletra com Caio liderou os emplacamentos no período, seguida de BYD e Mercedes-Benz
ADAMO BAZANI
Os emplacamentos de ônibus elétricos, entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, cresceram 14,3%, alcançando 311 unidades.
Nos cinco primeiros meses deste ano de 2026, foram oferecidos 20 modelos de ônibus elétricos no mercado brasileiro.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 23 de junho de 2026, pela ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), que reúne fabricantes do setor.
De acordo com a entidade, entre as fabricantes, a Eletra, com a Caio, liderou os emplacamentos no período, com 148 unidades, ou 48% do total. A BYD aparece em seguida, com 95 ônibus, 31% do mercado. A Mercedes-Benz ocupa a terceira posição, com 47 unidades, 15,2% do total.
A ABVE ressalta que os 500 ônibus elétricos apresentados pela prefeitura de São Paulo e empresas de transportes da cidade não estão ainda computados nestes dados.
O Diário do Transporte esteve no evento cobrindo a apresentação e entrevistou os executivos destas três fabricantes líderes. Segundo as informações que passaram, neste evento de 500 unidades, a BYD apresentou 265 ônibus, a Eletra entregou 142, e a Mercedes-Benz (com tecnologia própria e não apenas as plataformas), um total de 83.
Relembre:
A concorrência de fabricantes chineses preocupa as empresas instaladas no Brasil.
No evento, a diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciana Costa, foi clara na mensagem: “Com todo respeito aos chineses, mas dinheiro do BNDES é para incentivar indústria no Brasil”, se referindo fato de que o banco não deve aceitar manobras de fabricantes estrangeiros de não produzir no Brasil, apenas montarem os veículos, e ainda pleitearem financiamentos.
Relembre:
Ainda de acordo com a ABVE, as linhas de financiamento público para ônibus são fundamentais para a eletrificação da frota.
A movimentação do segmento também tem sido favorecida por instrumentos públicos de financiamento e renovação de frota. O Novo PAC prevê recursos para a aquisição de 2.296 ônibus elétricos. O BNDES, por sua vez, já aprovou R$ 4,5 bilhões em crédito para projetos de eletrificação do transporte coletivo, apoiando a compra de 2 mil ônibus no país. A ampliação do Move Brasil, ocorrida recentemente, também passou a incluir ônibus e micro-ônibus em uma linha de financiamento de R$ 21,2 bilhões, com critérios de sustentabilidade e fabricação nacional.
Como tem mostrado o Diário do Transporte, fabricantes chineses miram o mercado brasileiro com destaque para o de São Paulo. A BYD, apesar de origem chinesa, já está estabelecida no Brasil. Higer e Ankai são empresas chinesas que já disponibilizam modelos para o mercado de São Paulo.
A Higer pretende abrir uma unidade industrial no Brasil. Outras marcas, como Foton e Yutong, também “namoram o mercado brasileiro”. A cidade de São Paulo detém 80% da frota de ônibus elétricos nacionais.
Com a apresentação destes 500 ônibus elétricos, entre os quais, 104 articulados, elevando de 1259 para 1759 unidades, essa é a maior frota do País. Mesmo assim, o número é pequeno, representando apenas 13,07% da frota total de 13.460 coletivos e ainda abaixo da meta de 2,6 mil elétricos que deveria ter sido alcançada em dezembro de 2024. Como há dificuldades de renovação de frota, a prefeitura permite ônibus a diesel mais velhos, de até 14 anos.
Veja a nota na íntegra da ABVE:
O mercado brasileiro de ônibus elétricos entrou em uma nova fase em 2026. De janeiro a maio, foram emplacadas 311 unidades no país, alta de 14,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 272 veículos. Em maio, o avanço foi ainda mais expressivo: 132 ônibus elétricos foram emplacados, contra 24 no mesmo mês de 2025, uma alta de 450%.
O resultado indica que o segmento começa a deixar a fase de projetos-piloto e passa a combinar escala operacional, financiamento público, produção nacional e entrada progressiva em grandes cidades brasileiras.
Os números dos cinco primeiros meses do ano também superam marcas recentes. O total das unidades emplacadas, de janeiro a maio (311), correspondem a 36,8% do total registrado em todo o ano de 2025 (844) ônibus elétricos, e superam em 3% as vendas totais de 2024 (302).
Os 500 ônibus elétricos entregue pela Prefeitura de São Paulo, no último domingo, 21/06, não estão computados.
PRODUÇÃO NACIONAL
Nos cinco primeiros meses do ano, oito fabricantes apresentaram 20 modelos de ônibus elétricos ao mercado brasileiro, ampliando as opções disponíveis para diferentes demandas municipais. Desse total, seis fabricantes produzem veículos em território nacional, enquanto dois atuam com modelos importados.
Dos 311 ônibus elétricos, 308 foram fabricados no Brasil, o equivalente a 99% do total. Apenas três unidades foram importadas. O resultado reforça a capacidade produtiva de empresas instaladas no país, como Eletra, BYD, Mercedes-Benz e Marcopolo.
Entre as fabricantes, a Eletra liderou os emplacamentos no período, com 148 unidades, ou 48% do total. A BYD aparece em seguida, com 95 ônibus, 31% do mercado. A Mercedes-Benz ocupa a terceira posição, com 47 unidades, 15,2% do total.
GEOGRAFIA
Na distribuição geográfica, o Sudeste segue na liderança com 95,2% (296) dos emplacamentos totais realizados até maio de 2026. Desse volume, 293 foram registrados no estado de São Paulo, aproximadamente 99% dos emplacamentos da região. O Centro-Oeste aparece em segundo lugar, com 15 ônibus emplacados em Goiânia, 4,8% do total nacional.
Entre os fatores que ajudam a explicar o crescimento podem ser associados as metas de descarbonização, linhas de financiamento, compras municipais em escala, maior oferta de modelos e fortalecimento da produção nacional.
De janeiro a maio de 2026, os emplacamentos foram registrados em sete municípios brasileiros, com forte concentração na cidade de São Paulo, responsável por 269 unidades, 86,5% do total nacional.
MUNICÍPIOS COM EMPLACAMENTO DE ÔNIBUS ELÉTRICO
Jan a maio/2026
1º São Paulo
2º Goiânia 15 (4,8%)
3º Osasco 12 (3,9%)
4º São Bernardo do Campo 11 (3,6%)
5º Confins 2 (0,6%)
6º Rio de Janeiro 1 (0,3%)
7º Santos 1 (0,3%)
TOTAL
INCENTIVOS GOVERNAMENTAIS
A movimentação do segmento também tem sido favorecida por instrumentos públicos de financiamento e renovação de frota. O Novo PAC prevê recursos para a aquisição de 2.296 ônibus elétricos. O BNDES, por sua vez, já aprovou R$ 4,5 bilhões em crédito para projetos de eletrificação do transporte coletivo, apoiando a compra de 2 mil ônibus no país.
A ampliação do Move Brasil, ocorrida recentemente, também passou a incluir ônibus e micro-ônibus em uma linha de financiamento de R$ 21,2 bilhões, com critérios de sustentabilidade e fabricação nacional.
Os dados mostram que a eletrificação do transporte coletivo deixou de ser apenas uma agenda de futuro e começa a ganhar escala no Brasil. A combinação de produção nacional, financiamento e políticas públicas é decisiva para acelerar essa transição nas cidades.
É importante ressaltar que os números apresentados estão relacionados com os emplacamentos registrados em determinados municípios, o que não significa, necessariamente, que essa quantidade corresponda ao total de ônibus elétricos em circulação nessas localidades.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
