De acordo com gerente de contas de ônibus urbanos, Rogério Moro, Santa Catarina terá demonstração de ônibus biometano/GNV – “São Paulo abraçou a ideia do biometano para o transporte coletivo”
ADAMO BAZANI
Colaboraram Vinícius de Oliveira e Yuri Sena
Para a Scania, quando se fala em transportes por ônibus menos poluentes, a palavra é diversidade de soluções.
Por isso, ao mesmo tempo em que avança no mercado e desenvolvimento de ônibus a biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos), que funciona também com GNV (Gás Natural Veicular, também aposta na ampliação e em novidades no segmento de ônibus elétricos.
Quem explica é o gerente do segmento de ônibus urbanos da Scania, Rogério Moro, em entrevista exclusiva na tarde desta terça-feira, 16 de junho de 2026, ao editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, na planta em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
Na Lat.Bus 2026, evento destinado a mobilidade urbana na América Latina que ocorre em São Paulo, a Scania vai apresentar um novo modelo de ônibus elétrico.
Segundo Moro, o novo ônibus elétrico da Scania traz novidades no trem de força e no rendimento das baterias.
“Ele tem uma máquina elétrica mais otimizada. A gente mudou aquele redutor que tinha nele e as baterias também. Ele usa uma densidade energética maior. Então, a gente aproveitou para introduzir esse novo trem de força elétrica”. – disse Rogério Moro a Adamo Bazani
O gerente de segmento de urbanos da Scania também comentou que a unidade que vai ser apresentada na Lat.Bus 2026 segue os padrões da capital paulista, da gerenciadora SPTrans (São Paulo Transporte), com piso baixo. Os testes de rampa para consolidação do desempenho que é melhor já começaram.
“Isso, padrão SPTrans, piso baixo, veículo low entry, já com posicionamento de portas, configuração de carroceria SPTrans. A gente vai apresentar não só uma nova máquina elétrica lá também, como um novo modelo e tem, principalmente em São Paulo, puxado essa eletrificação no país todo, mas tem avançado bastante rápido. E esse a gente já está nessa etapa de testes também com a SPTrans, de capacidade de rampa, para iniciar a demonstração com os operadores.” – explicou.
A LAT.BUS 2026 (Feira Latino-Americana do Transporte) ocorrerá de 11 a 13 de agosto de 2026 no São Paulo Expo, km 1,5 da Rodovia dos Imigrantes, na cidade de São Paulo, com realização da OTM/Revista Technibus e parceria do Diário do Transporte.
SÃO PAULO ABRAÇOU A IDEIA DO BIOMETANO PARA ÔNIBUS
Sobre os ônibus a biometano/GNV, a capital paulista também é um dos focos da Scania. O modelo desenvolvido com base nos padrões da SPTrans está, segundo Rogério Moro, em fase bem desenvolvida, inclusive já nos cálculos de enquadramento na renumeração adotada pela cidade de São Paulo.
Segundo o gerente, o novo ônibus a biometano para a capital paulista já está na finalização da emissão do CAT – Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito, emitido Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) que homologa um veículo para a emissão de um código específico de Marca, Modelo e Versão para ser registrado no RENAVAM (Registro Nacional de Veículos Automotores).
“A gente está num estágio bastante avançado junto com a Prefeitura, as conversas muito boas e deve ocorrer agora nos próximos dias a finalização desse trabalho, o que vai permitir depois incluir também os veículos movidos a biometano na renovação para São Paulo.” – disse
De acordo com Rogério Moro a Adamo Bazani, após as análises da viabilidade do biometano para o transporte coletivo, São Paulo abraçou a ideia.
“O Poder Público abraçou a ideia, tem se mostrado bastante receptivo. Eles perceberam, de fato, a entrega de potencial de sustentabilidade e de redução de CO₂ que tem o biometano e os operadores também estão bastante animados. Eu acho que, de certa forma, o elétrico contribuiu já nesse aprendizado deles todos para a transição energética. Então, as conversas têm sido bastante positivas. Muitos querem a demonstração para entender um pouco mais no detalhe da rodagem, mas a receptividade tem sido muito boa” – explicou.
O executivo informou mais alguns detalhes do ônibus a biometano Scania de acordo com os padrões da SPTrans e disse que o modelo será o primeiro de uma extensa família também de acordo com as exigências da capital paulista.
Então, o chassi é o K280 4×2. A gente deve ter também, num segundo momento, o nosso ônibus de 15 metros e também o articulado, mas o primeiro que a gente tem trabalhado a homologação junto com os encarroçadores é o 4×2, que vai ser o carro que vai ter maior volume. Ele pode ser encarroçado com comprimentos de 12,5 metros até 14 metros e a gente consegue, com a configuração de cilindros que a gente tem hoje disponíveis no mercado, tanto o tipo 1 quanto o tipo 4, atingir até 450 quilômetros de autonomia, o que cobre a maioria das rotas de aplicação urbana. – detalhou.
BIOMETANO PELO BRASIL:
O gerente de contas do segmento de urbanos da Scania, Rogério Moro, confirmou que já entraram em produção em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, mais 32 unidades do modelo de ônibus articulado a biometano/GNV para o sistema de transportes coletivos da Região Metropolitana de Goiânia, semelhantes aos veículos entregues em março de 2026, com a cobertura presencial do Diário do Transporte.
Relembre:
O modelo é o Scania K 340C A6X2/2 NB Euro 6, para encarroçamento de19,22 metros de comprimento, capacidade para 145 passageiros, torque de 1.600 Nm e potência de 340 cavalos. Os veículos contam com transmissão automática, suspensão a ar, freios eletrônicos e sete cilindros de gás tipo 4 em fibra de carbono instalados no teto, 70% mais leves. A autonomia é superior a 400 quilômetros, com desempenho equivalente ao diesel e redução de ruídos, vibrações e emissões.
O biometano pode ser produzido a partir de resíduos agrícolas, dejetos animais, resíduos da agroindústria e lodo sanitário urbano. Quando utilizado como combustível, a redução das emissões de CO₂ pode chegar a até 90%, além de diminuir significativamente óxidos de nitrogênio e material particulado. Os motores utilizam o ciclo Otto, são movidos 100% a gás natural e/ou biometano e apresentam desempenho semelhante ao diesel, com menor nível de ruído.
O gerente também conversou com Adamo Bazani sobre as demonstrações que serão feitas em Santa Catarina.
“São Paulo está num estágio bastante maduro. A gente já apresentou os dados, então está naquele momento de construção da oferta para os operadores. E continuamos com as demonstrações em vários outros municípios. Nossa próxima rodada vai ser em Santa Catarina. A gente deve iniciar nos próximos dias a operação daquele nosso veículo 4×2, o K280, para rodar também com biometano no estado e iniciar o teste em três municípios” – explicou.
LEIA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA DO GERENTE DE CONTAS DO SEGMENTO DE ÔNIBUS URBANOS DA SCANIA, ROGÉRIO MORO, AO EDITOR-CHEFE E CRIADOR DO DIÁRIO DO TRANSPORTE, ADAMO BAZANI – COLABORAÇÃO DE VINÍCIUS DE OLIVEIRA E YURI SENA
Adamo Bazani: O Diário do Transporte conversa aqui diretamente da sede da Scania em São Bernardo do Campo, no prédio dos escritórios, da área de comunicação, área de vendas, com o gerente de contas do segmento urbano, Rogério Moro, que vai conversar com a gente, claro, foco para o urbano, mas antes a gente vai dar uma pincelada geral no mercado.
A gente noticiou há pouco sobre o desempenho da indústria como um todo. Todas as marcas tiveram queda, mas a gente percebeu uma queda mais acentuada nos números da Scania. Por que isso?
Rogério Moro: Então, Adamo. Boa tarde, pessoal.
A gente nota uma redução maior nesses momentos, quando o mercado tem uma queda um pouco mais acentuada no segmento de motor traseiro, que é, na verdade, onde a Scania atua. E tem também, como você mesmo comentou, aquele delay de emplacamento também. A gente tem algumas vendas, alguns veículos com prazos um pouco mais estendidos.
Agora, o prazo de encarroçamento, no geral, dos maiores fabricantes está em torno de 60 a 90 dias. Então, tem muita coisa ainda para ser emplacada, alguns lotes que a gente tem em produção. Então, isso gera essa distorção, mas a gente acredita que no acumulado do ano deve ficar mais ou menos dentro do mesmo índice de queda do segmento, com uma chance até de ter um revés ali de estabilidade, porque agora a gente teve o programa Move Brasil e já tem percebido alguma reação do mercado também, tem sido bastante positivo.
Adamo Bazani: Perfeito. Bom, Rogério, agora vamos falar de urbanos, que é a tua área. Quando a gente fala de Scania, hoje uma das marcas do urbano da Scania é o GNV e o biometano. Já ficou praticamente com essa imagem.
Gostaria que você falasse para o ouvinte, para o leitor e telespectador do Diário do Transporte, quais são as perspectivas para o GNV. Goiânia já tem um lote novo, tem novidades para São Paulo, Santa Catarina. Dá um panorama geral para a gente.
Rogério Moro: Legal. Então, o segmento de mobilidade realmente agora tem percebido que os veículos a gás e movidos a biometano têm uma entrega bastante bacana de sustentabilidade, uma redução que chega até 90% da emissão de CO₂.
A gente tem, como você já adiantou, a continuidade daquele projeto em Goiânia, com a entrega agora de mais 32 unidades de chassis articulados, que deve acontecer ainda este ano. E tem outras iniciativas.
São Paulo está num estágio bastante maduro. A gente já apresentou os dados, então está naquele momento de construção da oferta para os operadores. E continuamos com as demonstrações em vários outros municípios.
Nossa próxima rodada vai ser em Santa Catarina. A gente deve iniciar nos próximos dias a operação daquele nosso veículo 4×2, o K280, para rodar também com biometano no estado e iniciar o teste em três municípios.
Adamo Bazani: Para a Capital Paulista, então, já está num processo de finalização para a aprovação do modelo, é isso?
Rogério Moro: Isso. Tem todo um trabalho técnico para dar embasamento para a construção de cálculo de tarifa. A gente está num estágio bastante avançado junto com a Prefeitura, as conversas muito boas e deve ocorrer agora nos próximos dias a finalização desse trabalho, o que vai permitir depois incluir também os veículos movidos a biometano na renovação para São Paulo.
Adamo Bazani: Como está sendo a receptividade do Poder Público e dos frotistas da cidade de São Paulo? Vocês já estão conversando com os frotistas?
Rogério Moro: Já. Tanto com a Prefeitura, com o pessoal da SPTrans, quanto com os operadores.
O Poder Público abraçou a ideia, tem se mostrado bastante receptivo. Eles perceberam, de fato, a entrega de potencial de sustentabilidade e de redução de CO₂ que tem o biometano e os operadores também estão bastante animados.
Eu acho que, de certa forma, o elétrico contribuiu já nesse aprendizado deles todos para a transição energética. Então, as conversas têm sido bastante positivas. Muitos querem a demonstração para entender um pouco mais no detalhe da rodagem, mas a receptividade tem sido muito boa.
Adamo Bazani: E conta para a gente um pouquinho das características desse ônibus para o padrão SPTrans.
Rogério Moro: Então, o chassi é o K280 4×2. A gente deve ter também, num segundo momento, o nosso ônibus de 15 metros e também o articulado, mas o primeiro que a gente tem trabalhado a homologação junto com os encarroçadores é o 4×2, que vai ser o carro que vai ter maior volume.
Ele pode ser encarroçado com comprimentos de 12,5 metros até 14 metros e a gente consegue, com a configuração de cilindros que a gente tem hoje disponíveis no mercado, tanto o tipo 1 quanto o tipo 4, atingir até 450 quilômetros de autonomia, o que cobre a maioria das rotas de aplicação urbana.
Adamo Bazani: Em relação, então, ao procedimento de liberação técnica, muita gente fala na SPTrans homologar. Na verdade, ela não homologa, ela aprova. Quer dizer, quem homologa são os órgãos nacionais de trânsito. Como está essa questão burocrática da SPTrans, digamos assim?
Rogério Moro: A gente tem uma etapa antes, como você pontuou bem, que é a emissão do CAT e a gente se encontra agora nesse estágio. Depois dessa etapa é que tem a validação dos testes da SPTrans, que é na operação, no dia a dia dos operadores, para entender comportamento de consumo, capacidade de rampa, que é essa segunda etapa.
Então, a gente está finalizando essa emissão do CAT, que é o que vai permitir o emplacamento dos veículos e aí partir depois para esse teste junto com a SPTrans, com os operadores.
Adamo Bazani: Perfeito. Em relação ao elétrico, a gente sabe que a Scania também tem seu modelo elétrico. Como está o elétrico da Scania na capital paulista e em todo o país?
Rogério Moro: A gente está trazendo agora, é até uma novidade para divulgar na feira, eu já deixo a oportunidade aqui, o convite para todos visitarem o nosso estande na Lat.Bus, que é agora no início de agosto.
A gente vai apresentar não só uma nova máquina elétrica lá também, como um novo modelo e tem, principalmente em São Paulo, puxado essa eletrificação no país todo, mas tem avançado bastante rápido. E esse a gente já está nessa etapa de testes também com a SPTrans, de capacidade de rampa, para iniciar a demonstração com os operadores.
Adamo Bazani: 4×2 esse elétrico?
Rogério Moro: 4×2, isso, esse primeiro.
Adamo Bazani: Piso baixo?
Rogério Moro: Isso, padrão SPTrans, piso baixo, veículo low entry, já com posicionamento de portas, configuração de carroceria SPTrans.
Adamo Bazani: Qual seria a diferença principal do atual?
Rogério Moro: Ele tem uma máquina elétrica mais otimizada. A gente mudou aquele redutor que tinha nele e as baterias também. Ele usa uma densidade energética maior. Então, a gente aproveitou para introduzir esse novo trem de força elétrica.
Adamo Bazani: O nome comercial, o nome do modelo é o mesmo?
Rogério Moro: Não. O nome de emplacamento, sim, continua o mesmo.
Adamo Bazani: Perfeito. Rogério, a gente agradece bastante a sua participação aqui no Diário do Transporte. Vamos aguardar, visitem então na Lat.Bus o estande da Scania e vamos aguardar agora as novidades também do GNV e do biometano.
Muito obrigado.
Rogério Moro: Obrigado, obrigado pessoal.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaboraram Vinícius de Oliveira e Yuri Sena
