Ícone do site Diário do Transporte

Volkswagen vê com naturalidade questionamento do TCU sobre Caminho da Escola e projeta 2026 positivo para ônibus

De acordo com vice-presidente de Vendas, Marketing e Serviços da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Ricardo Alouche, marca projeta expansão no ano e compras públicas estão entre os focos

ADAMO BAZANI

Colaborou Yuri Sena

Classificada com o maior número de lotes e unidades do 13º ciclo do Programa Federal de compra de ônibus escolares Caminho da Escola, válido entre junho deste ano até meados de 2027, a Volkswagen aguarda a homologação final pelo FINDE (Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação), do Ministério da Educação, com a expectativa de que todos os resultados da concorrência sejam de fato concretizados.

Segundo o vice-presidente de Vendas, Marketing e Serviços da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Ricardo Alouche, em entrevista ao editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, a marca vê com “naturalidade” o fato de o TCU (Tribunal de Contas da União) ter determinado a suspensão de um dos lotes lotes, o maior dos 13 totais da concorrência, após denúncias de supostos prejuízos aos cofres públicos. Ao todo foram licitados 7470 ônibus escolares divididos em 13 modelos diferentes.

Como mostrou o Diário do Transporte, em primeira mão, trata-se de uma denúncia sobre o item 2 (ORE 2) protocolada pela Iveco (IVG BRASIL LTDA ONHIGHWAY) que aponta risco de prejuízos de quase R$30 milhões aos cofres da União.

O item 2 envolve dois mil ônibus 45 Lugares, Distância Entre Eixos: 4.800MM, Quantidade Portas: Única, Cor: Amarela

O Diário do Transporte trouxe a informação de forma exclusiva nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, quando será retomada a sessão de demais lotes. A Iveco foi desclassificada por supostos problemas com a documentação.

A segunda proposta, relativa à Volkswagen, segundo a IVG, é menos vantajosa e traria este prejuízo, de acordo com a representação.

Relembre:

EXCLUSIVO COM DOCUMENTOS: Licitação do Caminho da Escola dá problemas: TCU suspende um dos lotes por prejuízos de R$ 30 milhões aos cofres federais. Documentação tem correção

No dia 26 de maio de 2026, o FNDE retomou a licitação e convocou as fabricantes Volkswagen, Marcopolo e Agrale para apresentarem os protótipos de cada modelo. Estas marcas terão 45 dias para mostrarem cada modelo.

Relembre:

EXCLUSIVO: Pregão do Caminho da Escola é reaberto com valores menores, fabricantes vão apresentar protótipos e lote 02 permanece suspenso pelo TCU

De acordo Alouche, as compras devem ser fundamentais para a indústria de veículos.

Além do Caminho da Escola, a expectativa é de homologação dos três mil veículos do Caminho da Saúde, dos quais 1,5 mil micro-ônibus e 1,5 mil vans. O executivo ainda destacou que o ano de 2026, apesar dos desafios como as dificuldades em relação ao crédito e aos juros, deve ser positivo para o setor de ônibus.

Segundo Alouche, a estimativa é que o ano feche entre 22 mil e 24 mil unidades entre todas as marcas. A Volkswagen deve concluir o ano no mesmo ritmo que está atualmente, com aumento de quatro por cento aproximadamente 

Confira na íntegra:  

Entrevista com Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus. 

Adamo Bazani: Alouche, qual o cenário que a Volkswagen vislumbra para o ano de 2026 na área de ônibus?

Ricardo Alouche: É um cenário bastante positivo. Lógico que o mercado nos impõe uma série de desafios. Dentre os desafios, nós temos restrição de crédito e um alto índice de inadimplência. Elevação de custos e não elevação de tarifas. Então, essa equação se torna bastante complexa.

Por outro lado, nós temos uma série de inovações da Volkswagen que procuram contrapor essas dificuldades. Dentre elas, vendas a governo num volume bastante expressivo, lançamento de novos produtos, como estamos aqui compartilhando com vocês hoje, e desenvolvendo um Volksbus para cada segmento de mercado, seja do micro-ônibus, ônibus urbano, fretamento, rodoviário e agora com grandes novidades também no elétrico.

Nós entendemos que, com essa ampla gama, a gente consiga aproveitar todas as oportunidades que o mercado nos entrega e, com perspectiva de indústria para o final do ano, nós acompanhamos os números de projeção da Fenabrave e da Anfavea que mostram que o mercado este ano deve ficar entre 22 e 24 mil unidades, mais ou menos no mesmo nível que foi em 2025.

Adamo Bazani: Em relação à marca Volkswagen, vai ter crescimento já em relação à Volkswagen de 2025?

Ricardo Alouche: Nós já estamos registrando um crescimento bastante expressivo. Nós crescemos este ano 4 pontos percentuais de participação de mercado em relação à participação que encerramos em 2025. Nós esperamos manter essa diferença e quem sabe subir até um pouquinho mais até o final do ano.

Na nossa visão, as perspectivas para o mercado de ônibus este ano são positivas.

Adamo Bazani: Caminho da Escola, a gente sabe que está na fase final das homologações. Foram entregues inclusive agora os pedidos para apresentação de protótipos. Tem o lote 2, que é o lote que o TCU fez questionamentos. Como a Volkswagen tem visto essa questão do desenrolar? Antes tarde do que nunca o Caminho da Escola dessa edição?

Ricardo Alouche: Com muita naturalidade. Foram licitados mais ou menos 7.200 unidades para o Caminho da Escola fase 13, esse que aconteceu algumas semanas atrás. A Volkswagen ganhou alguns lotes e é natural que haja algum questionamento em relação à documentação, à homologação e tudo mais.

Por isso que a gente não comenta os lotes fechados, porque ainda não assinamos o contrato em nenhum dos lotes. Então estamos vendo com muita naturalidade esse aspecto e, mais do que isso, estamos muito confiantes de que a Volkswagen passará em todos os lotes que ganhou na licitação.

Estamos apresentando as documentações e, tão logo a gente assine os contratos, teremos enorme prazer em divulgar para todos vocês.

Eu queria que você comentasse um pouquinho o mercado de urbanos. Teve um aumento da idade média da frota e, como vocês comentaram, ela está tendo uma demanda muito grande de renovação. Quais são as perspectivas para esse segmento?

Ricardo Alouche: De fato, em números gerais, quando a gente compara com a idade média da frota de urbanos pré-pandemia, houve um envelhecimento da frota em todo o Brasil da ordem de dois anos. Então era mais ou menos 4,8 anos e hoje a idade média está em torno de 6,3 anos.

Existe uma necessidade de renovação de frota. Entretanto, o grande desafio está na restrição ao crédito e aí realmente os clientes necessitam renovar a frota, mas têm dificuldade de aprovar o crédito. Taxa de juros muito elevada.

O Move Brasil 2 veio para facilitar essa relação de taxa de juros, mas com recursos limitados. Ou seja, o cliente tem que ser rápido para aproveitar a taxa do Move Brasil e conseguir renovar parte da sua frota.

E o terceiro desafio é que as empresas não conseguem repassar o valor para o passageiro. Então tem que haver um entendimento comum entre o empresário de ônibus urbano e as prefeituras locais no sentido de fechar a equação que viabilize a renovação de frota.

Entendemos que existe demanda, existe a necessidade para a renovação de frota, mas que isso ainda deve demorar mais alguns meses para começar a maturar.

Mas é por isso que eu digo: as perspectivas de mercado para 2026 são positivas com esse monte de alternativas que eu tenho mencionado para vocês.

Adamo Bazani jornalista especializado em transportes 

Colaborou Yuri Sena

Sair da versão mobile