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Com instabilidades políticas e econômicas, Caminho da Escola lento e urbanos decepcionando, emplacamentos de ônibus amargam queda de 11,45%

De acordo com Fenabrave, recuo se agravou de abril para maio. Move 2 ainda não é sentido, mas deve ajudar

ADAMO BAZANI

Os emplacamentos de ônibus no Brasil acumularam queda ente janeiro e maio de 2026, de 11,45% em comparação com semelhante período de 2025, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira, 02 de maio de 2026 pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição Nacional de Veículos Automotores), entidade que reúne as concessionárias e revendedoras autorizadas.

No período, foram emplacados 10.410 coletivos ante 11.756 de janeiro a maio do ano passado.

A queda se agravou na passagem do último mês: Em abril foram emplacados 2.436 ônibus em, em maio, 2.074, o que significa retração de 14,12%. Na comparação com maio de 2025, que teve 2.415 unidades, a queda foi de 14,86%

O resultado é formado por uma série de fatores.

As altas taxas de juros para financiamentos, as incertezas quanto ao cenário político e os impactos da guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos+Israel e Irã estão entre os aspectos macroeconômicos.

Em relação especificamente sobre o mercado de ônibus se destaca a lentidão para a conclusão das homologações da licitação de 7.470 veículos escolares do programa federal Caminho da Escola, que depois de sucessivos adiamentos teve prosseguimento, mas um dos lotes, de duas mil unidades, está suspenso para apurações pelo TCU (Tribunal de Contas da União) sobre supostos prejuízos aos cofres públicos.

Na esteira do aumento dos custos operacionais sem repasse para os passageiros, em decorrência da elevação do preço do diesel, o segmento de modelos urbanos, o maior em volume, não vai bem. Além disso, mesmo sem a guerra, a decepção já se desenhava. As expectativas de mais vendas por causa das eleições já não estava se concretizando, o que se agravou com o conflito.

Os efeitos do Move Brasil, segunda fase, programa do Governo Federal para financiar ônibus e caminhões, ainda não foram sentidos. São R$ 21,2 bilhões, do quais, R$ 2 bilhões para ônibus.

MARCAS:

Ainda de acordo com o balanço da Fenabrave desta segunda-feira, 02 de junho de 2026, o ranking de marcas no acumulado entre janeiro e maio deste ano mantém a Mercedes-Benz como líder com cerca de metade de todo o mercado de ônibus, seguida de Volkswagen Caminhões & Ônibus).

Fabricante – Quantidade – Participação no mercado

1º M.BENZ – 5.166 – 49,63%

2º VW TRUCK E BUS 2.209 – 21,22%

3º IVECO 1.194 – 11,47%

4º MARCOPOLO 1.147 – 11,02%

5º VOLVO 171 – 1,64%

6º SCANIA 159 – 1,53%

7º INDUSCAR 149 – 1,43% (com Eletra, ônibus elétricos)

8º AGRALE 109 – 1,05%

9º BYD 95 – 0,91%

10º CRRC 1 0,01%

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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