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Retrofit Ecológico: Contran estabelece novas normas para conversão de veículos pesados a diesel em elétricos

 

Resolução ainda define requisitos para a instalação de motor elétrico auxiliar em veículos dos tipos caminhão e caminhão-trator

ADAMO BAZANI

Colaborou Arthur Ferrari

O Contran (Conselho Nacional de Trânsito) estabeleceu novas normas para a conversão de veículos pesados movidos a óleo diesel em elétricos (a bateria ou ligados à fiação) e híbridos.

A Resolução Contran Nº 1.021, de 28 de maio de 2026, foi publicada em edição extra de Diário Oficial e ainda define requisitos para a instalação de motor elétrico auxiliar em veículos dos tipos caminhão e caminhão-trator.

As novas normas também alteram Anexo IV da Resolução Contran nº 916, de 28 de março de 2022.

Segundo a resolução, para automóvel, caminhonete, camioneta, utilitário, caminhão, caminhão-trator, micro-ônibus, ônibus e motor-casa; a alteração de forma de propulsão (conversão para elétrico, híbrido ou a combustão) deve definir de maneira clara que, no caso de modelos elétricos, a potência deve ser definida obrigatoriamente em kW, e, para modelos a combustão, potência deve vir somente em cv.

Já no caso de instalação de motor elétrico auxiliar para caminhão e caminhão-trator, os documentos devem ter a observação “veículo com motor elétrico auxiliar”

A resolução, assinada pelo presidente em exercício do conselho do Contran, Adrualdo de Lima Catão, já está em vigor desde a publicação.

Segundo o documento oficial, estão aptos à modificação prevista nesta Resolução os veículos produzidos a partir 1º de janeiro de 2014.

No Brasil, já há mais de 15 anos, ônibus a diesel convertidos em trólebus estão em operação e a experiência foi tão bem sucedida que, em 2024, uma nova geração de veículos convertidos começou a circular pelo mesmo sistema de transportes (VEJA MAIS ABAIXO OS DETALHES).

TERMOS E OBRIGAÇÕES:

De acordo com a resolução de 29 de maio de 2026, é considerado motor elétrico auxiliar o dispositivo acoplado/integrado a um eixo ou a um dos componentes responsáveis pela geração e transmissão de força (trem de força) do veículo, capaz de converter energia elétrica em energia mecânica, incorporando um sistema de regeneração de energia cinética, a qual é convertida em torque adicional ao veículo.

Já os componentes adicionais para funcionamento do sistema são qualquer componente adicionado ao veículo, necessário para o funcionamento do sistema elétrico auxiliar, tais como inversores, controladores, baterias, porém, não se limitando somente a esses dispositivos.

Ainda de acordo com a nova norma, o instalador do motor elétrico auxiliar deve comprovar no processo de homologação compulsória junto à Senatran o cumprimento de todos os requisitos de segurança do veículo modificado impactados pela alteração de potência e torque advinda da instalação desse dispositivo, em especial, a comprovação do atendimento aos seguinte itens:

I – Requisitos específicos para veículos movidos a propulsão híbrida e elétrica (Resolução Contran nº 749, de 20 de dezembro de 2018).

II – Sistema de freio (Resolução Contran nº 915, de 28 de março de 2022);

III – Controle eletrônico de estabilidade (Resolução Contran nº 954, de 28 de março de 2022); e

IV – Requisitos de identificação veicular (Resolução Contran nº 968, de 20 de junho de 2022).

A resolução também determina que  a entidade executora da modificação do veículo ao requerer CAT, será integralmente responsável pela segurança do veículo e pela comprovação do atendimento aos limites de emissões de poluentes e ruído junto aos órgãos ambientais competentes.

A resolução permite também a instalação de mais de um motor elétrico auxiliar em um caminhão ou caminhão-trator. O veículo modificado com a inclusão de motor elétrico auxiliar será considerado híbrido.

RETROFIT ECOLÓGICO JÁ É REALIDADE EM CORREDOR DE ÔNIBUS ENTRE A CAPITAL PAULISTA E A REGIÃO DO ABC:

O Diário do Transporte noticiou, em primeira-mão, que desde 2011 ônibus a diesel que foram convertidos em trólebus circulam com sucesso entre a capital paulista e municípios do ABC pelo Corredor Metropolitano ABD.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/11/02/onibus-a-diesel-convertido-em-trolebus-da-nova-geracao-ja-opera-com-passageiros-e-resultados-tem-sido-satisfatorios/

Tudo começou com seis ônibus ano 2001 que iam ser sucateados.

A conversão deu tão certo que, em 2024, a empresa responsável pela tecnologia, Eletra Industrial, de São Bernardo do Campo (SP) recebeu encomenda para converter mais 10 unidades, mas com uma nova tecnologia. Desta vez, eram modelos ano 2008.

Em conversa ao Diário do Transporte, a diretora comercial da empresa, Ieda Oliveira, disse que a conversão pode custar entre 30% e 50% menos que a compra de um modelo zero km, mas que pela documentação, o ônibus ou caminhão é considerado novo, o que significa dizer que é dobrar a vida útil do veículo.

Ainda de acordo com Ieda Oliveira, é possível converter veículos a diesel em trólebus (no caso de ônibus), em elétricos puros com baterias carregados em eletropostos, com recargas rápidas de oportunidade ou híbridos (nos casos de ônibus e caminhões).

A Eletra também atuou na conversão de um modelo de caminhão para tráfego urbano da Volkswagen para a Ambev e de carro-forte para a transportadora de valores Protege.

RETROFIT NO PLANO DO CLIMA BRASIL

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do Governo Federal, divulgou em 13 de março de 2026, os documentos que compõem o Plano Clima 2024 –2035, com metas de reduções de impactos ambientais por diversos setores.

No caso de ônibus urbanos-metropolitanos e micro-ônibus, a meta é de redução de poluição de até 42% de MTCO2e – Tonelada Métrica de Dióxido de Carbono Equivalente.

No Plano Setorial Cidades, entre as medidas propostas está a ampliação da frota dos ônibus menos poluentes nos sistemas de transportes urbanos e metropolitanos, com foco para os modelos elétricos e movidos a biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos.

Transformar ônibus a diesel que estão em operação em elétricos pode ser um dos caminhos, de acordo com o documento, que também sugere a criação de linhas de financiamento específicas para estimular este tipo de conversão.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/03/14/em-primeira-mao-governo-federal-divulga-documentos-do-plano-clima-do-brasil-com-onibus-eletricos-transformar-coletivos-a-diesel-retrofit-esta-entre-propostas/

MODELO DOS ÔNIBUS:

Os veículos transformados eram originalmente Mercedes-Benz O-500 UA (Euro III) – ano 2008, carroceria Caio Millennium II, que recebem na carroceria frentes e traseira do modelo Caio Millennium V.

Não é a primeira vez que o Corredor ABD tem veículos retrofits. Na verdade, já rodam trólebus deste tipo, mas de uma geração anterior.

Entre 2011 e 2012, a Eletra transformou seis ônibus Busscar Urbanuss Pluss Volvo B 10M a diesel, ano 2001, em trólebus, que receberam os prefixos de 8150 a 8155.

Estes coletivos ainda estão em plena operação (ver abaixo o histórico).

O Diário do Transporte conversou com a diretora-executiva da Eletra Industrial, Ieda de Oliveira, que falou das vantagens que um “retrofit” pode trazer.
Assista:

RETROFIT:

Quanto tempo leva para a mudança de diesel para elétrico? Após o desenvolvimento do projeto, o primeiro veículo (chamado cabeça de série) fica pronto em duas semanas e os demais, em uma semana

Qual o custo? Transformar um ônibus ou um caminhão a diesel em tração elétrica é, em média, 30% mais barato que comprar um zero km elétrico

Ganhos Ambientais Reais: Evita transferir a poluição de um lugar para o outro (afinal, este caminhão ou ônibus a diesel, se fosse vendido como usado, operaria em outro lugar). Anula os impactos ambientais de produção de novos motores, chassis e carrocerias. Evita o descarte irregular de peças usadas, caso o ônibus ou caminhão fosse sucateado completamente (nem todas as peças e componentes acabam passando por reciclagem). Estimula a venda de usados a diesel mais novos, principalmente em caminhões, que no Brasil rodam até a chamada quarta vida, com até 30 anos de fabricação. Se os mais velhos forem convertidos em elétricos, restam os seminovos no mercado apenas.

GERAÇÃO ANTERIOR:

Entre 2011 e 2012, a Eletra transformou seis ônibus Busscar Urbanuss Pluss Volvo B 10M a diesel, ano 2001, em trólebus, que receberam os prefixos de 8150 a 8155.

O trabalho demonstrou a viabilidade da conversão, dando sobrevida a um veículo que prestes a ser baixado, trazendo vantagens ambientais.

Metra juntamente com a Eletra consegue transformar seis ônibus diesel em trólebus. Nas imagens, um dos exemplos: 8037 diesel virou 8151 trólebus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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