Setor estima que linha de crédito de R$ 2 bilhões para transporte de passageiros estimule a compra de até 1,3 mil veículos e fortaleça a indústria brasileira
YURI SENA
A segunda fase do programa Move Brasil, lançada pelo Governo Federal no fim de abril, deve contribuir para a renovação da frota de ônibus no país e gerar reflexos positivos para a indústria nacional de carrocerias e chassis. A avaliação é compartilhada por representantes do setor, que veem nas novas linhas de crédito uma oportunidade para ampliar investimentos por parte das empresas operadoras.
O programa reserva até R$ 2 bilhões em financiamentos voltados à aquisição de veículos destinados ao transporte coletivo de passageiros. A iniciativa integra um pacote mais amplo de crédito, que totaliza R$ 21,2 bilhões, reunindo recursos do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo estimativas da indústria, os recursos destinados ao segmento de ônibus poderão viabilizar a compra de aproximadamente mil a 1,3 mil veículos. A expectativa é de que o programa incentive principalmente a renovação das frotas rodoviárias e de fretamento, segmentos que vêm registrando volumes de produção inferiores aos observados em anos anteriores.
Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus) apontam que, em 2025, foram produzidos 5.257 ônibus rodoviários e de fretamento destinados ao mercado interno. O número permanece abaixo dos patamares históricos registrados há cerca de uma década, quando a produção anual ficava entre 7,5 mil e 8 mil unidades.
Entre os critérios para participação no programa estão o atendimento às exigências ambientais relacionadas à emissão de poluentes e o cumprimento de índices mínimos de nacionalização dos veículos, seguindo as regras estabelecidas pelo BNDES.
O programa também prevê condições diferenciadas para operações que envolvam a retirada de circulação de veículos antigos. Para isso, o ônibus ou veículo utilizado como parte da negociação deve possuir mais de 20 anos de fabricação, estar regularizado e ser encaminhado para reciclagem após a conclusão do financiamento.
As condições de crédito variam conforme o perfil do contratante. Pessoas físicas podem financiar veículos com prazo de até dez anos e carência de até 12 meses. Para empresas, o prazo máximo é de cinco anos, com até seis meses de carência. O limite de financiamento por cliente é de R$ 50 milhões.
Representantes do setor avaliam que a combinação entre juros mais competitivos e incentivos à renovação poderá acelerar decisões de compra e contribuir para a modernização da frota brasileira de transporte de passageiros nos próximos meses.
Yuri Sena, para o Diário do Transporte
