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HISTÓRIA: VÍDEO mostra momentos históricos do Fofão, o ônibus de dois andares da CMTC

Modelo circulou entre o fim dos anos 1980 e 1990. Um sonho megalomaníaco que não deixou de ser uma contribuição para os transportes

ADAMO BAZANI 

Coloborou Arthur Ferrari

O Diário do Transporte já havia relatado a história desse gigante dos transportes urbanos que, diferentemente do que se pensa, não rodou apenas em São Paulo: O “Fofão”, ônibus de dois andares urbanos elaborado pela CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), na gestão do prefeito Jânio Quadros, e que foi produzido em série pela encarroçadora Thamco com chassis Scania.

Neste fim de semana viralizou um vídeo com alguns destes veículos em circulação na região central da capital paulista.

As imagens são de autoria do pesquisador Jorge Françoso de Morares (recebemos a informação nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026)

Além de nostalgia e o retrato em movimento de uma importante pagina da história dos transportes, o vídeo retrata uma São Paulo em permanente transição, inclusive, do sistema implantado por Jânio Quadros, como os ônibus vermelhos, para o “municipalizado”, com Marta Suplicy, alterando a remuneração dos transportes de “passageiros transportados” para “serviços prestados”, ou seja, quilômetro rodado, e alterando a lógica do atendimento à população.

Inclusive, no vídeo, aparecem ônibus de dois andares todos vermelhos ainda e outros já com a pintura do sistema municipalizado, branco com a faixa vermelha no meio.

O ônibus de dois andares dos anos 80 chegou ao Brasil pelas mãos do prefeito Jânio Quadros, em São Paulo. Ele queria um transporte com a qualidade europeia, mas que, acima de tudo, chamasse a atenção. Não se deve esquecer que ônibus e campanha política sempre estiveram lado a lado. Vide a história do ex-Fura-Fila de Celso Pitta, ex-Martão e ex-Passa Rápido, da Marta Suplicy, e, atual, Expresso Tiradentes, de Gilberto Kassab.

A CMTC teve papel importante na criação do modelo de dois andares. A Companhia contribuía com um corpo de técnicos e engenheiros para o desenvolvimento de várias tecnologias. Foi assim com os trólebus – muito da tecnologia dos ônibus elétricos foi implantada através de parcerias entre fabricantes, encarroçadoras e CMTC. Foi assim como o Fofão.

Diferentemente do que queria Jânio, a CMTC não pôde desenvolver sozinha um modelo de dois andares. Foi aí que entrou a parceria com a Thamco, empresa fundada em 1985, após o empresário Antônio Thamer (por isso o nome Thamco – Thamer Comércio e Indústria de Ônibus) ter comprado a massa falida da Condor, antiga Ciferal Paulista. Em 1987, a empresa aceitou o desafio proposto pela CMTC e no fim do mesmo ano entregou as primeiras unidades para a cidade de São Paulo.

Com colunas reforçadas, o ônibus foi uma inovação. Era um “monstro” nas cidades. O modelo saía de fábrica com 10,80 metros de comprimento e 4,26 metros de altura, com capacidade para 72 passageiros sentados e 40 em pé. Na parte superior, muito baixa, com altura interna de 1,70 metro, não podia viajar passageiro em pé. O modelo foi encarroçado pela Thamco sobre Chassi Scania K 112 CL, de 203 cavalos de potência.

Dois anos depois, a Thamco lançou o Gemmini, ônibus rodoviário de dois andares. Hoje no Brasil, podem ser vistos alguns desses modelos pelas estradas. São o DD – Double Decker, como o Busscar Panorâmico DD, e o Marcopolo Paradiso DD.

O simpático Fofão chamou a atenção de várias cidades brasileiras. Além de São Paulo e Osasco, o modelo circulou por Goiânia, Recife e Uberlândia, mas em todas rodou por pouco tempo, inviabilizado pela estrutura desses municípios. Ao contrário do que ocorre na Europa, América, Ásia e África, onde os ônibus urbanos de dois andares são sucesso. Entre as cidades que os empregam em grande escala, estão a tradicional Londres, Johannesburgo, Cidade do Cabo, Hong Kong, Cingapura, Berlim e Porto. Lá, os gigantes circulam sem nenhum problema.

No Brasil, além de modelos urbanos adaptados para passeios turísticos, como o Busscar Urbanuss Pluss no sul do País e em Manaus, e o Viale DD Sunny, da Marcopolo, que faz linha turística na Capital Paulista e no Parque Nacional do Iguaçu, não há mais operação com ônibus de dois andares em serviços municipais ou intermunicipais. Mas por ironia, o País continuou sendo exportador de ônibus urbanos deste tipo.

A Marcopolo, em 2001, foi responsável pelo envio de uma enorme quantidade de ônibus que integraram o projeto de transportes Metrobus, de Johannesburgo, na África do Sul. Os ônibus foram construídos sobre a base de um modelo de um pavimento no Brasil: o Viale, que sofreu adaptações. O Viale DD, que ainda roda com sucesso na cidade sulafricana, tem piso baixo para acesso de pessoas com mobilidade reduzida e foi encarroçado sobre chassi Volvo B 7 TL.

Veja a reportagem do Diário do Transporte sobre o Fofão além de Jânio Quadros, rodando em outras cidades

Relembre

HISTÓRIA: O Fofão além de Jânio Quadros

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Arthur Ferrari

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