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Motos estão envolvidas em 41,6% de todas as mortes no trânsito no Brasil, diz Ipea e MP de afrouxamento por Lula pode agravar situação

Segundo Atlas da Violência, ônibus é o transporte motorizado terrestre mais seguro, e é o que registra o menor número de acidentes apesar de concentrar a maior parte dos deslocamentos, muito embora tenha registrado aumento expressivo de ocorrências

ADAMO BAZANI

Colaborou Vinícius de Oliveira

Apesar de não ser a maior frota por modalidade de transportes no Brasil, com cerca de 35 milhões de unidades e 28% do total entre todos os veículos, as motos respondem pela grande maioria das mortes no trânsito no País: 41,6%.

É o que revela o Atlas da Violência do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O dado foi revelado nesta terça-feira, 26 de maio de 2026.

Segundo o relatório, ao qual o Diário do Transporte teve acesso na íntegra, foram mais de 15 mil pessoas que perderam a vida em motos entre os anos de 2023 e 2024, o levantamento mais recente.

Analisando-se as mortes no trânsito por modal utilizado pela vítima, fica evidenciada a consolidação das motocicletas como o segmento de maior risco ao registrar um aumento de 13.477 para 15.459 óbitos entre 2023 e 2024. Este modal apresentou o maior crescimento absoluto no período, com 1.982 fatalidades adicionais. – diz o relatório.

O Ipea relaciona o número ao crescimento das atividades remuneradas com motocicletas, como mototáxis, transportes de passageiros por aplicativos de motos e entregas de mercadorias (motofretes).

A situação foi mais grave no Norte e Nordeste, onde as mototáxis explodiram.

Os estados do Norte e Nordeste foram os que apresentaram maior aumento da mortalidade neste período de retomada do crescimento econômico (2019 a 2024), associado também ao forte crescimento do uso de motocicletas pela população mais pobre, INCLUSIVE NA BUSCA DE TRABALHO NOS APLICATIVOS DE TRANSPORTE POR DUAS RODAS, e a maiores dificuldades de investimentos em infraestrutura viária, educação e gestão de trânsito nessas regiões.

Recentemente, como mostrou o Diário do Transporte, por meio da Medida 1.360, em 19 de abril de 2026, Lula afrouxou as regras para quem quer ser mototaxista e motofretista, o que pode agravar ainda mais o quadro porque o nível de preparo exigido dos condutores passa a ser bem menor.

Entre as flexibilizações estão fim da obrigatoriedade da placa vermelha para motofrete e da inscrição paga em Detran (Departamento de Trânsito); a retirada da exigência de idade mínima de 21 anos para exercício profissional; o fim da obrigatoriedade de curso específico para atuação no setor e da exigência de tempo mínimo de dois anos de habilitação para trabalhar com entregas e transporte em motocicletas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/05/19/lula-afrouxa-regras-sobre-mototaxis-e-anuncia-r-30-bilhoes-para-motoristas-de-aplicativo-e-taxistas-comprarem-carros-0-km/

Ainda de acordo com o documento, trazido pelo Diário do Transporte, as menores ofertas de transporte público cooperam para este crescimento do uso de motos e consequentemente dos acidentes.

[A] expansão desse modal, especialmente entre populações de menor renda e em regiões com menor oferta de transporte público, tem sido um dos principais fatores associados à reversão recente da tendência de queda da mortalidade.

Segundo Atlas da Violência, ônibus é o transporte motorizado terrestre mais seguro, e é o que registra o menor número de acidentes apesar de concentrar a maior parte dos deslocamentos, muito embora tenha registrado aumento expressivo de ocorrências. As ocorrências com morte envolvendo caminhões também preocupam.

Analisando-se as mortes no trânsito por modal utilizado pela vítima, fica evidenciada a consolidação das motocicletas como o segmento de maior risco ao registrar um aumento de 13.477 para 15.459 óbitos entre 2023 e 2024. Conforme o Gráfico 12.6, este modal apresentou o maior crescimento absoluto no período, com 1.982 fatalidades adicionais. Vale ressaltar, contudo, que o maior aumento percentual ocorreu nas fatalidades envolvendo caminhões (30,2%), o que sinaliza uma possível deterioração na segurança do transporte de cargas. O ônibus foi outro modal que teve um aumento notável no período, de 28,3%. Não obstante o crescimento relativo das mortes envolvendo sinistros com ônibus entre 2023 e 2024, observa-se que esse modo responde pela menor fatia de mortes entre os veículos rodoviários motorizados ainda que concentre a maior parte dos deslocamentos urbanos (ANTP, 2024). Esse contraste reforça o papel estratégico da ampliação do transporte público como instrumento de redução da mortalidade no trânsito. Assim, este é um importante eixo de políticas a serem implementadas.

Além do incentivo ao transporte coletivo, deixando os deslocamentos por ônibus trens e metrôs mais baratos, eficientes e rápidos, com mais redes de trilhos, corredores de ônibus e modelos de coletivos mais confortáveis, como os ônibus elétricos, o Atlas considera fundamentais medidas como redução da velocidade, melhoria da infraestrutura de trânsito e segurança viária, educação para o trânsito e melhorias da estrutura de gestão, fiscalização e medidas legislativas e regulatórias.

Veja a parte da segurança no trânsito na íntegra:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Vinícius de Oliveira

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