Ícone do site Diário do Transporte

Amep inicia testes com Volare Fly movido a GNV e biometano em linha metropolitana da Grande Curitiba

Veículo começa a operar na ligação entre São José dos Pinhais e Curitiba; tecnologia promete redução significativa de emissões e pode abrir caminho para novas alternativas energéticas no transporte coletivo

ALEXANDRE PELEGI

A Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep) iniciou testes operacionais com um ônibus movido a GNV e biometano em linhas do transporte coletivo metropolitano da Grande Curitiba. O veículo começou a circular nesta sexta-feira, 08 de maio de 2026 na linha E12 – Afonso Pena/Centenário, que liga São José dos Pinhais à capital paranaense, em uma das rotas de maior movimentação da região.

A proposta é avaliar o desempenho do modelo em condições reais de operação, observando fatores como consumo, autonomia, comportamento mecânico, conforto aos passageiros e viabilidade operacional da tecnologia para futura ampliação da frota com combustíveis de menor impacto ambiental.

O ônibus utilizado nos testes é um Volare Fly 10 GV, desenvolvido para operar com gás natural veicular e biometano em diferentes proporções. Segundo informações divulgadas pelo Governo do Paraná, o modelo pode reduzir em até 96% a emissão de material particulado e em até 84% os gases de efeito estufa em comparação com veículos movidos exclusivamente a diesel.

De acordo com a Amep, a experiência também permitirá analisar aspectos relacionados à infraestrutura de abastecimento e adaptação operacional do sistema metropolitano para novas matrizes energéticas.

O diretor de Transportes da Amep, Willian Correa, afirmou que a iniciativa busca alternativas mais sustentáveis para o transporte coletivo e destacou que os testes permitirão verificar o desempenho do veículo “na realidade da operação”.

O modelo possui capacidade para até 54 passageiros e conta com itens como ar-condicionado, controle eletrônico de estabilidade e sistemas de monitoramento operacional.

A utilização de biometano em ônibus urbanos e metropolitanos vem sendo apontada por especialistas do setor como uma das alternativas de transição energética mais viáveis no curto e médio prazo, especialmente em cidades e regiões que já contam com infraestrutura de distribuição de gás natural. O combustível renovável pode ser produzido a partir de resíduos orgânicos, aterros sanitários e atividades agroindustriais.

Nos últimos anos, diferentes cidades brasileiras passaram a testar tecnologias alternativas ao diesel no transporte coletivo, incluindo ônibus elétricos, híbridos, movidos a hidrogênio e modelos a gás natural e biometano. Em Curitiba e Região Metropolitana, experiências anteriores envolvendo ônibus a GNV já haviam sido realizadas em parceria com empresas do setor energético e fabricantes de chassis e carrocerias.

A iniciativa da Amep ocorre em um momento em que operadores e gestores públicos buscam soluções para reduzir emissões sem elevar de forma significativa os custos operacionais dos sistemas de transporte coletivo.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Sair da versão mobile