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Andorinha amplia receita, melhora resultado e reforça caixa, mas mantém pressão financeira no balanço de 2025

Foto: Bruno Kozeniauskas/Ônibus Brasil

Empresa registra crescimento de 13% na receita líquida e lucro de R$ 5,5 milhões, enquanto endividamento e despesas financeiras seguem como principal desafio operacional

ALEXANDRE PELEGI

A Empresa de Transportes Andorinha S/A encerrou 2025 com avanço relevante de receita e melhora no resultado líquido, mas ainda sob forte pressão financeira, segundo balanço publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo desta quinta-feira, 30 de abril de 2026.

 

A receita bruta da companhia atingiu R$ 241,3 milhões, crescimento de aproximadamente 13% em relação a 2024. Descontadas as deduções, a receita líquida somou R$ 207,8 milhões, impulsionada principalmente pelo transporte de passageiros, que respondeu por mais de R$ 211 milhões do faturamento total.

 

O lucro líquido do exercício foi de R$ 5,58 milhões, acima dos R$ 4,61 milhões registrados no ano anterior. O resultado operacional também avançou, chegando a R$ 35,9 milhões, indicando melhora na atividade principal da empresa.

 

Apesar do desempenho operacional positivo, o balanço evidencia um ponto estrutural conhecido do setor: o peso das despesas financeiras. O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 28,5 milhões, consumindo boa parte do ganho operacional. As despesas financeiras somaram R$ 28,9 milhões, muito acima das receitas financeiras.

 

Os custos dos serviços prestados chegaram a R$ 132,1 milhões, acompanhando a expansão da operação. Já as despesas operacionais ultrapassaram R$ 34,5 milhões, com destaque para despesas administrativas e comerciais.

 

Por outro lado, a empresa registrou ganho relevante com venda de imobilizado, que ajudou a sustentar o resultado operacional, indicando possível estratégia de ajuste de ativos.

 

*Endividamento segue elevado*

 

No passivo, o destaque é o volume de obrigações financeiras. A companhia encerrou 2025 com:

 

* um valor relevante de R$ 107,7 milhões em financiamentos e empréstimos somados (circulante e não circulante)

* Forte concentração em financiamentos de ativo fixo (aquisição de veículos, tipicamente)

* Crescimento das obrigações fiscais no longo prazo, que ultrapassaram R$ 63,9 milhões

 

Ao mesmo tempo, houve redução de parte dos financiamentos de longo prazo, o que indica movimento de amortização, ainda que com impacto no caixa.

 

*Patrimônio melhora, mas ainda carrega prejuízos*

 

O patrimônio líquido subiu para R$ 27,6 milhões (ante R$ 24,5 milhões em 2024), refletindo o lucro do exercício. No entanto, a empresa ainda mantém prejuízos acumulados de R$ 12,6 milhões, herança de exercícios anteriores.

 

*Caixa em leve recuperação*

 

O caixa e equivalentes fecharam o ano em R$ 3,46 milhões, com geração positiva de R$ 471 mil no período — uma recuperação frente à redução observada no ano anterior.

 

Fundada em 1953, a Andorinha atua no transporte rodoviário de passageiros em linhas interestaduais, intermunicipais e internacionais, além de fretamento e turismo, com presença nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

 

O balanço reforça um retrato típico do setor rodoviário brasileiro: crescimento de receita e demanda, melhora operacional, mas com forte dependência de capital intensivo e impacto relevante do custo financeiro — especialmente em um ambiente de juros elevados.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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