Presidente exibiu vídeo em que está em um caminhão com BeVant. Diário do Transporte noticiou testes do Rio Grande do Sul ao Pará
ADAMO BAZANI
Colaborou Yuri Sena
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o uso dos biocombustíveis brasileiros durante evento na Alemanha. Para o presidente, o mundo deveria estar mais atento à diversificação de fontes de energia para os transportes, principalmente os transportes comerciais de carga e passageiros, incluindo ônibus urbanos e rodoviários de média e longa distância, além de caminhões para média e longa distância também.
De acordo com o presidente, mais uma vez o conflito no Oriente Médio mostra que depender apenas do petróleo, além de ser um erro ambiental, é também continuar em um equívoco do ponto de vista estratégico, energético e econômico.
No discurso na feira industrial de Hannover, no encontro econômico Brasil-Alemanha, Lula criticou critérios atuais adotados pela União Europeia que, na prática, reduzem a contabilidade dos benefícios ambientais proporcionados pelo biodiesel com produção no modelo adotado pelo Brasil. Segundo o presidente, esses novos critérios desconsideram também a eficiência produtiva e as vantagens ao meio ambiente desde a preparação e extração da matéria-prima até a produção antes mesmo do combustível estar queimando nos tanques, ônibus e caminhões.
“A União Europeia está revisando o seu regulamento sobre biocombustíveis. Estão na mesa propostas que ignoram práticas de sustentabilidade no uso do solo brasileiro. Também entrou em vigor em janeiro o mecanismo unilateral de cálculo de carbono que desconsidera o baixo nível de emissões do processo produtivo brasileiro baseado em fontes renováveis.”
Na apresentação, Lula mostrou um vídeo em que está dirigindo um caminhão com BeVant, que é um biocombustível sintético com dupla filtragem produzido em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, pela B8, e que foi testado pela Mercedes-Benz do Brasil e Volkswagen Caminhões e Ônibus.
O Diário do Transporte, a convite da Eletra Industrial, produtora de ônibus elétricos, esteve na COP 30, em novembro do ano passado, onde se encerrou uma caravana com quatro veículos Mercedes-Benz, que teve início em Passo Fundo, na sede da fabricante de combustível, parou para avaliação preliminar na planta da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, e seguiu para Belém, no Pará, onde ocorreu a COP 30.
De acordo com o presidente de Relações Institucionais da Mercedes-Benz, Luiz Carlos Moraes, em conversa no local com o criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, o desempenho do combustível não ficou atrás do óleo diesel e não foram encontradas as borras comuns, que são queixas de empresários de ônibus e caminhoneiros, no caso das misturas atuais do biodiesel.
Relembre:
Na mesma linha do entendimento do presidente, a proprietária da Eletra Industrial, Milena Romano, também diz que a aposta mais correta é a ampliação do uso de fontes de energia para ônibus e caminhões que são disponíveis no Brasil.
Ela ressaltou que o Brasil é um dos poucos países que tem quase 100% de geração de energia elétrica por fontes limpas, ou seja, hidrelétricas, o que além de aumentar as vantagens ambientais reduz o preço, sendo atualmente o principal desafio a distribuição da energia elétrica e infraestrutura.
Relembre:
Executivos brasileiros também mostram as vantagens de ônibus elétricos em fórum internacional, destacando o potencial para que o Brasil se torne um exportador desse tipo de veículo.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Yuri Sena
