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ENTREVISTA EM VÍDEO: “PAC da Mobilidade é excelente, mas redução da burocracia tornaria programa mais efetivo”

De acordo com vice da Mercedes-Benz, Walter Barbosa, mais crédito direto aos operadores e menores prazos entre a liberação de recursos e o faturamento dos ônibus estão entre os caminhos para melhorar programas de estímulo à renovação de frota

ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA

Apesar dos benefícios trazidos na renovação de frota e qualificação dos transportes coletivos, programas de incentivo a mobilidade do Governo Federal, como o PAC da Mobilidade e o Refrota, podem melhorar para conseguirem uma efetividade maior.

A opinião é do vice-presidente do segmento de ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, Walter Barbosa, em resposta ao criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, em evento nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026.

De acordo com Barbosa, o PAC da Mobilidade é muito bem-vindo, entretanto o crédito poderia, por exemplo, ser direto ao operador de transporte em diversas linhas.

Segundo o executivo, os volumes liberados são expressivos em reais, mas nem sempre isso é possível se converter em um curto prazo em volumes de ônibus novos para a população, e o motivo disso, de acordo com a avaliação do executivo, é a burocracia. Assim, nem todo recurso disponível acaba sendo empenhado de fato.

Walter Barbosa também citou o Refrota, o programa de financiamento de compra de frota nova de ônibus.

Mesmo havendo a linha para o operador privado, o vice-presidente da Mercedes-Benz aponta um longo prazo entre a aprovação do financiamento, a liberação do recurso e o faturamento do veículo, isso sem contar com a fabricação do ônibus. Tudo isso, de acordo com Walter Barbosa, poderia ser melhorado.

O Diário do Transporte tem mostrado as liberações dos recursos do PAC para a renovação de ônibus tanto a diesel menos poluente Euro 6 como com outras fontes de tração, como elétricos e a biometano.

Walter Barbosa ainda defende a ampliação do diálogo entre a indústria, os operadores e o Governo Federal.

O executivo também lembra que muitas vezes as prefeituras são responsáveis pelas licitações de compras de ônibus, justamente porque é dinheiro de ente público para ente público, mas nem sempre elas têm a capacitação técnica para formular um edital de aquisição de veículos.

Confira na íntegra o que disse o vice-presidente do segmento de ônibus da Mercedes-Benz, Walter Barbosa, em resposta a Adamo Bazani:

“Imagine o seguinte, hoje se eu fechar um carro com cliente do Refrota, normalmente isso leva 120 dias até eu conseguir fazer o faturamento. Está ótimo, eu só tenho que agradecer ao programa, mas se a gente puder reduzir essa burocracia, a gente consegue fazer mais carros. Por exemplo, o PAC da Mobilidade ajuda? Lógico que ajuda, 35 bilhões liberados, 10 bilhões em 2024, 4,4 bilhões em 2025, esse ano 2,2 bilhões, mas a gente não consegue utilizar esse recurso na sua totalidade devido a essas questões burocráticas. E vou dar um exemplo, o PAC da Mobilidade, normalmente o recurso sai do governo para o governo, e esse município que recebe o recurso, ele precisa muitas vezes fazer uma licitação, e ele não tem o conhecimento de como fazer essa licitação, tem operadores já com contrato de concessão naquele município, então eu acho assim, óbvio que toda e qualquer ajuda é sempre muito bem-vinda, o PAC da Mobilidade, lógico que ajuda, mas a gente tem que trabalhar formas de reduzir os processos burocráticos para gerar um volume maior.”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte

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