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Companhia Paulista de Parcerias destaca projetos de transporte público e mobilidade sobre trilhos em portfólio de PPPs e concessões de São Paulo

Relatório da Administração referente a 2025 mostra avanço na estruturação de projetos como VLTs de Campinas e Sorocaba, Linha 16-Violeta, lotes ferroviários metropolitanos e novas etapas dos Trens Intercidades; companhia também ampliou garantias para contratos ligados ao setor

ALEXANDRE PELEGI

A Companhia Paulista de Parcerias (CPP), estatal vinculada ao Governo de São Paulo e responsável por apoiar a modelagem e a viabilização de concessões e parcerias público-privadas, colocou o transporte público no centro de sua atuação em 2025. De acordo com o Relatório da Administração publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo desta quinta-feira, 02 de abril de 2026, a empresa concentrou parte relevante de seu portfólio em projetos de mobilidade urbana, transporte metropolitano e infraestrutura de deslocamento de passageiros.

Segundo o documento, entre os empreendimentos em estruturação estão os lotes ferroviários metropolitanos Alto Tietê e ABC-Guarulhos, os projetos de mobilidade urbana sobre trilhos VLT Campinas, VLT Sorocaba e Linha 16-Violeta, além de iniciativas ligadas a travessias aquaviárias e aos futuros eixos dos Trens Intercidades.

O relatório mostra que, no conjunto de todos os setores atendidos pela CPP, foram realizadas em 2025 11 consultas públicas, 43 audiências públicas em 23 municípios, 5 publicações de editais, 4 leilões e 5 celebrações contratuais, com investimentos contratados estimados em aproximadamente R$ 29,4 bilhões.

No campo dos transportes, um dos principais destaques foi o leilão, em março de 2025, do Lote Alto Tietê – Linhas 11, 12 e 13, com concessão de 25 anos e investimentos previstos de cerca de R$ 14,3 bilhões.

Também aparecem entre os certames concluídos no exercício o Túnel Santos-Guarujá, com investimentos estimados em R$ 6,8 bilhões ao longo de 30 anos, o Lote Paranapanema, com cerca de R$ 5,8 bilhões, e a PPP das Travessias Hídricas, com previsão de R$ 2,5 bilhões em 20 anos.

Embora o balanço trate da atuação global da companhia, o texto deixa claro que a mobilidade tem peso estratégico na carteira. Para 2026, a própria CPP aponta, entre os eventos subsequentes e prioridades operacionais, o avanço da modelagem e da viabilização dos Trens Intercidades Eixos Leste e Sul, dos VLTs de Campinas e Sorocaba, da expansão da malha metroferroviária na Região Metropolitana e da Estrada de Ferro Campos do Jordão.

Outro dado relevante para o setor é a ampliação das garantias prestadas pela CPP. Ao final de 2025, o montante total de garantias alcançava aproximadamente R$ 1,938 bilhão, somando penhor de cotas de fundos de investimento e fianças. Parte desses recursos está vinculada diretamente a contratos com impacto sobre o transporte público e a mobilidade.

Entre as garantias destacadas nas notas explicativas está a da PPP da RMBS – ônibus + VLT, ligada ao Sistema Integrado Metropolitano da Baixada Santista. O saldo final vinculado a essa garantia chegou a R$ 30,1 milhões em 31 de dezembro de 2025, ante R$ 26,8 milhões no ano anterior.

A CPP também mantém garantias associadas à Linha 6-Laranja do Metrô, cujo saldo vinculado alcançou R$ 565,9 milhões no fim de 2025. Além disso, o relatório cita, em outra modalidade, a atuação da companhia como fiadora em contrato originalmente relacionado à modernização da frota da Linha 8-Diamante da CPTM, depois transferido para a Linha 11-Coral.

No campo financeiro, a estatal registrou receita operacional líquida de R$ 83,42 milhões, ante R$ 21,61 milhões em 2024. Já o lucro líquido chegou a R$ 220,71 milhões, crescimento de 23,4% na comparação anual. Segundo a administração, o resultado foi favorecido pela maior participação da companhia na estruturação de projetos de concessão e PPP, além do efeito da taxa Selic mais elevada sobre as aplicações financeiras.

O relatório também traz um ponto novo ligado à operação do sistema de pedágio eletrônico sem praças físicas. Desde agosto de 2025, a CPP passou a operacionalizar a movimentação de recursos decorrentes de multas do Free Flow, no âmbito do artigo 209-A do Código de Trânsito Brasileiro. Em dezembro de 2025, os valores administrados nessa frente somavam R$ 343,5 milhões, sem impacto patrimonial direto para a companhia, segundo o documento.

Para o transporte público paulista, o balanço reforça que a CPP vem funcionando não apenas como braço técnico de modelagem de projetos, mas também como estrutura de suporte financeiro e garantidor para contratos de grande porte. Na prática, isso significa que parte importante dos projetos de trens, metrô, VLT, ônibus metropolitanos e travessias de passageiros que o Estado pretende licitar ou implementar passa pela atuação da empresa.

No trecho final das notas explicativas, a companhia afirma que os projetos de PPP em estágio avançado e que poderão receber novas garantias incluem o Lote Paranapanema, o Sistema de Travessias Hídricas e o Túnel Imerso Santos-Guarujá. Embora este último seja uma ligação multimodal, o próprio documento ressalta que o empreendimento foi concebido para atender veículos, transporte público, caminhões, ciclistas e pedestres.

Assim, ainda que a CPP tenha atuação transversal em várias áreas de infraestrutura, o balanço de 2025 mostra que uma parcela expressiva da agenda paulista de mobilidade e transporte coletivo segue apoiada na estruturação técnica e financeira conduzida pela empresa.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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