Novo modal apresentado nesta terça-feira (31) opera de forma transitória, com transporte de passageiros disponível de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h; futura linha 20-Rosa conectará a capital as cidades de São Bernardo do Campo e Santo André, no ABC Paulista
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Colaborou Adamo Bazani
Nesta terça-feira, 31 de março de 2026, o governador Tarcísio de Freitas inaugurou a linha 17-Ouro de monotrilho, que passa a integrar o Metrô de São Paulo. O usuário do transporte sobre trilhos agora contará com uma conexão entre o Aeroporto de Congonhas e a rede metroferroviária, pelas linhas 9-Esmeralda (Morumbi) e 5-Lilás (Campo Belo).
De acordo com o Governo do Estado, foram investidos R$ 5,97 bilhões no ramal de 6,7 quilômetros de extensão. A previsão é de que a linha 17-Ouro atenda cerca de 100 mil passageiros por dia quando atingir a operação plena, planejada para outubro.
Durante a cerimônia, Tarcísio autorizou a expansão do modal com quatro novas estações: Américo Maurano, Vila Paulista, Panamby e Paraisópolis. Serão mais 4,6 quilômetros de extensão até Paraisópolis e que permitirão a baldeação para a linha 4-Amarela.
Questionado sobre a futura linha 20-Rosa, que fará a ligação entre a capital e o ABC Paulista, o governador disse que o projeto deverá ser entregue até o final de 2026.
“É um projeto que deve ser concluído no final deste ano, e a partir do momento que a gente tem o projeto na mão, a gente vai iniciar a contratação de obra. Essa contratação de obra deve acontecer em 2027, a gente vai ter 4, 5 anos de obra, para ter esse metrô concluído, com um detalhe. Obviamente, como todas as obras de metrô, a gente vai fazer faseada, e a gente vai procurar fazer as interligações para já ir conectando pessoas. E qual é a estratégia? E foi por isso que a gente se preocupou muito com a questão do pátio no ABC, e portanto com a desapropriação, a Declaração de Utilidade Pública de uma parte da fábrica da antiga fábrica da Ford, para que ela funcione como pátio e a gente possa começar a obra de São Bernardo do Campo em direção à cidade. Ou seja, a gente vai fazer a ligação do ABC, a gente começa pelo ABC, para já conseguir conectar o cidadão do ABC, para depois pensar na chegada, para chegar em Santa Marina”, declara Tarcísio.
Linha 17-Ouro
O monotrilho da linha 17 foi um projeto que integrava a matriz de mobilidade para a Copa do Mundo no Brasil em 2014 e foi concebida, inicialmente, para ser mais ampla e atender a uma demanda maior. Deveria ter sido entregue até o mundial, mas acabou enfrentando diversas situações de engenharia, como necessidades de mudanças de projetos e encontros de galerias, legais, como contestações judiciais sobre licitações envolvendo obras e fornecimento, além de esclarecimentos junto ao TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) e até empresariais, como a falência da fornecedora tailandesa de trens Scomi. Agora as composições são de responsabilidade da chinesa BYD, a mesma que faz ônibus elétricos.
O projeto original da Linha 17-Ouro previa 17,7 quiômetros ligando Jabaquara (Linha 1-Azul) a São Paulo-Morumbi (Linha 4-Amarela), com uma demanda de 300 mil passageiros por dia.
Nesta fase, entretanto, serão apenas 6,7 quiômetros (Washington Luís, Congonhas, Brooklin Paulista, Vereador José Diniz, Campo Belo, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e Morumbi). Ainda de acordo com Tarcísio de Freitas, o monotrilho da linha 17 vai inicialmente operar das 10h às 15h, só indo até Congonhas, com quatro trens. Somente depois a operação será até o ramal a Washington Luiz.
Apesar de menor e com capacidade reduzida, o sistema de trens leves em elevados vai ficar bem mais caro, passando de R$ 3,7 bilhões, quando foi estimado, para R$ 6,2 bilhões.
Início das operações
Nesta fase inaugural, o ramal realizará operação transitória, com transporte de passageiros disponível de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h. Excepcionalmente nesta terça, por conta da cerimônia de inauguração, a Linha 17 vai abrir ao público das 16h às 20h.
A linha começa a funcionar com a circulação de dois trens, com tempo de espera médio entre 7 e 14 minutos, em formato de shuttle (cada composição vai e volta pela mesma via, em ambas as vias), entre o Aeroporto de Congonhas e a Estação Morumbi. As viagens contarão com a supervisão de funcionários embarcados, procedimento padrão nas novas linhas de metrô.
A operação transitória permite acompanhamento técnico e regulações dos sistemas e a verificação contínua da confiabilidade operacional. O objetivo é garantir segurança e qualidade no atendimento aos passageiros, do início do serviço até a evolução para a operação em tempo integral, das 4h40 à 0h.
O trajeto vai obedecer parada em sete das oito estações da linha: Morumbi (conexão com a Linha 9-Esmeralda), Chucri Zaidan, Vila Cordeiro, Campo Belo (integração à Linha 5‑Lilás), Vereador José Diniz, Brooklin Paulista e Aeroporto de Congonhas.
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte
Colaborou Adamo Bazani
