Linha 4-Amarela inicia escavações da obra que levará metrô da capital paulista até Taboão da Serra

Projeto de extensão da linha até Taboão da Serra avança para incorporar 50 mil passageiros ao sistema; mais de 300 pessoas já foram contratadas dentro do pacote de 4 mil empregos diretos e indiretos que serão gerados ao longo do empreendimento

VINÍCIUS DE OLIVEIRA

A extensão da Linha 4-Amarela rumo a Taboão da Serra inicia hoje a etapa de escavações. Após as fases de planejamento, contratação e preparação técnica da obra, o empreendimento avança para uma nova etapa de implantação com a abertura das estruturas subterrâneas. Os projetos executivos, por sua vez, seguem sendo elaborados, revisados e aprovados ao longo da execução do empreendimento. O projeto, que marca a primeira vez que o metrô atravessa os limites da capital paulista, segue o cronograma previsto para entregar 3,3 km de novos túneis e duas novas estações. Ao todo, serão mais de R$ 4 bilhões investidos na extensão.

Nesta etapa, as atividades incluem implantação de canteiros, demolições, abertura de acessos técnicos e preparação dos terrenos onde serão construídas as novas estações e demais estruturas operacionais. Ao todo, a obra contará com sete canteiros, sendo um já em operação em Taboão da Serra, enquanto outras frentes seguem em implantação ao longo do traçado.

A iniciativa representa um marco para o sistema metroviário estadual, que desde sua implantação concentrou estações exclusivamente no território da capital. Com cerca de 274 mil habitantes e uma das maiores densidades demográficas do país, Taboão da Serra passa a integrar diretamente a malha de transporte de alta capacidade. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o município é atualmente a cidade mais densa do Brasil, com 13.416 habitantes por km², o que reforça a importância da ampliação da oferta de transporte estruturante na região.

Para o CEO da plataforma de trilhos da Motiva, André Salcedo, o início desta etapa reafirma o compromisso com a mobilidade metropolitana e a qualidade de vida da população. “Levar a Linha 4-Amarela até Taboão da Serra significa estruturar um novo eixo de mobilidade para a Região Metropolitana. É um projeto que encurta distâncias, amplia o acesso ao transporte de qualidade e melhora a qualidade de vida de quem depende do sistema todos os dias”, afirma o executivo. “A obra prevê retirar 33 mil veículos das ruas diariamente e reduzir em 30 minutos o deslocamento de Taboão da Serra para São Paulo, trazendo ganhos ambientais e de qualidade de vida significativos para toda população”, avalia.

Administrada pela plataforma de trilhos da Motiva e executada pelo Consórcio Expresso Linha 4, formado pelas construtoras EGTC e Teixeira Duarte, a extensão contempla a implantação de 13,2 km de trilhos, a utilização estimada de 150 mil m³ de concreto e a execução de mais de 3 mil projetos executivos desenvolvidos especificamente para a obra.

Neste momento, cerca de 300 profissionais já estão diretamente envolvidos nas atividades da extensão, considerando equipes da Motiva, do consórcio construtor, das empresas responsáveis pelos projetos de engenharia e do consórcio certificador. No pico da obra, a estimativa é que aproximadamente 4 mil colaboradores estejam mobilizados nas diferentes frentes de trabalho.

Centros de Atendimento à Comunidade: relacionamento e transparência

Paralelamente ao canteiro de obras, a concessionária inaugura ainda os Centros de Atendimento à Comunidade (CACs) na Vila Sônia e em Taboão da Serra. O objetivo principal dessas unidades é servir como um canal direto de diálogo com moradores e comerciantes da região, garantindo que as informações sobre cronogramas e possíveis impactos sejam compartilhadas de forma clara e transparente. Os centros funcionam como pontos de apoio para esclarecer dúvidas, registrar sugestões e mitigar conflitos, assegurando que a convivência entre a obra e a cidade seja a mais harmoniosa possível.

Além de gerir o relacionamento local, os CACs oferecem uma experiência de imersão tecnológica. Por meio de óculos de realidade virtual, os cidadãos podem visualizar como ficarão as futuras estações e o terminal de ônibus integrado, transformando a expectativa da obra em uma visão concreta de benefício futuro. Essas unidades também são fundamentais para o desenvolvimento econômico local, servindo como ponto de captação de currículos e priorizando a contratação de profissionais da região para os milhares de postos de trabalho abertos pelo projeto.

Serviço

CAC Vila Sônia: Avenida Professor Francisco Morato, 4002 (Acesso A/Terminal) e 4009 (Acesso B)

Horário de Funcionamento: Das 09h às 18h30

CAC Taboão: Rua do Tesouro 730, Taboão da Serra

Horário de Funcionamento: Das 08h às 18h.

Conheça as etapas da obra

Após a assinatura do aditivo contratual em setembro de 2025, que legitimou a concessionária como administradora da obra, diversas etapas técnicas foram realizadas até o início das atividades atuais. Entre os principais avanços, está a conclusão das sondagens geológicas ao longo dos 3,3 quilômetros de extensão, etapa fundamental para garantir a segurança das escavações e a definir com precisão os métodos construtivos que serão aplicados no trecho.

Paralelamente às pesquisas de solo, a extensão mobilizou uma esteira técnica de alta complexidade. Antes do início das obras, o projeto passou por uma etapa de pré-construção e concorrência que contou com a participação de construtoras especializadas em obras subterrâneas. O processo envolveu a avaliação técnica das soluções de engenharia e o avanço dos projetos executivos sob coordenação das equipes de engenharia da Motiva Trilhos, seguindo padrões internacionais de governança e contratação.

Até o momento, já foram desenvolvidos estudos de viabilidade, relatório ambiental e os projetos básicos, que definiram o traçado da extensão e o impacto das novas estações. Durante toda a execução das obras, novos levantamentos complementares serão produzidos, considerando infraestrutura de túneis e subestações de energia até sistemas avançados de sinalização e operação.

A execução da extensão segue padrões internacionais de engenharia e gestão de riscos. A técnica de escavação utilizada é o método NATM (New Austrian Tunnelling Method), que consiste em escavar por etapas com reforço imediato das paredes e monitoramento constante do solo, garantindo total segurança para as edificações vizinhas e para o entorno urbano.

Segundo Ricardo Benício, diretor da Extensão da Linha 4 -Amarela, da plataforma de trilhos da Motiva, a complexidade da intervenção subterrânea exige planejamento técnico detalhado. “Estamos tratando de uma intervenção subterrânea de alta complexidade, que exige planejamento detalhado, matriz de risco bem definida e acompanhamento técnico permanente. A adoção do modelo FIDIC e do método NATM reforça nosso compromisso com segurança, governança e previsibilidade”, explica.

Estações modernas, acessíveis e resilientes às mudanças climáticas

As novas estações foram projetadas com foco em resiliência climática e sustentabilidade. Entre os recursos previstos estão sistemas de drenagem contra enchentes, uso de materiais duráveis, isolamento térmico para reduzir a absorção de calor, iluminação em LED e preparação para instalação de painéis solares. Também haverá captação e reúso de água da chuva, ventilação aprimorada e sensores inteligentes para monitorar temperatura, umidade e fluxo de ar. Essas iniciativas se somam a um diferencial já presente na operação de trilhos da Motiva: o consumo de 100% de energia proveniente de fontes renováveis.

Outro diferencial é a ênfase em acessibilidade e inclusão. As estações contarão com rampas, elevadores, escadas rolantes, sinalização tátil e visual, mapas acessíveis, banheiros adaptados e treinamento da equipe para atendimento a pessoas com deficiência.

Estação Chácara do Jockey contará com dois acessos (pelo parque e pela Av. Prof. Francisco Morato), plataformas laterais de 132 metros, dois elevadores, quatro escadas rolantes, sanitários acessíveis e sala de pronto atendimento. A profundidade média será de cerca de 20 metros em relação ao nível da rua.

Além disso, o projeto prevê mínima intervenção no Parque Chácara do Jockey. Apenas 360 m² da área verde serão afetados, com compensação ambiental realizada no próprio local.

Estação Taboão da Serra, por sua vezserá a porta de entrada do metrô no município. O projeto prevê dois acessos, plataformas amplas também com 132 metros de extensão, dois elevadores, seis escadas rolantes, 17 bloqueios e sanitários acessíveis, além de um terminal de ônibus integrado com capacidade para 22 veículos, ciclovia conectada ao Córrego Poá e bicicletário junto ao acesso principal. Em alguns trechos, a escavação chega a 25 metros de profundidade.

Impacto metropolitano e operacional

A extensão ocorre em um dos principais eixos de deslocamento diário entre a Região Metropolitana e a capital, por onde milhares de moradores passam todos os dias para trabalhar, estudar, entre outras atividades. A conexão direta ao sistema metroviário tende a reduzir a dependência do transporte individual e aliviar a pressão sobre corredores viários estratégicos da zona oeste. A estimativa é que aproximadamente 50 mil novos passageiros passem a utilizar o sistema diariamente. O tempo de deslocamento entre Taboão da Serra e a região central da capital deverá ser de cerca de 30 minutos.

Para absorver o aumento da demanda, a frota da Linha 4-Amarela será ampliada com seis novos trens, pela fabricante chinesa CRRC. A ampliação será acompanhada por ajustes operacionais que permitirão manter os intervalos praticados na linha, mesmo com o crescimento do fluxo de passageiros. A extensão também reforça a integração com as demais conexões da rede metroferroviária, ampliando o alcance do sistema integrado de transporte e contribuindo para uma distribuição mais equilibrada dos fluxos metropolitanos.

Durante a fase de implantação, a estimativa é de geração de cerca de 4 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos, com priorização de mão de obra local. No entorno da futura estação, a expectativa é de estímulo ao desenvolvimento urbano e imobiliário. Após o início da operação, a projeção é de que mais de 33 mil veículos deixem de circular diariamente na região, com potencial redução aproximada de 21 toneladas de CO₂ por dia, considerando a migração modal para transporte de alta capacidade.

Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte

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