Metrô de São Paulo inicia obras do Pátio Paulo Freire para expansão da Linha 2-Verde
Publicado em: 12 de março de 2026
Estrutura com 150 mil m² será construída no Parque Novo Mundo e será fundamental para a ampliação da linha até Guarulhos
YURI SENA
O Metrô de São Paulo deve iniciar no fim de março as obras de implantação do Pátio Paulo Freire, estrutura operacional ligada à Linha 2–Verde do Metrô de São Paulo. O início dos trabalhos está condicionado à emissão das autorizações ambientais pela CETESB.
Localizado na região do Parque Novo Mundo, ao lado da Avenida Educador Paulo Freire, o novo pátio terá área aproximada de 150 mil metros quadrados e contará com 34 vias para trens. O espaço será utilizado para manutenção, limpeza interna e externa das composições, além de inspeções, testes operacionais e funcionamento de setores técnicos, administrativos e subestações elétricas.
A implantação da estrutura é considerada essencial para viabilizar a ampliação da Linha 2-Verde até Guarulhos, projeto que pretende ampliar a oferta de transporte sobre trilhos na região metropolitana.
Antes do início efetivo das obras, a área passa por trabalhos de limpeza e preparação do terreno. Essa etapa inclui a supressão vegetal dividida em dois grupos. O primeiro envolve 432 árvores isoladas ou agrupadas, localizadas principalmente no canteiro central da avenida, sendo 231 nativas, 14 nativas mortas e 187 espécies exóticas.
O segundo grupo corresponde a um maciço de leucenas que ocupa cerca de 6,9 hectares — aproximadamente 70 mil metros quadrados. A leucena (Leucaena leucocephala) é considerada uma espécie invasora, pois forma adensamentos e libera substâncias que dificultam o crescimento de outras plantas, reduzindo a diversidade e impedindo a regeneração de espécies nativas. Por esse motivo, sua remoção é recomendada pela legislação ambiental.
Como compensação ambiental, será realizada a restauração de 16,718 hectares no Parque Natural Municipal Fazenda do Carmo, localizado na Zona Leste da capital. A ação prevê o plantio de espécies nativas e a condução da regeneração natural da vegetação. Essa medida é uma exigência legal e ocorre independentemente do projeto de paisagismo previsto para o próprio pátio.
O projeto também prevê o plantio de cerca de 600 árvores nativas, além de arbustos e gramados dentro da área do empreendimento, contribuindo para a melhoria paisagística do entorno.
Durante os trabalhos, uma equipe multidisciplinar com biólogos e veterinários acompanhará as atividades para realizar o manejo de fauna quando necessário, utilizando técnicas de afugentamento ou captura e encaminhando os animais a centros especializados de reabilitação de fauna silvestre.
Apesar de não ser uma estrutura aberta ao público, o Pátio Paulo Freire terá papel fundamental na operação da linha e deve contribuir indiretamente para melhorias na mobilidade urbana, com ampliação da capacidade do sistema, integração com outros serviços de transporte e redução do tempo de deslocamento dos passageiros.
Yuri Sena, para o Diário do Transporte

