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Biometano ou eletricidade? São José dos Campos (SP) mostra que um pode gerar energia para o outro. Sem brigas

De acordo com prefeitura, “gás do lixo” hoje responde 30% do consumo de energia de prédios públicos, como hospitais e escolas municipais

ADAMO BAZANI

Enquanto, no mercado de transportes e geração de energia, refletindo já no período pré-eleitoral, biometano/GNV e eletromobilidade correm o risco caírem na rivalidade do clima de “fla x flu”, é possível que, na prática, um colabore com o outro, resultando em medidas sustentáveis de fato: do ponto de vista ambiental, é verdade, mas também atendendo a outros pilares da sustentabilidade, que são o econômico e o social.

Pelo menos é o que quer provar uma cidade do interior de São Paulo.

Nesta segunda-feira, 09 de março de 2026, a prefeitura de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, enviou nota oficial ao Diário do Transporte, com o seguinte balanço: uma usina de biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos) ajudou o município a economizar quase R$ 2,8 bilhões (R$ 2.798.399,38) em 2025 nas contas de eletricidade, gerando energia limpa e reduzindo a emissão de gás metano (CH4).

Segundo a administração municipal, o resultado corresponde  a 40% dos custos do município com a rede elétrica. Essa economia permitiu que R$ 233 mil mensais deixassem de ser pagos às concessionárias de energia para serem revertidos em outras áreas prioritárias da cidade.

Ainda de acordo com a gestão, o “gás do lixo” hoje responde 30% do consumo de energia de prédios públicos, como hospitais e escolas municipais.

A unidade de geração de energia fica no aterro sanitário e é operada pela Urbam, que é a empresa de gestão da prefeitura. A estrutura utiliza seis motores com capacidade de 1,6 MWh.

A prefeitura ainda relembrou que o metano é um poluente agressivo, que é liberado na decomposição é 21 vezes mais impactante para o aquecimento global do que o dióxido de carbono (CO2). Em vez de permitir que esse gás escape para a atmosfera e contribua com o aquecimento global, a unidade de biogás o captura e o converte em energia limpa.

A unidade ainda não abastece os ônibus elétricos da cidade, mas com a ampliação, a estimativa é colaborar.

A aposta do município, que diz que tem colhido resultados econômicos, sociais e ambientais, é que a geração de energia elétrica tenha diversas fontes, enquanto os ônibus propriamente dito, sejam elétricos, uma vez que a administração constatou que ao longo da vida útil, estes veículos têm custos operacionais menores que os modelos a diesel ou mesmo movidos a biometano, emitem zero poluição no funcionamento local e têm índices de ruídos e vibração bem menores, inclusive na comparação com os coletivos a biometano ou GNV  (Gás Natural Veicular). Os passageiros têm preferido os ônibus elétricos não apenas pelas emissões, mas, principalmente pelo conforto, que é maior que de outros modelos.

A cidade tem investido na eletrificação da frota do transporte coletivo municipal. Como tem mostrado o Diário do Transporte, a prefeitura tem recebido gradativamente os ônibus elétricos de piso baixo por meio de um contrato de locação de 400 veículos deste tipo, desde o ano de 2025, e possui já 12 coletivos articulados também elétricos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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