Policia Civil do RJ faz operação contra fraude no cartão Jaé; criminosos geram rostos com inteligência artificial

Esquema que cria cartões de gratuidade para idosos que não existem gerou prejuízo superior a R$ 60 mil

ARTHUR FERRARI

A Polícia Civil do RJ deflagrou nesta terça-feira (3) uma operação para investigar um esquema de fraudes no Jaé, sistema de bilhetagem eletrônica utilizado nos transportes municipais do Rio de Janeiro (RJ). O prejuízo estimado ultrapassa R$ 64 mil.

De acordo com as apurações, os investigados utilizavam ferramentas de inteligência artificial para gerar imagens faciais fictícias e, com isso, criar cadastros irregulares de gratuidade sênior na plataforma. Além das fotos falsas, eram inseridos números de CPF inexistentes e documentos adulterados para viabilizar a emissão dos cartões.

A ação é conduzida pela Delegacia de Defraudações, que cumpriu mandados de busca contra quatro alvos: André Luís da Silva, Arthur de Souza Oliveira, Daniel dos Santos Rodrigues e Gabriella Cristina Vieira Barbosa dos Santos.

Segundo a investigação, os quatro atuavam como supervisores e atendentes terceirizados nos postos de atendimento do Jaé e validavam os cartões fraudulentos. Eles eram vinculados à empresa Acerio, contratada para o atendimento ao público. Já a CBD Bilhete Digital, responsável pelo cadastramento das gratuidades e emissão dos cartões, identificou inconsistências no sistema e comunicou as autoridades.

As apurações apontam ainda que as validações ocorriam principalmente fora do horário regular de funcionamento, em especial entre 21h e 6h. Apenas uma das investigadas teria validado 75 cartões com imagens geradas por inteligência artificial.

Os cartões eram repassados a terceiros, que utilizavam o transporte municipal gratuitamente, mesmo com biometrias incompatíveis com os dados cadastrados, o que levantou suspeitas e levou ao aprofundamento das análises internas.

Desde agosto do ano passado, o Jaé passou a ser o sistema exclusivo de pagamento nos ônibus regulares da capital, além do BRT, VLT, vans e “cabritinhos”. O metrô também aceita o cartão.

Com o cumprimento dos mandados, a Polícia Civil busca identificar outros possíveis envolvidos e usuários dos cartões de gratuidade falsificados, além de dimensionar a extensão total do prejuízo causado ao sistema.

Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

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