Licitação de ônibus de Jundiaí (SP) tem Sancetur, Belarmino (Rápido Sumaré) e Jundiaiense como interessadas
Publicado em: 25 de fevereiro de 2026
Empresa local ofereceu melhor proposta financeira, mas ainda faltam análises de documentações técnicas e planos de negócios. Belarmino e Chedid já “se cruzaram” hoje em licitação de Campinas (SP)
ADAMO BAZANI
A licitação dos transportes por ônibus municipais em Jundiaí, no interior de São Paulo, recebeu nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, propostas de três empresas: Viação Jundiaiense Ltda, que já atua no município, Sancetur – Santa Cecília Turismo Ltda, da família Chedid, e Rápido Sumaré Ltda, do Grupo Belarmino.
De acordo com a prefeitura, a companhia que ofereceu melhor oferta financeira, com a menor tarifa de remuneração, foi a Jundiaiense.
Mas não significa ainda que a empresa possa ser considerada vencedora.
Ainda falta a análise da documentação de habilitação e do plano de negócios da empresa melhor classificada.
A administração municipal, por meio de nota, explicou que caso os requisitos não sejam atendidos, será realizada a avaliação da proposta comercial da segunda colocada, e assim sucessivamente.
A expectativa é de que o anúncio final da empresa vencedora seja feito em até cinco dias úteis a partir da abertura dos envelopes.
Como mostrou o Diário do Transporte, ainda nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, Belarmino e Chedid já “se cruzaram” em outra licitação, bem maior, inclusive: a de Campinas, também no interior, onde os contratos de 15 anos são avaliados em torno de R$ 11 bilhões no sistema que será dividido em dois lotes. A concorrência agora também está em fase de análise, com o prosseguimento marcado para 05 de março de 2026. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2026/02/25/licitacao-de-onibus-de-campinas-recebe-propostas-de-cinco-grupos-entre-as-quais-da-sancetur-e-de-operadores-locais-como-belarmino-itajai-e-campibus/
JUNDIAIENSE:
De acordo com a Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo), a Viação Jundiaiense Ltda tem como sócios, Antonio Russo Filho, Bruna Roberta Russo Filomeno e Auto Ônibus Três Irmãos.
Formalmente, a constituição vigente da Jundiaiense é de outubro de 1985, mas a família tem atuação anterior nos transportes da região, desde os anos de 1950. A empresa recebeu a primeira denominação de Jundiaiense em 1966.
GRUPO BELARMINO (RÁPIDO SUMARÉ)
O Grupo Belarmino, que já atua nos transportes municipais de Campinas, tem como fundador o empresário português Belarmino de Ascenção Marta, é um dos maiores conglomerados do setor, em especial no Estado de São Paulo. Nascido em Vilar de Rei, na região de Trás-os-Montes, em Portugal; em 15 de agosto de 1937, Belarmino começou no ramo de transportes, na capital paulista, em 1961, juntamente com cunhado Antonio José Fonseca e amigos, fundando a Auto Viação Brasil Luxo.
A família de Belarmino possui controle total único, sociedade ou participação em empresas como: Sambaíba Transportes Urbanos (a segunda maior frota da cidade de São Paulo, com 1,3 mil ônibus), ConSor – Consórcio Sorocaba, Comercial Sambaíba de Viaturas, Empresa Bragantina de Varrição e Coleta de Lixo – Embralixo, Empresa São José, MoV Vinhedo – Rápido Sumaré, MoV Paulínia – Rápido Sumaré, MoV São João da Boa Vista – Rápido Sumaré, MoV Nova Odessa – Rápido Sumaré, MoV Louveira – West Side, MoV Itu – West Side, MoV Avaré – West Side, MoV Boituva – West Side, MoV Sumaré – Viação Ouro Verde, MoV Monte Mor – Rápido Campinas, MoV Franca (no lugar da São José), Nossa Senhora de Fátima Auto Ônibus, Rápido Luxo Campinas, Rápido Sumaré, Transportes Capellini, ValleSul Transportes e Turismo, VB Transportes e Turismo, VBex Encomendas, VB Cargas, Viaje Mais, Viação Atual, Viação Avante, Viação Campo dos Ouros (Guarulhos-SP), Viação Itu, Viação Lira (LiraBus), Viação Ouro Verde, Viação Transguarulhense, Vila Real Transportes e Serviços, West Side Viagens e Turismo, Monte Alegre Agência de Turismo, entre outras.
SANCETUR:
A Sancetur é controlada pela família Chedid, considerada poderosa nos transportes. Atua em mais de 20 cidades, em especial no interior e no litoral de São Paulo, mas também está em sistemas de outros estados, como na cidade do Rio de Janeiro. Com a marca SOU (Sistema de Ônibus Urbanos) ao lado do nome da cidade correspondente, tem ganhado cada vez mais espaço em licitações ou contratos emergenciais.
Recentemente, ia dar um dos passos mais ousados do Grupo Chedid, ao assumir a gigante operação da Transwolff, na capital paulista, com 1206 ônibus, 111 linhas e 555 mil passageiros por mês, na zona Sul. A Transwolff foi descredenciada do sistema de transportes da cidade de São Paulo após ter sido alvo de uma Operação do Ministério Público de São Paulo que investiga possível ligação da empresa, que surgiu da cooperativa Cooperpam, com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Mas após instabilidades na transição dos contratos, desistiu do negócio, que chegou a ser anunciado em fevereiro de 2026 pelo prefeito Ricardo Nunes. A onda de ataques a 1,5 mil ônibus em São Paulo que ocorreu entre junho e agosto de 2025 foi atribuída pela Polícia Civil a esta mudança contratual.
MODELO PARA O SISTEMA DE ÔNIBUS DE JUNDIAÍ:
O sistema de Jundiaí será operado em lote único e a concessão serão por 15 anos podendo ser prorrogada por mais 15.
Ainda de acordo com a administração municipal, nos primeiros anos de concessão, terão de ser colocados 100 ônibus 0 km, o que corresponde a 60% da frota, entre padrons, básicos e articulados, todos com ar-condicionado movidos a diesel. Ao todo, pelo menos 75% da frota deve ser refrigerada.
O edital abre possibilidade para inclusão de modelos menos poluentes, como elétricos e GNV (Gás Natural Veicular) e biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos), além de biodiesel.
Dois modelos elétricos e dois GNV/biometano ou biodiesel devem ser testados nos primeiros meses de concessão para escolha de alternativas ao diesel no sistema.
A idade máxima dos ônibus deve ser de 10 anos ao longo da concessão, com média de cinco anos.
A rede de linhas deve passar por alterações, com a criação de itinerários e retirada de outros. Um transporte coletivo sob demanda também é possível, com solicitações por aplicativo ou por meio de linhas fixas.
Como mostrou o Diário do Transporte, a cidade de Santo André, no ABC Paulista, criou uma linha de ônibus fixa regular com o conceito de transporte sob demanda. Roteirizada a partir de dados da bilhetagem eletrônica (embarque e reembarque/desembarque), de aplicativos de transporte individual e solicitações diretas de passageiros, a linha B45 (Bairro Paraíso – Hospital Mário Covas/Vila Luzita – Jardim Represa) liga mais de 10 unidades de saúde no município.
Chamada de “Circular da Saúde”, a linha B45 foi o serviço de ônibus urbanos com melhor avaliação do País, de acordo com levantamento do Instituto Paraná Pesquisas.
Relembre:
O edital prevê ainda a remuneração por tarifa, com a possibilidade de subsídios.
A companhia que for declarada vencedora deverá oferecer aplicativo de previsão de horários para os passageiros, sistema de monitoramento e vai cuidar da bilhetagem eletrônica.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

