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Consórcio vence supervisão das obras do BRT Aricanduva por R$ 8,05 milhões

Serviço inclui supervisão técnica e administração contratual independente da obra, em modelo exigido por financiadores internacionais

ALEXANDRE PELEGI

A Prefeitura de São Paulo homologou o resultado da licitação para a contratação de serviços técnicos especializados de engenharia destinados ao acompanhamento técnico e à supervisão das obras do Corredor BRT Aricanduva.

O Consórcio LBR – Planal – Triangulaire, formado pelas empresas LBR Engenharia e Consultoria Ltda, Planal Engenharia Ltda e Triangulaire Engenharia Ltda, foi declarado vencedor do certame, com valor global de R$ 8.052.669,79, com data-base de março de 2025.

O contrato terá prazo de 24 meses e prevê a prestação de serviços técnicos especializados em engenharia para fiscalização, acompanhamento técnico e supervisão da obra do corredor, incluindo a administração contratual independente, em conformidade com padrões internacionais adotados em projetos de infraestrutura de grande porte.

O objeto é parcialmente financiado pelo Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), o que exige metodologias consolidadas de governança, controle técnico, gestão de riscos e tratamento formal de pleitos e disputas contratuais.

Nesse modelo, a empresa contratada atua de forma independente tanto da administração pública quanto das construtoras responsáveis pela execução, exercendo papel central na validação de medições, certificação de pagamentos, análise de cronogramas, avaliação de prazos e controle da qualidade dos serviços executados.

Supervisão socioambiental já contratada

Além da supervisão técnica agora homologada, a SPObras já homologou contrato no valor de R$ 22,4 milhões para a supervisão socioambiental das obras do BRT Aricanduva. Essa contratação é voltada ao monitoramento dos impactos ambientais e sociais do empreendimento, em linha com as exigências de projetos financiados por organismos multilaterais.

A atuação conjunta entre fiscalização técnica, administração contratual e supervisão socioambiental é considerada fundamental para a execução de obras de grande porte, especialmente em corredores urbanos com elevada interferência viária e impacto direto sobre comunidades do entorno.

Obras já têm lotes definidos, valores e trechos estabelecidos

O BRT Aricanduva já ingressou na fase contratual das obras, com a assinatura de pré-contratos entre a Prefeitura de São Paulo e os consórcios vencedores dos quatro lotes do empreendimento. Esses instrumentos funcionam como etapa preparatória à formalização definitiva dos contratos, permitindo o avanço dos trâmites técnicos e a mobilização inicial das empresas.

Lote 1
Trecho: da Avenida Radial Leste até a Rua Astarte (≈ 2,85 km)
Valor: R$ 172,6 milhões
Responsável: Consórcio DPE Aricanduva (DP Barros, Paulitec e Era Técnica)

Lote 2
Trecho: da Rua Astarte até a Avenida Marapanim (≈ 3,4 km)
Valor: R$ 181,4 milhões
Responsável: Consórcio DPE Aricanduva (DP Barros, Paulitec e Era Técnica)

Lote 3
Trecho: da Avenida Marapanim até a Rua Vila Boa de Goiás (≈ 3,5 km)
Valor: R$ 161,2 milhões
Responsável: Consórcio FAK Aricanduva (FBS, Kamilos e Casamax)

Lote 4
Trecho: da Rua Vila Boa de Goiás até a Rua Felisberto Fernandes da Silva (≈ 3,9 km)
Valor: R$ 131,4 milhões
Responsável: Consórcio SHA Mobilidade Aricanduva (Souza Compec, Heca e Arvek)

Os contratos das obras também têm prazo de 24 meses e, após a apresentação das garantias exigidas, devem ser formalizados definitivamente para o início efetivo das frentes de trabalho.

Projeto entra em fase mais concreta

Com 13,6 km de extensão, o BRT Aricanduva terá início na intersecção da Avenida Radial Leste com a Avenida Aricanduva, seguirá acompanhando o traçado do Rio Aricanduva e, posteriormente, da Avenida Ragueb Chohfi, até a região do Terminal São Mateus da EMTU, nas proximidades da Praça Felisberto Fernandes da Silva. O empreendimento beneficiará diretamente cerca de 290 mil passageiros por dia e aproximadamente 1 milhão de pessoas de forma indireta.

O BRT Aricanduva será um componente essencial da malha de transporte público paulistana, promovendo integração entre diferentes modais. O corredor fará conexão com a Linha 3–Vermelha do Metrô, as Linhas 11–Coral e 12–Safira da CPTM, a futura extensão da Linha 2–Verde do Metrô, a Linha 15–Prata do Monotrilho, além dos corredores de ônibus Radial Leste e Itaquera.

Implantado no sistema BRT (Bus Rapid Transit), o corredor contará com pistas no canteiro central em pavimento rígido (concreto), faixas de ultrapassagem nas paradas, pavimento flexível (asfalto) nas demais faixas, além de ciclovia e passeios acessíveis.

Serão implantadas 46 estações de embarque e desembarque, com espaçamento médio de 600 metros. As estações serão fechadas, possibilitando a cobrança de tarifa fora do ônibus, e contarão com portas automáticas, banheiros, sistema de combate a incêndio, rotas de fuga e acesso à internet via Wi-Fi. As plataformas terão acessibilidade plena, com piso tátil, rampas e embarque em nível, além da implantação de Salas de Apoio Operacional (SAP) em cada estação.

O projeto prevê a implantação de um avançado Sistema Inteligente de Transporte (ITS), com monitoramento contínuo de todo o corredor. A tecnologia permitirá a supervisão em tempo real da operação dos ônibus e do tráfego, garantindo mais eficiência e redução do tempo de espera dos passageiros.

Entre os recursos previstos estão a bilhetagem desembarcada, informações em tempo real aos usuários sobre horários e eventuais ocorrências, portas de plataforma automatizadas compatíveis com diferentes tipos de ônibus, além de sistemas de sonorização e avisos visuais.

O sistema de CFTV com vídeos analíticos reforçará a segurança nas estações, auxiliando na prevenção de crimes e no combate ao assédio, especialmente contra mulheres. A geração de dados estatísticos em tempo real também vai apoiar a tomada de decisões e o aprimoramento contínuo do serviço.

As estações contarão com placas solares, promovendo economia energética. O corredor terá ainda sinalização semafórica inteligente, interligada por fibra ótica ao Centro de Controle Operacional do Corredor (COP).

O projeto inclui a implantação de ciclovia e passeio acessível ao longo de todo o trajeto, em ambos os lados do Rio Aricanduva, além de tratamento paisagístico e urbanístico. Para reforçar a segurança dos ciclistas, serão instalados totens com botões de emergência, câmeras e comunicação direta com as estações e a central de controle.

Com esse conjunto de intervenções, o BRT Aricanduva representa um avanço significativo na mobilidade urbana da zona leste, promovendo integração, eficiência, segurança e qualidade de vida para a população.

Com os lotes definidos, valores estabelecidos, supervisão técnica homologada e fiscalização socioambiental já contratada, o BRT Aricanduva entra em uma fase mais concreta de implantação. A combinação entre execução física, administração contratual independente e monitoramento ambiental e social atende às exigências de governança de projetos com financiamento internacional.

O corredor deverá reorganizar o transporte coletivo em um dos principais eixos viários da zona leste de São Paulo, com impacto direto na mobilidade urbana de uma das regiões mais populosas da cidade, ampliando a capacidade, a regularidade e a confiabilidade do sistema de ônibus.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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