Greve de rodoviários chega ao sétimo dia e mantém transporte coletivo afetado em São Luís (MA)
Publicado em: 5 de fevereiro de 2026
Paralisação segue sem acordo após audiências, decisões judiciais e atuação do MPT; serviço semiurbano retomado
ARTHUR FERRARI
A greve dos trabalhadores do transporte coletivo de São Luís (MA) e municípios da Região Metropolitana entrou no sétimo dia sem previsão de normalização integral do serviço. A paralisação mantém parte significativa das operações comprometidas, afetando centenas de milhares de passageiros que dependem dos ônibus para deslocamentos diários.
O movimento ocorre em meio ao impasse nas negociações salariais entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Maranhão (Sttrema) e o Sindicato das Empresas de Transporte (SET). A categoria reivindica reajuste de 16% para motoristas e cobradores e de 18% para profissionais que exercem dupla função. Em tratativas posteriores, os trabalhadores indicaram aceitar índice unificado de 15%, além de tíquete-alimentação de R$ 1.500, inclusão de dependentes em plano de saúde e cumprimento integral da Convenção Coletiva.
As empresas, por sua vez, apresentaram inicialmente proposta de 2%. Em audiência realizada no Salão Nobre do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-16), no bairro Areinha, foi discutido reajuste de 12% para todas as funções. O percentual chegou a ser aceito pelos rodoviários, mas as viações solicitaram prazo para análise de impactos financeiros, alegando atrasos e insuficiência nos repasses de subsídios — argumento contestado pelo poder público.
Decisões judiciais determinaram a manutenção de percentual mínimo da frota em circulação, mas, segundo autoridades, a ordem não vem sendo cumprida integralmente. Diante disso, o Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou dissídio coletivo de greve no TRT-MA, solicitando reajuste provisório de 6% como forma de viabilizar acordo. O órgão também pediu garantia de 80% dos veículos operando e multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.
Ainda conforme o MPT, as negociações não avançaram por divergências financeiras envolvendo subsídios e tarifas. Houve entendimento apenas no sistema semiurbano, enquanto o serviço urbano permanece paralisado. O órgão requereu, adicionalmente, medidas para impedir bloqueios de vias e garagens ou qualquer ação que dificulte a circulação dos ônibus.
A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) informou, em nota: “O compromisso do Município de São Luís com o pagamento do subsídio ao sistema de transporte público encontra-se em dia. Informa, ainda, que desde a manhã de ontem foram liberados vouchers para corridas por aplicativo aos usuários do transporte público, enquanto perdurar a greve e que serão pagos respeitando a decisão do STF. Por fim, a SMTT espera que empresários e rodoviários cheguem a um entendimento o mais breve possível, a fim de restabelecer a regularidade do serviço de transporte público oferecido à população”, segundo a SMTT.
A Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) também se posicionou: “A Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) informa que o subsídio estadual está sendo pago regularmente, dentro dos prazos estabelecidos. Esclarece que as questões trabalhistas são de responsabilidade das empresas operadoras, conforme previsto nos contratos de concessão. No mais, a MOB segue em diálogo com os sindicatos e adota, dentro de suas competências legais, as medidas cabíveis para contribuir com a retomada do serviço o quanto antes”, informou a MOB.
Uma nova audiência está prevista para quinta-feira (5), quando deve voltar à pauta a discussão sobre subsídios repassados ao sistema. Até o momento, não há definição sobre o encerramento do movimento.
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

