Programa analisa articulações políticas e fontes de custeio para a mobilidade urbana, com debates sobre transporte ferroviário, rodoviário e segurança viária
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ALEXANDRE PELEGI
O Podcast do Transporte entrou no ar nesta quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026, com o episódio 133, trazendo um panorama dos bastidores das articulações em curso no Congresso Nacional para destravar o Marco Regulatório da Mobilidade Urbana e ampliar os recursos destinados ao custeio do transporte público nas cidades brasileiras.
No programa, Alexandre Pelegi acompanha conversas com João Lucas Albuquerque Oliveira, gerente de Mobilidade Urbana da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), e com Ronan Araújo Bento de Castro, analista legislativo, que detalham os próximos passos do tema no Legislativo e os desafios para garantir que os recursos cheguem aos municípios de forma estruturada, com critérios claros e sem distorções.
Segundo os convidados, já há um pedido de urgência apresentado por entidades representativas do setor de transportes, que agora depende de avaliação das lideranças da Câmara dos Deputados. Caso seja acolhido, o Marco Regulatório poderá seguir diretamente para votação em plenário.
Eles avaliam que cresce entre os parlamentares a percepção da importância política e eleitoral do apoio ao transporte público, inclusive por meio de emendas parlamentares direcionadas ao custeio direto da mobilidade urbana. Ao mesmo tempo, prefeitos e gestores municipais demonstram preocupação com a necessidade de regras claras, transparência e mecanismos de fiscalização para evitar o mau uso dos recursos.
Nesse contexto, os especialistas citam como referência modelos já consolidados em outras políticas públicas, como saúde e educação, que contam com sistemas estruturados de acompanhamento e dados, a exemplo do SUS e do Inep. Como subsídio técnico ao debate, eles mencionam o Indicador de Financiamento e Equidade Municipal (IFEM), lançado no final de 2025, que revela distorções na atual distribuição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Trem Intercidades avança entre São Paulo e Campinas
Outro destaque do episódio é o projeto do Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas. Márcia Pinna, da Technibus, traz atualizações sobre o cronograma, com expectativa de início das obras em maio de 2026.
Pedro Moro, CEO da TIC Trens, detalha os avanços no trecho Jundiaí–Campinas e os desafios técnicos relacionados à compatibilização da operação com a malha da MRS Logística, responsável pelo transporte de cargas na região. A convivência entre serviços de passageiros e cargas segue como um dos principais pontos de atenção do projeto.
Grupo Comporte amplia atuação além do transporte
No bloco de mercado, Adamo Bazani aborda a expansão do Grupo Comporte, controlado pela família Constantino Oliveira. Além de operar mais de 7 mil ônibus e ampliar presença no setor metroferroviário, o conglomerado passa a diversificar seus investimentos, com entrada também no setor de energia renovável.
Segundo o programa, o grupo participa de projetos de geração eólica no Rio Grande do Sul, movimento que sinaliza uma estratégia de diversificação e aproximação com a agenda de transição energética.
Carnaval deve impulsionar viagens rodoviárias
No quadro Abrati News, Letícia Pineschi, conselheira da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), projeta crescimento de cerca de 15% no número de viagens rodoviárias durante o Carnaval de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Janeiro já registrou cerca de 4,5 milhões de passageiros em ônibus interestaduais, e fevereiro deve acrescentar mais 3,5 milhões ao total. A entidade reforça o alerta para que os usuários evitem o transporte clandestino e adquiram passagens apenas por canais oficiais.
Editorial: faixa azul exige políticas integradas
No editorial do episódio, Alexandre Pelegi repete avaliação da ANTP, de que a implantação da chamada faixa azul para motocicletas, embora traga mais organização e previsibilidade ao trânsito, não resolve sozinha o aumento dos acidentes envolvendo motos.
Segundo análise de Luiz Carlos Néspoli, superintendente da ANTP, os sinistros estão associados a fatores como excesso de velocidade, falta de fiscalização e pressão por tempo, intensificada pelo crescimento das entregas por aplicativo e do mototáxi. A faixa azul, nesse contexto, organiza um espaço que já era utilizado informalmente entre os veículos, reduzindo conflitos laterais com automóveis.
No entanto, Pelegi destaca que a medida precisa estar integrada a políticas mais amplas, que envolvam educação no trânsito, gestão de velocidades e regulação das plataformas digitais, para produzir efeitos consistentes na segurança viária.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


