Nomeação ocorre em meio ao avanço do debate sobre redução de emissões na indústria e impactos sobre o setor de transporte
ALEXANDRE PELEGI
A descarbonização vem se consolidando como um dos eixos centrais da política industrial brasileira, impulsionada por compromissos ambientais, critérios de ESG (ambiental, social e governança) e pela necessidade de manter competitividade em cadeias globais cada vez mais exigentes quanto à origem e à intensidade de carbono dos produtos. Nesse contexto, setores de alta emissão — como o transporte, a siderurgia e a mineração — passaram a ocupar posição estratégica nas discussões sobre transição energética e modernização da infraestrutura produtiva do país.
É nesse cenário que a executiva Camila Ramos, CEO da CELA, assumiu mandato na diretoria da Divisão de Energia do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da FIESP para o período de 2026. A nomeação reforça a presença do tema energético no debate institucional da indústria paulista e nacional.
Com mais de 20 anos de atuação no setor de energias renováveis, Camila Ramos deverá contribuir para a formulação de propostas voltadas à transição energética industrial, com foco na redução de emissões em atividades intensivas em energia. A agenda inclui o estímulo ao uso de fontes limpas, biocombustíveis e novas soluções tecnológicas aplicáveis a operações industriais e modais de transporte de cargas e passageiros.
Segundo a executiva, energia, competitividade industrial e descarbonização seguem no centro das decisões estratégicas do país. Antes de assumir o novo mandato, Camila Ramos já havia atuado como conselheira do Conselho Superior de Infraestrutura da FIESP (Coinfra), participando de debates sobre investimentos, regulação e planejamento de longo prazo.
À frente da CELA, empresa especializada em assessoria financeira e consultoria estratégica para projetos de transição energética, a executiva participou, ao longo da última década, da estruturação de iniciativas de energia limpa no Brasil, envolvendo captação de recursos, fusões e aquisições, project finance e contratos de fornecimento de longo prazo. Os projetos abrangem diferentes fontes, como energia solar, eólica, bioenergia, biometano e hidrogênio de baixa emissão.
Camila Ramos também é conselheira e vice-presidente de Investimentos e Hidrogênio Verde da ABSOLAR, integra o conselho da Brazilian Rare Earths Limited e é membro do Pacto Global da ONU, iniciativa voltada ao engajamento do setor empresarial na adoção de práticas sustentáveis.
A atuação na diretoria de energia da FIESP ocorre em um momento em que a indústria brasileira busca alinhar crescimento econômico, exigências ambientais e critérios de governança, com atenção especial aos desafios da descarbonização e à reorganização dos sistemas de transporte que sustentam a atividade produtiva.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
