Subsídio-base ao sistema de ônibus em Campinas (SP) sobe 23% em um ano e passa para R$ 190,2 milhões em 2026
Publicado em: 19 de janeiro de 2026
No ano de 2025, o valor-base previsto era de R$ 154,5 milhões, que não foram suficientes e, após aportes extras, verba ficou em R$ 236,4 milhões. Serviços devem ser licitados em fevereiro em mais uma tentativa
ADAMO BAZANI
O subsídio-base ao sistema de ônibus de Campinas, maior cidade do interior de São Paulo com 1,2 milhões de habitantes, subiu 23,1% em um ano.
O valor previsto para 2026 foi publicado nesta segunda-feira, 16 de janeiro.
O repasse da prefeitura às viações está previsto em R$ 190, 2 milhões – R$ 190.289.857,00 (cento e noventa milhões e duzentos e oitenta e nove mil e oitocentos e cinquenta e sete reais).
De acordo com o decreto 24.244, de 16 de janeiro de 2026, deste montante, para o sistema regular de ônibus, estão previstos R$ 172,2 milhões – R$ 172.289.857,00 (cento e setenta 2 dois milhões, duzentos e oitenta e nove mil e oitocentos e cinquenta e sete reais).
Já para o PAI (Programa de Acessibilidade Inclusiva), para pessoas com dificuldades severas de locomoção, e que funciona como as vans do Atende, na capital paulista, foram reservados R$ 18 milhões.
Em 2025, o valor base foi de R$ 154,5 milhões, dos quais, R$ 139,5 milhões para a rede regular de linhas e R$ 15 milhões para o PAI.
Mas estes recursos não foram suficientes em 2025 e a prefeitura teve de fazer novos aportes, que totalizaram R$ 236,4 milhões, dos quais, R$ 18 milhões para o programa de acessibilidade e R$ R$ 218,4 milhões para as linhas regulares.
Os valores fixados para 2026, segundo a prefeitura, já levam em consideração os novos reajustes tarifários.
No dia 1º de janeiro de 2026, as tarifas subiram, em média, 4,24%, percentual próximo à inflação acumulada dos últimos 12 meses. Com a atualização, o valor do Bilhete Único Comum passou a ser de R$ 6,00, enquanto o Vale-Transporte foi para R$ 6,50.
Relembre:
O sistema de linhas municipais de Campinas (SP) está em processo de licitação.
Como mostrou o Diário do Transporte, a Prefeitura de Campinas divulgou no dia 04 de dezembro de 2026, o edital de mais uma tentativa de licitação que definirá os novos contratos do sistema convencional da cidade.
O documento, disponível no Diário Oficial do Município, prevê concessão de 15 anos e valor total estimado em R$ 11 bilhões. Desse montante, R$ 1,7 bilhão deverá ser destinado à renovação da frota.
A abertura dos envelopes ocorre na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), contratada pela administração municipal para conduzir a etapa de análise das propostas. Empresas e consórcios interessados devem apresentar três envelopes, contendo garantias, proposta financeira e documentação de habilitação. A verificação das garantias está marcada para 10 de fevereiro de 2026. Já a sessão de abertura das propostas financeiras será no dia 23 de fevereiro, às 11h, na sede da B3, com transmissão ao vivo.
Estes novos contratos devem comtemplar também subsídios ao sistema.
Relembre:

Há mais de três anos a prefeitura tenta uma nova concessão, mas o processo foi marcado por impugnações do TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), ações judiciais e falta de interesse de concorrentes, como tem acompanhado o Diário do Transporte.
Numa das tentativas, por exemplo, ninguém apresentou proposta em 20 de setembro de 2023. Na ocasião, os contratos de 15 anos foram avaliados em R$ 8,2 bilhões.
A proposta de edital deve ser publicada a partir de quarta-feira (02) no site da prefeitura e da Emdec, que é a empresa municipal de gestão de serviços públicos. As sugestões podem ser enviadas por estes mesmos sites até 02 de julho de 2025.
Pelo aviso de consulta pública, assinado pelo Secretário de Transportes, Fernando de Caires Barbosa, assim como das outras tentativas, as linhas de ônibus serão divididas em dois lotes operacionais.
A bilhetagem eletrônica, o transporte para pessoas com deficiência com restrição severa de acessibilidade (PAI Serviço) e a conservação das estações de BRT (Bus Rapid Transit), passam a ser incluídas na concessão das viações.
Concessão comum da prestação e exploração do Serviço de Transporte Público Coletivo de Passageiros na cidade de Campinas/SP, dividida em 2 (dois) Lotes, envolvendo: serviço de transporte coletivo público na Modalidade Convencional; serviço de transporte para pessoas com deficiência e/ou restrição severa de acessibilidade (PAI Serviço); serviços nos terminais e nas estações do Bus Rapid Transit (BRT); e lote único para os serviços complementares de bilhetagem e de monitoramento.
Na última tentativa, a gestão previa, 200 ônibus elétricos entre os mais de 800 de frota total e a Bilhetagem seria de responsabilidade da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas).
Mas sobre a bilhetagem, o novo edital deve mudar, incluindo o serviço na concessão das viações, como já é hoje.
A bilhetagem eletrônica e da arrecadação do sistema atualmente está sob a responsabilidade das próprias empresas de ônibus.
Em uma das representações no TCE (Tribunal de Contas do Estado), as empresas de ônibus, pelo SetCamp, apontaram que queriam também operar as linhas que compõem a modalidade de serviço alternativo, executado por trabalhadores autônomos ou cooperados, que somam 256 permissionários. Estas linhas não estavam na licitação e o sindicato empresarial queria a inclusão na concorrência.
Relembre:
Ninguém apresenta proposta na licitação dos ônibus de Campinas (SP)
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

