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CPTM publica contrato de R$ 6,2 milhões para supervisão da automação da operação de trens

Pólux Engenharia, empresa vencedora da licitação, vai acompanhar projetos e a implantação do sistema que automatiza aceleração, frenagem e paradas, com prazo de 18 meses

ALEXANDRE PELEGI

A CPTM publicou nesta terça-feira (13) no Diário Oficial do Estado de São Paulo o extrato do contrato com a empresa Pólux Engenharia para a prestação de serviços técnicos especializados de engenharia voltados à supervisão do projeto e da implantação do Sistema de Operação Automática de Trens (ATO). O valor do contrato é de R$ 6,21 milhões e o prazo de vigência é de 18 meses.

De acordo com a publicação oficial, o contrato foi assinado no dia 9 de janeiro de 2026, após a empresa vencer a licitação LC00625, conduzida pelo critério de melhor combinação entre técnica e preço. Os recursos têm como base orçamentária outubro de 2025.

A companhia estruturou a contratação de forma corporativa, permitindo que a supervisão técnica acompanhe projetos de ATO em diferentes linhas da rede, conforme o avanço dos programas de modernização de sinalização, controle operacional e automação ferroviária.

A CPTM tem adotado a estratégia de implantar o ATO de forma integrada a projetos mais amplos de sinalização e controle de trens, o que explica a contratação de um serviço único de supervisão, sem vinculação prévia a uma linha específica.

Atualmente, os sistemas de ATO já estão em operação nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, que se encontram sob concessão da ViaMobilidade. Esses sistemas, no entanto, não fazem parte do escopo deste contrato, que se restringe exclusivamente às linhas operadas diretamente pela CPTM.

O processo de supervisão, agora formalizado com a assinatura do contrato com a Pólux Engenharia, complementa outros contratos relacionados à implantação de automação e modernização tecnológica — entre eles, a implantação do sistema automático pela concessionária Trivia Trens com a Siemens Mobility nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, como parte do Lote Alto Tietê. Essas intervenções têm sido tratadas como partes de um movimento mais amplo de atualização tecnológica na malha ferroviária metropolitana.

O que será supervisionado

Conforme detalhado no edital da licitação, os serviços contratados abrangem a supervisão técnica completa das etapas de projeto e implantação do ATO, sistema que permite níveis mais elevados de automação na operação ferroviária, com impactos diretos sobre regularidade, segurança operacional e capacidade da rede.

Entre as principais atribuições da contratada estão:

O escopo também prevê a adoção de metodologias específicas de controle de projetos, fiscalização de obras e acompanhamento de desempenho, além do uso de recursos tecnológicos e sistemas de TI para apoio à supervisão.

Prazo e equipe técnica

O prazo de execução dos serviços é de 18 meses, contados a partir da emissão da ordem de serviço pela CPTM, que deverá ocorrer em até 15 dias após a assinatura do contrato. Durante esse período, a empresa deverá manter equipe técnica dedicada, incluindo profissionais seniores especializados em sinalização e automação metroferroviária.

O edital exigiu a apresentação de equipe técnica-chave composta, no mínimo, por coordenador geral, engenheiro de projetos sênior e engenheiro de montagem de sistemas sênior, todos com experiência comprovada em projetos e implantação de sistemas de sinalização ferroviária ou metroviária.

Importância do ATO para a operação

O Sistema de Operação Automática de Trens (ATO) é uma das camadas de automação dos sistemas modernos de sinalização ferroviária. Ele permite que aceleração, frenagem e paradas sejam executadas de forma automática, mantendo o condutor em funções de supervisão ou intervenção, conforme o nível de automação adotado.

A implantação do ATO tende a ampliar a regularidade das viagens, reduzir variações operacionais, otimizar intervalos entre trens e elevar os padrões de segurança, especialmente em linhas de alta demanda da rede metropolitana.


Outras ações de modernização da CPTM

A nova licitação se soma a outras iniciativas recentes da CPTM voltadas à modernização da infraestrutura das linhas concedidas à iniciativa privada. Em setembro de 2025, a companhia abriu concorrência para a modernização da Linha 13–Jade, que prevê a atualização do sistema de sinalização e a separação dos sistemas de controle das Linhas 11–Coral e 12–Safira, atualmente interligados. O objetivo é permitir maior independência operacional entre as linhas, reduzindo interferências e preparando a rede para a implantação de tecnologias automatizadas como o ATO (leia aqui).

Esses processos indicam um movimento de reorganização técnica e operacional da companhia, que passa a concentrar suas ações em fiscalização, integração e atualização tecnológica dos sistemas ferroviários, enquanto as concessionárias assumem a execução direta das obras e operações.


Linhas de trens metropolitanos já concedidas

Grupo Comporte (ex-CCR) – TIC Trens:

Grupo Motiva Trens (ex-CCR) – ViaMobilidade:

Grupo Comporte (Trivia Trens) – Lote Alto Tietê:

Linha prevista para concessão futura

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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