Rio Ônibus assina contrato com UFRJ para apurar impactos da reprogramação da oferta de transportes na capital

Convênio é de seis meses. Viações alegam crise no sistema

ADAMO BAZANI

O Rio Ônibus, sindicato que reúne as companhias de transportes da capital fluminense, contratou a Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (COPPETEC), da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), para que a instituição realize uma apuração sobre os impactos da reprogramação da oferta dos transportes públicos.

O projeto, que consta do contrato assinado no último dia 06 de janeiro de 2026 e publicado nesta segunda-feira (12), é intitulado “desenvolvimento de metodologia para avaliação dos impactos decorrentes de reprogramações de oferta do sistema de transporte público por ônibus”.

De acordo com a publicação oficial, a contratação é por seis meses e teve custo de R$ 276,9 mil a ser bancado pelas viações – R$ 276.984,55 (duzentos e setenta e seis mil, novecentos e oitenta e quatro reais e cinquenta e cinco centavos).

O sistema de transportes do Rio de Janeiro está prestes a ser licitado.

Após adiamento, a prefeitura remarcou para 30 de janeiro de 2026 a abertura das propostas da primeira fase da concessão, como mostrou o Diário do Transporte.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/12/02/licitacao-dos-onibus-do-rio-de-janeiro-paes-revisa-para-baixo-valores-de-contratos-e-adia-para-o-fim-de-janeiro/

A concorrência, de acordo com a prefeitura, vai reorganizar as linhas e a oferta de serviços aos passageiros. Além disso, prevê a inclusão de cerca de 5 mil ônibus 0 km com ar-condicionado, a divisão do sistema em novas bacias, dos atuais quatro lotes para 31, sendo 22 estruturais e nove locais, e, ainda, a padronização das pinturas dos coletivos.

As viações alegam que desde a mais recente reformulação mais ampla do sistema, em 2018, ainda na gestão do ex-prefeito Marcelo Crivella, a crise dos transportes do Rio de Janeiro se agravou.

Na ocisão, houve mudanças de linhas, reprogramação de partidas e a “despadronização” visual da frota, conforme mostrou o Diário do Transporte, na ocasião.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/08/03/rio-de-janeiro-define-layout-para-despadronizacao-das-pinturas-de-onibus/

Desde então, diversas empresas de ônibus fecharam as portas, outras entraram em recuperação judicial e, greves por atraso de pagamento aos trabalhadores e até paralisações dos serviços por falta de combustível ou apreensão de veículos se tornaram comuns, além da deteriorização da frota e precarização do atendimento.

A crise mais recente envolve as empresas Vila Isabel e Real, como tem mostrado o Diário do Transporte.

Mais uma vez, passageiros que dependem dos serviços das empresas Real Auto Ônibus, que faz parte dos Transcarioca e Intersul e Transcarioca, e da Transportes Vila Isabel, consorciada ao Intersul, no Rio de Janeiro, encontram dificuldades para se deslocar nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026.

Novamente, parte da frota destas duas companhias não prestou serviços por causa de falta de combustível.

A informação é do Sindicato dos Rodoviários e foi confirmada pela prefeitura do Rio de Janeiro.

Problema semelhante ocorreu no dia 29 de dezembro de 2025, conforme noticiou o Diário do Transporte.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/12/29/onibus-da-vila-isabel-e-real-do-rio-de-janeiro-nao-circulam-por-falta-de-combustivel-na-manha-desta-segunda-29/

Semanas antes, as empresas também registraram paralisações por falta de pagamento de salários.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/12/23/motoristas-de-onibus-do-rio-de-janeiro-entram-no-segundo-dia-de-paralisacao-nas-empresas-real-e-vila-isabel/

+

https://diariodotransporte.com.br/2025/12/05/greve-de-trabalhadores-da-vila-isabel-transportes-no-rio-de-janeiro-interrompe-operacoes-por-atrasos-salariais/

+

Três meses antes, ocorreu outra greve de funcionários:

https://diariodotransporte.com.br/2025/09/16/paralisacao-de-motoristas-de-onibus-no-rio-de-janeiro-afeta-linhas-da-vila-isabel-e-viacao-real-nesta-terca-16/

As duas viações atendem as zonas Norte, Central, Sudoeste e Sul com quase 30 linhas.

São cerca de 1,3 mil trabalhadores.

O Rio Ônibus, sindicato das viações diz que setor está em crise

Nota do Rio Ônibus

“O Rio Ônibus, os consórcios e a SMTR têm plena consciência da grave crise atravessada pelo setor, que hoje tem 11 de suas 29 empresas em recuperação judicial. Esse cenário é reflexo direto da insegurança jurídica e do recorrente descumprimento do contrato e dos acordos firmados com a prefeitura, o que causa um desequilíbrio econômico-financeiro que acaba refletindo na qualidade da operação.

Seguimos em diálogo constante com a SMTR para que os acordos firmados sejam integralmente cumpridos pela Prefeitura. Somente com a normalização deste cenário será possível reverter o desequilíbrio atual e garantir o retorno de uma operação eficiente e de qualidade para o transporte do Rio.”

 

LICITAÇÃO ADIADA E VALORES REVISTOS:

A Prefeitura do Rio de Janeiro adiou a licitação para uma nova concessão dos serviços de ônibus.

As propostas deveriam ser entregues no próximo dia 10 de dezembro de 2025. A nota data agora passou para 30 de janeiro de 2026, às 11h, sede da Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos – CCPAR, na Rua Sacadura Cabral, 133 – Saúde, na Cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Segundo a secretaria municipal de transportes, o motivo é que os valores de contratos e remunerações foram revisados para baixo. Entretanto, inicialmente, está mantida a previsão do início de operação com os novos ônibus a partir de abril de 2026. Toda mudança de edital requer 45 dias para adaptação e conhecimento do mercado.

De acordo com a nova publicação oficial da prefeitura, os valores ficam da seguinte maneira:

Lote A2:

ANTES: contrato de R$ 221,28 milhões, tarifa de referência R$ 10,53/km e mínima R$ 8,04/km.

REVISADO: R$220.098.824,87 (duzentos e vinte milhões, noventa e oito mil, oitocentos  e vinte e quatro reais e oitenta e sete centavos).TARIFA DE REFERÊNCIA: R$ 10,55 por Km TARIFA MÍNIMA: R$ 8,05 por Km

Lote B1:

ANTES: contrato de R$ 223,03 milhões, tarifa de referência R$ 11,64/km e mínima R$ 8,57/km.

REVISADO: R$221.956.023,87 (duzentos e vinte e um milhões, novecentos e cinquenta  e seis mil, vinte e três reais e oitenta e sete centavos).TARIFA DE REFERÊNCIA: R$ 11,65 por Km TARIFA  MÍNIMA: R$ 8,58 por Km

Lote B2:

ANTES: contrato de R$ 132,39 milhões, tarifa de referência R$ 11,91/km e mínima R$ 9,32/km.

REVISADO: VALOR DO CONTRATO: R$131.154.647,59 (cento e trinta e um milhões, cento e cinquenta e quatro mil, seiscentos e quarenta e sete reais e cinquenta e nove centavos). TARIFA DE REFERÊNCIA: R$ 11,91 por KM TARIFA MÍNIMA: R$ 9,32 por Km

Segundo o novo edital, a concessão compreenderá 3 LOTES (A2; B1 e B2), incluindo a implantação de garagem e fornecimento de frota.

Os lotes se referem às linhas de Campo Grande e Santa Cruz.

Na primeira etapa da concessão são previstos investimentos de R$577 milhões.

Atualmente, opera, nestas áreas199 ônibus. A estimativa é que com a conclusão de todas as etapas previstas na licitação, estejam em operação 528 coletivos.

APRESENTAÇÃO DO NOVO SISTEMA:

(Relembre reportagem)

Licitação dos transportes do Rio de Janeiro: Pintura padronizada retorna, todos os ônibus padrons vão ter piso baixo e motor traseiro. Serão comprados cinco mil novos veículos

Sistema será dividido em 31 lotes e não mais quatro como agora. Concorrência será gradativa

ADAMO BAZANI E ARTHUR FERRARI

Os ônibus da cidade do Rio de Janeiro voltarão a ter pintura padronizada em todo o sistema, mas não será uma padronização com “layout” apagado, mas haverá uma “cafonice de leve” para o passageiro, principalmente o que tem dificuldade na visão identificar melhor.

Os termos foram usados pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ao apresentar a licitação que vai remodelar o sistema de transportes municipais, na manhã desta quarta-feira, 28 de maio de 2025.

Além disso, todos os veículos serão gradativamente trocados, alcançando a marca de cerca de cinco mil ônibus zero km. Todos os veículos deverão ter piso baixo com motor traseiro, no caso dos padrons. Micros e mídis continuam com piso alto e motor dianteiro, mas todos, independentemente do porte terão de contar com ar-condicionado e mostrador de velocidade para os passageiros verem, entre outros itens.

Ao longo da concessão devem ser comprados cinco mil ônibus zero quilômetro e não foi falado de exigência para serem elétricos. A frota deve ser ampliada em 25%.

A bilhetagem não volta para as empresas.

A divisão do sistema vai passar dos atuais quatro lotes para 31, sendo 22 estruturais e nove locais.

Serão na verdade diversas licitações separadas por lotes, segundo a secretária de transportes e mobilidade, Maína Celidonio de Campos, começando pelas áreas mais problemáticas.

O projeto estabelece a substituição do atual sistema, hoje operado por quatro grandes consórcios (Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz), por 31 áreas com diferentes operadores, em um modelo que pretende aumentar a concorrência, padronizar o serviço e melhorar o atendimento à população.

Campo Grande e Santa Cruz serão as primeiras áreas contempladas. A previsão é de que o lote estrutural de Campo Grande Norte aumente de 95 para 150 ônibus, enquanto o lote local salte de 37 para 200 veículos. Já Santa Cruz terá a frota ampliada de 67 para 330 ônibus. No total, a Zona Oeste receberá um reforço de 481 veículos.

De acordo com Maína, a seleção das regiões segue critérios técnicos. “A gente vai avançando na cidade, sempre indo para as áreas onde temos a pior qualidade de serviço e deixando para o final as que têm qualidade maior”, explicou. O prefeito Eduardo Paes classificou o cronograma como “ousado”, ressaltando que os impactos não serão imediatos.

A frota nova deverá contar com responsabilidade de investimento atribuída às empresas vencedoras das licitações. A prefeitura também determinou que os últimos 200 ônibus sem climatização sejam retirados de circulação até 1º de novembro de 2025.

A segunda fase do processo deve atingir a Ilha do Governador no início de 2026. Segundo a prefeitura, a Paranapuan, operadora local, tem a pior avaliação no IQT (Índice de Qualidade de Transportes). As demais fases seguirão até 2028, acompanhando o encerramento dos contratos atuais.

Além de melhorias na frota, a proposta prevê maior transparência na operação e fiscalização mais rigorosa. Uma das metas é o combate às chamadas linhas fantasmas e o cumprimento rigoroso de horários, garantindo maior confiabilidade ao sistema.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes 

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