Prefeitura realizará estudos para mapear o fundo da Billings e da Guarapiranga e preparar novas rotas de transporte aquático

Autorizações publicadas nesta quinta-feira (08) no Diário Oficial dão base técnica à expansão do sistema hidroviário e ao Projeto Aquático da capital

ALEXANDRE PELEGI

 

 

 

 

A Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, publicou no Diário Oficial do Município desta quarta-feira, 08 de janeiro de 2026, autorizações para a realização de levantamentos hidrográficos batimétricos multifeixe em áreas dos reservatórios Billings e Guarapiranga. A iniciativa indica, de forma clara, a intenção da administração municipal de estruturar tecnicamente a expansão do transporte público aquático em São Paulo.

Os estudos vão produzir um mapeamento detalhado do fundo dos reservatórios, etapa considerada essencial antes da definição de rotas, pontos de parada, áreas operacionais e integrações com outros modais. A Prefeitura sinaliza, com isso, que qualquer avanço no uso hidroviário será baseado em dados técnicos e critérios de segurança.

Em linguagem simples, a batimetria multifeixe funciona como um levantamento em alta resolução do “chão” submerso. Embarcações equipadas com sensores acústicos emitem milhares de pulsos simultâneos, que retornam após atingir o leito. A leitura desses sinais permite criar modelos tridimensionais precisos, capazes de identificar profundidades, desníveis, bancos de sedimentos, obstáculos submersos e áreas de assoreamento.

Esse tipo de levantamento é hoje o padrão mais avançado para planejar navegação segura, implantar corredores aquáticos, posicionar atracadouros e avaliar a necessidade de intervenções como dragagens, sempre com menor risco ambiental.

Os reservatórios Billings e Guarapiranga ocupam posição estratégica na cidade. Além de seu papel no abastecimento e na preservação ambiental, concentram grande potencial para usos urbanos controlados. Com o mapeamento do fundo, a Prefeitura passa a distinguir com precisão trechos navegáveis, zonas de proteção e áreas que exigem restrições operacionais, reduzindo conflitos entre funções e ampliando a previsibilidade dos projetos.

Os levantamentos publicados hoje integram o Projeto Aquático, política municipal que busca reaproximar a cidade de seus rios e reservatórios, incorporando-os ao sistema de mobilidade urbana de forma complementar. A proposta combina transporte público por água, requalificação ambiental e uso urbano ordenado, evitando soluções improvisadas.

A diretriz central do projeto é clara: só avançar com novas rotas após a consolidação da base técnica, incluindo estudos hidrográficos, ambientais e operacionais.

Até o momento, os planos oficiais divulgados apontam para:

  • Implantação gradual de rotas de transporte aquático, priorizando áreas com maior viabilidade técnica;
  • Estruturas leves de embarque e desembarque, compatíveis com a preservação ambiental;
  • Integração com ônibus e outros modais, ampliando o alcance do transporte público;
  • Atualização permanente dos estudos, para acompanhar mudanças no perfil dos reservatórios.

 

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 

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