EM PRIMEIRA-MÃO: Eletra é habilitada no Programa Mover para ampliar pesquisa e desenvolvimento de ônibus elétricos nacionais
Publicado em: 8 de janeiro de 2026
Com isso, planta de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, vai receber mais investimentos, contribuindo com o desenvolvimento regional no Estado de São Paulo e também impactando positivamente onde as parceiras atuam em todo o País
ADAMO BAZANI
Colaborou Yuri Sena
A Eletra Industrial, fabricante de ônibus elétricos 100% brasileira, com sede em São Bernardo do Campo (SP), comunica que foi habilitada pelo MDIC (Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), do Governo Federal, no âmbito do Programa Mover para obtenção de créditos e financiamentos voltado a P&D (Pesquisa e Desenvolvimento). A portaria com a habilitação foi publicada no Diário Oficial da União de 30 de dezembro de 2025.
“Este é um marco importantíssimo na história da Eletra e da indústria brasileira de produtos, bens e conhecimento de alto valor agregado. Essa conquista vai resultar em ônibus elétricos genuinamente brasileiros ainda mais modernos e tecnológicos. A Eletra se tornou referência com reconhecimento internacional em veículos de emissão zero, capaz de atender todo o mercado nacional e outros países pela alta flexibilidade de seus modelos, a gama mais completa do segmento, desde micro-ônibus até veículos de grande capacidade, como superarticulados” – comemora a diretora presidente da Eletra Industrial Milena Braga Romano.
Segundo Milena, os investimentos vão refletir em benefícios regionais para o Estado de São Paulo e nacionais porque vão impactar também regionalmente onde atuam as parceiras da Eletra, como em Jaraguá do Sul (SC) e Botucatu (SP), entre tantas outras localidades onde estão as fornecedoras de bens e serviços.
“Incentivar a indústria brasileira de ônibus elétricos é garantir desenvolvimento, arrecadação, geração de empregos qualificados, renda e todo um ciclo positivo para as cidades e Estados. Com a habilitação da Eletra no MOVER, a planta de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, vai receber mais investimentos, contribuindo com o desenvolvimento regional para o Estado de São Paulo e também impactando positivamente onde as parceiras atuam em todo o País. O ABC vai ser de novo referência em indústria automotiva, mas agora, limpa, com menos emissões. Com a Eletra e suas parceiras, São Paulo e onde estão suas plantas industriais entram para a nova era da indústria mundial” – complementou Milena.
O Mover (Programa Nacional Mobilidade Verde e Inovação) estimula investimentos em novas rotas tecnológicas e aumenta as exigências de descarbonização da frota automotiva brasileira, incluindo carros de passeio, ônibus e caminhões.
Ao todo, entre 2024 e 2028, o Mover para todo o País, disponibiliza um total de R$ 19,3 bilhões de créditos financeiros, que podem ser usados pelas empresas para abatimento de impostos federais em contrapartida a investimentos realizados em P&D e em novos projetos de produção.
“Já estão nos nossos planos para 2026 a ampliação de nossa capacidade e a modernização de processos industriais, além de lançamentos de modelos que vão ampliar ainda mais as opções no mercado brasileiro. Tudo isso não vem de agora ou de um oportunismo. Há 30 anos, investimentos em eletrificação. Acreditamos no Brasil como referência em transporte limpo e hoje isso é uma realidade. Antes ninguém acreditava, mas nós já tínhamos esta convicção” – disse a diretora comercial da Eletra, Ieda Oliveira.
A Eletra começou um ciclo de investimentos e lançamentos em 2025 que se estende em 2026.
Em 2025, foi lançada a linha de chassis com marca própria da Eletra, mas mantendo também a parceria com a Mercedes-Benz e Scania. Também em 2025, foi apresentado ao mercado o serviço de consultoria Eletra Consult, para apoio e orientação de gestores públicos e operadores com vistas a todas etapas de eletrificação dos sistemas de transportes públicos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


– Eletra, já passou da hora de começar a projetar os seus próprios chassis (matriz e plataforma próprios).
– E também de começar a trabalhar com outras tecnologias de descarbonização. A maioria dos municípios brasileiros não têm sequer como sonhar em comprar e operar ônibus a baterias.
Não há necessidade de se gastar bilhões em projetos para chassis e plataformas próprios, sendo que há fornecedores confiáveis no mercado, inclusive no próprio entorno da fábrica da Eletra.
Um exemplo semelhante, embora em outro setor, é a Embraer. Para que gastar bilhões para desenvolver um motor à jato próprio, sendo que grandes fornecedores consolidados no mercado, como GE, Pratt & Whitney, além da Rolls-Royce? Não faria sentido. Assim, a Embraer economiza recursos para otimizar outros projetos prioritários. O que é realmente importante para a Embraer, desenvolvimento de projetos e integração de sistemas, ela domina.
Voltando para a Eletra, ela domina o desenvolvimento de projeto e a montagem. Isso é o que importa para ela. Enquanto tiver fornecedores confiáveis, que permitam a ela focar em sua expansão operacional, melhor deixar do jeito que está.
Trata-se de uma estratégia de médio e de longo prazos, pois os chassis Eletra ainda dependem de uma plataforna fornecida por um concorrente direto seu.
Se por alguma razão qualquer a Mercedes Benz decidisse que não lhe interessa mais continuar fornecendo tais plataformas, como ficaria a Eletra?
Isso é diferente de motores, aonde a WEG é uma fornecedora de mercado para clientes diversos. E a Eletra é parte importante dessa base de clientes, inexistindo qualquer tipo de concorrência entre ambas.
Concordo que desenvolver uma gama de chassis próprios é algo bem complexo e custoso, e por isso mesmo algo para ser executado durante o médio prazo. Porém é uma garantia de maior independência e de se possuir um DNA de engenharia próprio.
Ao contrário do trem-de-força e da bateria, o chassis não conta com fornecedores dedicados a clientes diversos.
Acredito que isso não seja problema nem em longo prazo (10 anos ou 15 anos), pois o fornecimento de chassis de ônibus para encarroçadoras é uma atividade importante e até fundamental para as fábricas de caminhões manterem suas linhas ocupadas e mesmo fechar as contas. Não tem sentido para a Eletra ou mesmo para a Marcopolo ou a Caio investirem na fabricação própria de chassis, sendo que há fornecedores confiáveis no mercado. Por isso que fiz a comparação com a Embraer, que tem contexto semelhante.
Quanto a outra parte do comentário, realmente faz sentido investir em outros modais, como híbridos-flex, diesel-elétrico e mesmo o biometano, levando em conta que mesmo a maioria das cidades de médio porte e que tem boa arrecadação, não conseguiriam arcar com a aquisição de ônibus elétricos
Gostaria de saber notícias do Sr. Antônio Vicente percurssor da reforma de trólebus em São Paulo feita na extinta empresa Eletrobus.
Precisa também ter projeto se outras fontes de energia.
Essa imagem da fábrica é recente ?