Fretamento: cresce demanda por veículos menores até mesmo no turismo e no eventual

Habitualmente, micro-ônibus já eram mais empregados nas modalidades contínuas,  mas com grupos de passageiros cada vez mais específicos,  configuração ganha destaque nos serviços eventuais

ADAMO BAZANI

Desde quando a quantidade de passageiros em determinados grupos de trabalhadores e estudantes começou a ficar menor, a utilização de micro-ônibus nas modalidades de fretamento contínuo ganhou destaque no segmento.

Com a pandemia de covid-19, que estimulou o trabalho em casa (home office) e o EAD (Ensino à Distância), esta demanda cresceu. Mesmo após o fim do pior da disseminação do corona vírus,  foi criada uma cultura de teletrabalho,  teleaula e  telemedicina que até hoje tem impactos nos deslocamentos,  mesmo que agora em menor grau.

Isso explica, em parte, porque os grupos de passageiros têm sido formados por uma quantidade menor de pessoas em cada um deles e a busca do mercado por micro-ônibus e vans.  Algumas empresas de fretamento têm oferecido até mesmo carros de passeio.

Contam também fatores econômicos, trânsito cada vez mais complicado e problemas de falta de infraestrutura viária até mesmo em grandes cidades e metrópoles.

Mas agora o fenômeno ganha mais força também no fretamento eventual,  que é o voltado a serviços esporádicos para determinados grupos, como transfers de aeroportos e hotéis,  excursões religiosas ou passeios.

Além também de condições econômicas e da falta de infraestrutura viária,  há fatores como regras mais rígidas de circulação e estacionamento em cidades consideradas polos de turismo,  questões relacionadas ao meio ambiente e uma característica crescente: a personalização dos tipos de atividades turísticas e passeios.

Procurando atender a grupos cada vez mais exigentes ou específicos, há pacotes turísticos para quantidades menores de passageiros em cada viagem.

Dados da Fabus,  entidade que reúne os fabricantes de carrocerias de ônibus,  mostram que ao longo de uma década, a importância dos micro-ônibus em todo o mercado de veículos de transportes coletivos cresceu.  E dentro deste recorte, os modelos menores ganham peso no fretamento.

Os números confirmam essa tendência, que não pode ser analisada apenas ano a ano.

Segundo a Fabus, entre janeiro e novembro de 2025, foram produzidos 4.773 micro-ônibus, ou 20,99% do mercado, o que incluiu urbanos, mas também versões para padrões de fretamento e rodoviários.

No mesmo período de 2024, foram 6.073 unidades.

Apesar do declínio de um ano para o outro, tem sido uma tendência que vem ocorrendo nos últimos anos. Em 2024 inteiro, a Fabus aponta para 3.405 micro-ônibus.

Claro que a preferência no turismo ainda sejam os ônibus maiores. Tanto é que segundo montadoras como Scania, Volvo e Mercedes-Benz,  os “gigantões” DDs (Double Decker) 8×2, de dois andares e quatro eixos,  com 15 metros de comprimento e mais de 4,3 metros de altura “perderam” destaque nas linhas rodoviárias regulares, onde os DDs de 14 metros e três eixos voltam  ganhar volume, mas registram crescimento no fretamento de turismo.  Pelo conforto, possibilidade de oferecer serviços de bordo, que vão desde equipamentos multimídia até pequenas estações e mesas de trabalho, até mesmo grupos menores de passageiros ainda optam por DDs 15 metros no turismo.  Ou seja, “não precisa lotar o ônibus”.

Mas os micro-ônibus e vans tendem a se tornar ainda mais importantes nos segmentos de turismo eventual e a indústria como um todo, em especial a de carrocerias,  precisa enxergar grupos de passageiros que ainda não são plenamente contemplados, ver oportunidades e oferecer mais configurações e customizações.

Adamo Bazani,  jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Sim!
    Mesmo em muitas linhas urbanas de cidades médias ou ate grandes, algumas frotas de padrons poderian ser substituídas por frotas maiores integradas por ônibus de menor porte (básicos, midis, micros). Com a finalidade de se aumentar a quantidade de frequências/viagens por linha, bem como flexibilizar a frota em serviço, sem diminuir o conforto ao passageiro e com menores custos operacionais.

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