EM PRIMEIRA MÃO: Tarifa de ônibus em São Paulo vai para R$ 13,55 sem subsídios, que devem fechar em R$ 7,3 bilhões, diz gestão Ricardo Nunes, em estudo que vai ser apresentado ao CMTT
Publicado em: 30 de dezembro de 2025
Passageiros pagantes custeiam 31% do sistema, Vale-Transporte cobre 10% e total de usuários caiu 19,5% desde 2019. A ocupação é de 569 passageiros por veículo por dia
ADAMO BAZANI
Colaboraram Arthur Ferrari, Vinícius de Oliveira, Yuri Sena
Como noticiou em primeira-mão o Diário do Transporte, na sexta-feira, 02 de janeiro de 2026, vai ser realizada a reunião com o Conselho Municipal de Transporte e Trânsito, na qual a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de ônibus da capital paulista, vai explicar os custos de operação e manutenção e as justificativas para o aumento da tarifa, que passa de R$ 5 para 5,30 em 06 de janeiro de 2026. Para a Integração entre ônibus e trilhos, o valor passa para R$ 9,38. O Vale-Transporte dos trabalhadores vai de R$ 5,49 para R$ 5,82 no caso de uso somente nos ônibus do sistema da SPTrans. Já o Vale-Transporte Integrado entre Trilhos e Ônibus passa a ser de R$ 11,32.
Relembre:
Agora, também em primeira mão, o Diário do Transporte traz alguns dados antecipados da apresentação.
Atualizando os números, a gestão do prefeito Ricardo Nunes diz que, sem subsídios, o custo por passageiro, que seria a tarifa cheia, chegaria a R$ 13,55.
O valor alto se explica pelas gratuidades que são embutidas nos custos, as integrações pelo Bilhete Único e ao tamanho em si do sistema paulistano, que conta 12 mil 090 ônibus operacionais, com ocupação de 569 passageiros por veículo por dia.
São percorridos 67milhões de quilômetros por mês, sendo que cada ônibus roda, em média, 5.545 quilômetros por mês.
O sistema tem 1.368 linhas e a média é de 2,67 passageiros transportados por quilômetro.
Os ônibus do sistema SPTrans percorrem 4,3 mil quilômetros de vias na cidade e, a média de extensão das linhas, é de 16 km.
Segundo o estudo que vai ser apresentado ao qual o Diário do Transporte teve acesso, destes R$ 13,55 de custo por passageiro; R$ 12,55 são para operação e manutenção direta dos ônibus, o que inclui salários dos trabalhadores e lucro dos empresários, e, R$ 1 para infraestrutura do Sistema de Transporte, o que inclui Terminais, Comercialização Créditos e Gestão.
Sobre a cobertura deste valor, segundo os dados, os passageiros pagantes (ou seja, o que é arrecadado de fato pelos créditos do Bilhete Único Comum e em dinheiro) custeiam R$ 4,21, ou 31,6% dos R$ 13,55.
Os empregadores, pelo Vale-Transporte, que na capital têm uma tarifa maior que a comum, cobrem R$ 1,42, ou apenas 10,5%.
Mudanças no Vale-Transporte, com a obrigatoriedade de que os empregadores com mais de nove funcionários obedeçam a uma arrecadação obrigatória e destinem uma verba a um fundo, são apontadas como caminho para uma tarifa-zero nacional. Mas a fórmula ainda sofre contestações e gera dúvidas.
As chamadas receitas acessórias, como com publicidade ou explorações comerciais, contribuem muito pouco com o sistema: R$ 0,21 ou 1,6% dos R$ 13,55 de custo de transporte por passageiro.
Os subsídios hoje bancam quase 60% dos custos de operação e manutenção do sistema de ônibus da cidade: R$ 7,72 de R$ 13,55, ou 56,9%, dos quais, R$ 6,91 ou 51% para a utilização direta dos coletivos por parte dos passageiros, que se somam a R$ 0,80 ou 5,9%.
Segundo mensagem assinada pelo secretário de Transportes e Mobilidade, Celso Caldeira,“desde 2020, as verbas orçamentárias denominadas Compensações Tarifárias, que respondem por grande parte dos subsídios municipais ao sistema de transporte, evoluíram de R$ 3,3 bilhões naquele ano para estimados R$ 7,3 bilhões em 2025”.
Estes valores não consideram o custeio da implantação de ônibus elétricos, que possuem outras fontes e são subsidiados pela prefeitura também, mas não nesta conta. O poder público paga a diferença entre o preço de um ônibus a diesel, que é cerca de três vezes mais barato, e o ônibus elétrico – três vezes mais caro. É como se fosse a proporção 1:2 – de um elétrico de R$ 3 milhões, a empresa paga R$ 1 milhão (que seria o preço do modelo a diesel) e a prefeitura banca os outros R$ 2 milhões – valores aproximados para exemplificar.
Além dos custos operacionais aumentarem e haver a necessidade de repensar a malha de linhas para deixa a rede mais eficiente, o número de passageiros também influencia.
Quanto mais cai o total de usuários, mais sobe o custo unitário por usuário.
É como um bolo, quanto menos gente, maiores os pedaços.
E, segundo os dados aos quais o Diário do Transporte teve acesso, o número de passageiros caiu na projeção de 2025, em média, 19,5%, comparando com que foi transportado em 2019. Foram 2,6 bilhões (2 bilhões 638 milhões 190 mil 764) registros de passagens em 2019. Em 2025, a projeção é de 2,1 bilhões (2.122.261.193), sendo que o pior cenário, por causa dos reflexos da pandemia, foi em 2020, com 1,5 bilhão; e 202, com 1,6 bilhão de registros de passagens.




Confira o documento completo a seguir:



















































Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaboraram Arthur Ferrari, Vinícius de Oliveira, Yuri Sena


13 e pouco? Kkkk valores bem superestimados. Quem em 2025 ainda acredita em político é bom ir se tratar.
Comparando a nossa tarifa aos municípios vizinhos da Grande SP, e às muitas cidades médias Brasil afora, percebe-se o quanto os nossos $ 5 estão defasados – inclusive propiciando até quatro viagens ao preço de uma só, no Bilhete Único.
É importante mantermos um valor de tarifa que caiba no orçamento médio da população, porém sem descambarmos ao populismo eleitoreiro.
É fundamental que se chegue em um valor o mais realista possível, e praticável, a todos os lados envolvidos.
Uma grande parte do que se gastou pra segurar a tarifa paulistana no atual nível, poderia ter sido investido em uma completa reestruturação e atualização da operacionalidade dos nossos ônibus – com aumento de capacidade, da eficiência e da confiabilidade.
Sem contar a bilionária dinheirama gasta a rodo pra subvencionar a compra apressada e eleitoreira de ônibus a bateria (né, prefeito Ricardo???).
Então a solução para o transporte coletivo paulistano é aumentar ainda mais a tarifa? Se aumentar resolve todos os problemas? Se aumentar a tarifa mais pessoas passarão a usar os ônibus?
Se esse aumento de tarifa fosse revertido em investimentos para deixar o sistema melhor nem reclamaria, mas não é. O sistema está largado, sem gestão e com ideias sem nexo com a dinâmica da população.
Vou dar um exemplo de como ideias fantasiosas aliada a falta de gestão afugenta os passageiros: Eu moro no fundão da ZL, na Parada XV. Trabalho a muitos anos próximo a Santa Casa e pegava o 2523 todo dia. Essa linha fazia final no Terminal P. Isabel e eu conseguia ir e voltar sentado. Certo dia a SpTrans resolveu escutar aqueles que dizem que “tem que acabar com a sobreposição de linhas e tal”. Essa linhas passou a fazer final no T.A.E.Carvalho e de lá saí um pro Pq. D.Pedro II. Pra chegar a Santa Casa ainda tem pegar outro. Menos viagens na nova 2523 e mais tempo de viagem. Resumindo, comprei uma moto e o que gastava com ônibus agora gasto com estacionamento.
Isso para passageiros sentados e 50 em pé
MATÉRIA VAGABUNDA, COLOCA EM DESTAQUE O VALOR DIFERENTE DO UNITARIO. MANOBRA POLÍTICA.
Eita materiazinha clickbait, ou fake news como alguns adoram dizer quando é conveniente. Tipica notícia de jornaleco de sindicato….kkkkk
Um absurdo aumentar o valor do transporte público onde iremos para Brasil e o salário oh 🤏
Ótima matéria Adamo, traz dados bem interessantes.
Sou usuário do sistema de ônibus da capital há 60 anos. Melhoramos muito em relação ao início dos anos 90, que considero a época com os piores ônibus.
Entretanto me parece que o atual sistema de terminais no centro com muita superposição de linhas está superado e deveria ser reavaliado e redesenhado, levando em conta a chegada das novas linhas de metrô e VLT.
Talvez isso reduza o custo e traga mais usuários para o sistema.
Um ótimo 2026 e obrigado por acompanhar tão bem as notícias do transporte da nossa querida São Paulo.
Um transporte falido e cada vez mais os passageiros vão procurar outras opções. Nos anos 90 tiveram que se rebolar e melhorar um pouco, porque chegou as perua, vans, ele olha que as vans não tinha subsídios, porque se não estariam aí até hoje derramando gente nos ônibus como antigamente.Transporte é uma máfia e um monopólio. Olha aí o que a ARTESP SPI fez com os RTOS acabaram com os pequenos empresários falam que era uma decisão judicial porque não tinham sido licitados e essas mesmas empresas desde 2016 sem licitação e o governo ” não teve tempo de licitar” não teve interesse sendo que os RTOS nunca deu gasto para o governo só lucro com arrecadação de impostos. DEIXOU A POPULAÇÃO SEM MAIS OPÇÕES E AINDA PEQUENOS EMPRESÁRIOS SEM TRABALHO ESSE O NOSSO GOVERNO.
@Ricardonunes este valor de 411, 13 pesa no salário do trabalhador, sendo que, pagamos para irmos igual “sardinha enlatada”, um transporte que cansa mais do que o próprio trabalho, hoje, quem tem caro compensa muito mais ir de carro para o trabalho do que usar um direito nosso que é o transporte público. Tá na hora da população de São Paulo da um basta! Sem contar com os pedágios quem pega rodovia e vias expressas, trânsito caótico ..
PESSIMO TRANSPORTE PUBLICO E PASSAGEM EXORBITANTE, NAO CONDIZ com o serviço prestado.