Crédito suplementar de R$ 150,9 milhões também destina R$ 6 milhões à manutenção das bilheterias e postos de atendimento do Bilhete Único
ALEXANDRE PELEGI
A Prefeitura de São Paulo abriu um crédito adicional suplementar de R$ 150,9 milhões, dos quais R$ 82,5 milhões serão destinados ao subsídio do sistema de ônibus da capital, por meio de compensações tarifárias. Além disso, o decreto prevê outros R$ 6 milhões para a manutenção e operação das bilheterias e postos de atendimento do Bilhete Único.
Com a liberação desta sexta-feira, 26 de dezembro de 2025, os R$ 82,5 milhões destinados às compensações tarifárias do sistema de ônibus da capital se somam a outras autorizações recentes feitas pela Prefeitura de São Paulo que, juntas, elevam para R$ 962 milhões o volume de recursos liberados para subsidiar o transporte coletivo apenas nas últimas semanas do ano.
O montante resulta de uma sequência de decretos editados ao longo de dezembro pelo prefeito Ricardo Nunes, concentrando no fim do exercício orçamentário reforços sucessivos ao caixa do sistema.
Em 19 de dezembro de 2025, a Prefeitura já havia publicado decreto abrindo crédito adicional que levou o total de subsídios do mês a quase R$ 880 milhões, conforme mostrou o Diário do Transporte. Relembre:
Já o novo aporte foi formalizado pelo Decreto nº 64.867, de 23 de dezembro de 2025, publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (26), que além de acrescentar mais R$ 82,5 milhões às compensações tarifárias, também destinou outros R$ 6 milhões para a manutenção e operação das bilheterias e postos de atendimento do Bilhete Único, reforçando a estrutura de acesso dos usuários ao sistema.
O decreto abriu, ao todo, um crédito suplementar de R$ 150,9 milhões, que contempla ainda outras despesas municipais, como manutenção da sinalização viária, serviços urbanos, drenagem, iluminação pública e ações administrativas. No entanto, o transporte coletivo concentrou a maior fatia dos recursos, evidenciando a centralidade do subsídio público na sustentação da operação dos ônibus na cidade.
Na prática, a sucessão de decretos publicados no fim do ano escancara a dependência estrutural do sistema de transporte coletivo paulistano em relação ao orçamento municipal, especialmente em um cenário de custos operacionais elevados e esforço da Prefeitura para manter a tarifa estável ao usuário. As compensações tarifárias têm sido o principal instrumento para equilibrar contratos, garantir a continuidade da operação e evitar impactos imediatos sobre o valor da passagem.
As compensações tarifárias têm sido ampliadas em um contexto de custos operacionais elevados, que incluem reajustes salariais, preço de insumos, manutenção da frota e a incorporação de ônibus com tecnologias mais limpas, como os veículos elétricos, que exigem investimentos adicionais em infraestrutura e contratos de operação.
Além disso, a política municipal de moderação tarifária — com a tarifa congelada para o usuário — transfere para o orçamento público a responsabilidade por equilibrar financeiramente o sistema.
O volume crescente de aportes reacende o debate sobre a sustentabilidade econômica do modelo atual de financiamento do transporte por ônibus, especialmente diante das revisões contratuais em curso, das discussões sobre reequilíbrio econômico-financeiro e da pressão por expansão da frota elétrica.
Especialistas apontam que, sem mudanças estruturais — como novas fontes permanentes de financiamento ou revisão do modelo de remuneração das operadoras — a dependência de créditos suplementares tende a se tornar recorrente.
Ao final de 2025, os números indicam que o subsídio ao sistema de ônibus segue como uma das mais sensíveis despesas da Prefeitura de São Paulo.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
