Casos em Juiz de Fora (MG) e na equatoriana Santo Domingo indicam como soluções digitais ampliam a capacidade de resposta de sistemas de transporte coletivo
ALEXANDRE PELEGI
A adoção de soluções digitais tem ampliado a capacidade de resposta de sistemas de transporte coletivo diante de desafios operacionais impostos por novas políticas públicas e pela necessidade de organização administrativa. Experiências recentes em Juiz de Fora (MG) e em Santo Domingo, no Equador, mostram como o uso de tecnologia contribuiu tanto para a implementação de benefícios tarifários quanto para a estruturação básica da gestão do transporte público .
Em Juiz de Fora, o principal desafio surgiu a partir da criação do Passe Livre Estudantil, instituído pela Lei nº 15.077, de 26 de março de 2025, e regulamentado pelo Decreto nº 17.191, de 3 de abril do mesmo ano. A nova legislação garantiu gratuidade no transporte coletivo urbano para estudantes das redes municipal, estadual e federal, ampliando o número de beneficiários de cerca de 3 mil para mais de 30 mil.
A mudança exigiu a captura de fotografia e a validação cadastral de todos os estudantes incluídos no benefício. Caso o processo fosse realizado exclusivamente de forma presencial, a estimativa era de que a operação levasse até quatro meses, com atendimento concentrado em um único ponto da cidade.
Com a adoção de uma plataforma digital, o envio das fotografias e a validação dos dados passaram a ocorrer de forma remota, reduzindo o prazo de implantação do benefício para aproximadamente 30 dias, sem a necessidade de ampliação da estrutura física de atendimento .
“Se todo o processo tivesse sido presencial, o impacto seria grande para a operação e para as famílias. Muitos estudantes precisariam se deslocar acompanhados por responsáveis, o que implicaria custos adicionais de transporte e a perda de um dia inteiro de aula ou mesmo de trabalho”, afirmou Gilberto Silva Guar, analista de suporte da Associação das Empresas de Transporte de Juiz de Fora .
Segundo ele, mais de 90% dos estudantes aderiram ao cadastramento digital, o que tende a facilitar o próximo ciclo de recadastramento, previsto para 2026, quando os cartões do sistema vencerão simultaneamente. A digitalização também permitiu manter uma estrutura administrativa mais enxuta diante do aumento expressivo da demanda.
Já em Santo Domingo, no Equador, o cenário era distinto. A cidade equatoriana não dispunha de processos consolidados de cadastro de usuários nem de uma base digital estruturada para a gestão do transporte público. Nesse contexto, a tecnologia foi adotada como ferramenta de organização administrativa do sistema.
“A implantação introduziu uma lógica de organização baseada em registro digital e maior rastreabilidade das informações”, explicou Luiz Alves dos Reis Junior, gerente de relacionamento com o cliente – implantação da Transdata .
Enquanto em Juiz de Fora a tecnologia foi decisiva para viabilizar a execução de uma política pública específica, em Santo Domingo ela cumpriu uma função estrutural, ao estabelecer processos básicos de cadastro e gestão. “As duas experiências mostram como soluções digitais têm ampliado a capacidade de resposta dos sistemas de transporte diante de diferentes desafios institucionais”, complementou o executivo .
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
