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Cop-30: Coalizão prevê que Brasil tem potencial para que 40% da frota de veículos sejam elétricos até 2050

Para carregar as baterias de todos estes carros, caminhões e ônibus eletrificados, seria necessário gerar mais 170 mil GWh por ano

ADAMO BAZANI

O Brasil tem potencial para ter ao menos 40% de toda a frota de veículos movida a eletricidade até 2050.

Juntamente com outras alternativas aos derivados de petróleo, como a ampliação do uso do etanol em mais de 40 bilhões de litros e de diesel verde em mais de 10 bilhões,  além 8 milhões de m3 de GNV (Gás Natural Veicular) com 10% de biometano na mistura (combustível obtido na decomposição de resíduos), esta meta de frota poderia fazer com que até 2050, os meios de transportes rodoviários possam ter uma redução de 280 mega toneladas de CO2 em comparação um quadro que projete que daqui para lá nada ou muito pouco seria feito para mudar a realidade atual das emissões.

Este é um dos resultados do estudo da Coalizão dos Transportes,  apresentado durante a Cop-30 (Conferência das Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas 2025), que é realizada em Belém (PA).

A Coalizão tem como um dos líderes o Sistema Transporte da CNT (Confederação Nacional do Transporte).

O Diário do Transporte participa presencialmente da cobertura das discussões sobre mobilidade da Cop-30 a convite da Eletra Industrial,  empresa brasileira produtora de ônibus elétricos e que desenvolve consultorias independentes para orientar gestores públicos e operadores privados para eletrificação de frotas urbanas e metropolitanas.

Entretanto, para dar conta de todo este potencial de frota, muito mais que um parque fabril de veículos, o Brasil necessita de infraestrutura de geração e distribuição de energia.

Segundo o estudo, para carregar as baterias de todos estes carros, caminhões e ônibus eletrificados, seria necessário gerar mais 170 mil GWh por ano.

O trabalho mostra ainda a importância dos ônibus elétricos,  em especial nos corredores do tipo BRT (Bus Rapid Transit), para que as metas de redução de poluentes sejam alcançadas, muito embora não deve ser a única medida a ser focada.

Melhorar a infraestrutura para operações dos transportes coletivos, ampliando os meios metroferroviários, incentivar a renovação da frota dos ônibus (independentemente das tecnologias) e criar formas para reduzir as tarifas estão entre as atitudes urgentes para que os resultados sejam plenamente alcançados em 2050.

Como mostrou o Diário do Transporte, a  aliança formada nesta Coalizão promete reduzir em até 70% as emissões de gases do efeito estufa até 2050.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2025/11/11/cop-30-coalizao-conclui-que-vilao-da-poluicao-nas-cidades-e-o-transporte-individual-e-nao-o-onibus-mas-coletivos-eletricos-e-mais-brts-devem-ser-implantados-o-quanto-antes/

As conclusões do estudo parecem óbvias, mas conseguem refletir em números o quadro atual dos impactos ambientais, sociais e econômicos dos transportes, seja de cargas ou passageiros, e com isso, apontar medidas mais adequadas.

Enquanto os discursos e ações políticas midiáticas parecem focar nas emissões geradas pelos ônibus, obrigando trocas de tecnologias de frotas sem planejamento, os técnicos, professores e mestres em áreas como engenharia e meio ambiente, conseguiram quantificar uma realidade conhecida por quem estuda mobilidade: o “vilão da poluição” nas cidades é o transporte individual e não o ônibus, mas investimentos maiores em BRTs (Bus Rapid Transit) e em modelos com tecnologias alternativas ao diesel, como elétricos e a biometano, devem ser implantados e ampliados o quanto antes. Investimentos em ampliação e modernização de transportes metroferrovários e da mobilidade ativa (sem motor, como caminhadas e bicicleta) também são considerados “obrigatórios”.

Redução de tarifas de ônibus, trens e metrôs, além de combate ao transporte clandestino também estão entre os caminhos.

“As emissões relativas ao transporte individual motorizado são muito superiores às do transporte coletivo (127 gCO2 / pkm1 em carros vs 16 gCO2 / pkm em ônibus na cidade de São Paulo), o que reforça que a expansão do transporte coletivo, preservando a inter e multimodalidade, é fundamental para a descarbonização do setor de transportes e para o alcance das emissões líquidas zero em mobilidade urbana” – diz parte da conclusão.

As medidas, entretanto, não devem apenas mexer com o “bolso do transporte coletivo”. Pelo contrário. Financiamentos para a descarbonização dos deslocamentos devem vir do carro e da moto, que precisam ser mais fiscalizados.

Uma das ações propostas é a inspeção veicular obrigatória para veículos, entre as “alavancas” para a descarbonização:

Criada em 2024, a Coalizão propõe 90 ações para reduzir as emissões do transporte brasileiro, setor responsável por 11% das emissões nacionais — cerca de 260 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) equivalente.

Adamo Bazani,  jornalista especializado em transportes

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