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Produção de ônibus cresce 13,4% no ano, aponta Anfavea

Desempenho contrasta com o resultado geral do setor de veículos, que apresentou recuo de 0,8% na produção total de veículos no terceiro trimestre

ALEXANDRE PELEGI

A produção de ônibus no Brasil mantém trajetória de alta e se consolida como o destaque positivo da indústria automotiva em 2025. De acordo com balanço divulgado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), o segmento registrou crescimento de 13,4% entre janeiro e setembro deste ano, em relação ao mesmo período de 2024.

O desempenho contrasta com o resultado geral do setor, que apresentou recuo de 0,8% na produção total de veículos no terceiro trimestre, revertendo a curva de alta observada no primeiro semestre. O setor de caminhões, em particular, registrou queda de 3,9% na comparação anual.

Ranking

O mercado de chassis para ônibus manteve em 2025 praticamente a mesma hierarquia de fabricantes vista no ano anterior, com destaque para a retomada da Mercedes-Benz.

De janeiro a setembro de 2025, a montadora alemã permaneceu na liderança do ranking, com 7.655 unidades vendidas, resultado 15,4% superior ao dos nove primeiros meses de 2024, quando haviam sido comercializados 6.634 chassis.

Na segunda posição aparece a Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 4.506 veículos, crescimento de 11,8% sobre o mesmo período do ano passado (4.032 unidades). Logo depois, a Agrale ocupa o terceiro lugar, com 2.363 unidades vendidas, o que representa queda de 8,0% em relação a 2024 (2.568 ônibus).

Na sequência, a Iveco registrou 1.838 unidades comercializadas até setembro, avanço de 25,5% frente a igual período de 2024 (1.464 ônibus). A Scania aparece logo depois, com 556 veículos, leve redução de 1,9% sobre o acumulado do ano anterior (567 unidades). A Volvo, por sua vez, encerrou o período com 389 chassis vendidos, queda de 12,8% em relação aos nove primeiros meses de 2024 (446 unidades).

O desempenho das fabricantes reforça o aquecimento do mercado de pesados e indica que a recuperação da demanda por ônibus urbanos e rodoviários vem sendo puxada pelas grandes montadoras, beneficiadas por exportações crescentes e pela retomada gradual das renovações de frota municipais e interestaduais.

Produção e emplacamentos de ônibus seguem em alta

Em setembro, 2,8 mil unidades de ônibus foram produzidas, um avanço de 6,9% sobre agosto e de 28% na comparação anual. No acumulado de 2025, a produção soma 24 mil veículos, ante 21,2 mil no mesmo período do ano anterior.

O número de emplacamentos também cresceu: 1.954 ônibus licenciados em setembro, alta de 13,6% em relação a agosto e crescimento de 12,2% no acumulado anual, segundo a “Carta da Anfavea” de outubro.

Desaceleração do mercado interno e papel do transporte coletivo

Apesar do bom desempenho nas exportações e na produção de ônibus, o mercado interno dá sinais de desaceleração. As vendas de veículos nacionais no varejo caíram 8,1% no acumulado do ano, reflexo do crédito restrito e da alta inadimplência. O programa Carro Sustentável, do MDIC, amenizou parte da retração, com aumento de 24% nas vendas dos modelos participantes.

Para o transporte coletivo, a expansão da produção e das exportações de ônibus reforça o papel estratégico do segmento na renovação de frotas urbanas e rodoviárias, em meio às discussões sobre transição energética e descarbonização.

Perspectivas e COP30

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que os números do terceiro trimestre “impõem o desafio de uma recuperação considerável no último trimestre, diante de uma base muito boa do final do ano passado”. Ele também destacou que a Anfavea apresentará na COP30, em Belém (PA), um estudo inédito que comprova que a frota brasileira tem a menor pegada de carbono do mundo, considerando o ciclo de vida dos veículos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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