Obra no Ramal Saracuruna incluiu reforma da bilheteria, instalação de guichê acessível, adequações estruturais e modernização de equipamentos, com recursos da Setram e execução da SuperVia
ALEXANDRE PELEGI
A estação de Duque de Caxias, no Ramal Saracuruna, passou por obras de revitalização concluídas nesta semana. Os serviços foram executados pela SuperVia com recursos da Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram). A intervenção ocorre no contexto do acordo de transição firmado entre o Governo do Estado e a concessionária em novembro de 2024, que determinou a saída da atual operadora e abriu caminho para a escolha de um novo operador para o sistema ferroviário.
Esse acordo, homologado pela Justiça em dezembro do mesmo ano, previa um período de 180 dias prorrogáveis por até 90 dias para a transição. Nesse intervalo, o contrato de concessão com a SuperVia deveria ser extinto, e o governo passaria a definir as bases para um novo modelo de gestão. No entanto, mesmo após o prazo máximo previsto, a SuperVia segue operando a rede, enquanto o Estado prepara diretrizes para a futura licitação.
Entre as cláusulas estabelecidas, o governo se comprometeu a realizar aportes financeiros de R$ 300 milhões para assegurar a continuidade da operação e das melhorias. A controladora da SuperVia, por sua vez, ficou responsável por aportar outros R$ 150 milhões para honrar compromissos com credores e manter o funcionamento da empresa durante a transição. A medida também determinou a presença de um representante do Estado como observador na gestão operacional e financeira da concessionária.
O que mudou na estação
As intervenções em Duque de Caxias incluíram a construção de dois novos banheiros públicos, a reforma completa da bilheteria — substituindo a antiga estrutura em formato de “caixote” —, a implantação de guichê acessível para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, além de ajustes internos para os trabalhadores da estação. Também foram realizadas melhorias na rampa de acesso, renovação da escada rolante, recuperação de fachada e muro, pintura e instalação de brises e nova comunicação visual.
A estação, que atende em média 37 mil passageiros por dia, é uma das principais do ramal e desempenha papel estratégico na mobilidade da Baixada Fluminense.
Investimentos mais amplos no sistema
As obras fazem parte de um pacote de intervenções iniciado neste ano, já dentro do período de transição. Desde então, o Governo do Estado afirma ter aplicado mais de R$ 160 milhões em reformas estruturais, manutenção e modernização de sistemas. Entre as medidas em andamento estão a substituição de cabos de cobre por alumínio, a adoção de tecnologia antivandalismo e ajustes operacionais que reduziram os intervalos das viagens, com ganho estimado de até 25 minutos no tempo de deslocamento da população.
A situação da concessão segue indefinida, mas o governo já indicou que pretende manter o serviço em funcionamento até a definição do novo operador, enquanto a SuperVia continua responsável pelas atividades no dia a dia.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
