Informação é de presidente de fabricante nacional, com sede em São Bernardo do Campo (SP), Milena Romano, que participa nesta terça-feira (23) de seminário da Seclima, da prefeitura de São Paulo, Ministério das Cidades e entidades internacionais sobre eletrificação
ADAMO BAZANI
Colaborou Vinícius de Oliveira
Até o início de janeiro de 2026, a cidade de São Paulo deve ter ao menos outros 370 ônibus com tecnologia nacional desenvolvida pela empresa Eletra, com sede em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Deste total, 80 serão do tipo articulado, de 21,5 metros com quatros eixos, sendo o último direcional, ou seja, também esterça. A configuração se posiciona entre o articulado de três eixos de 18 metros, e o articulado de quatro eixos de 23 metros, e é considerada alternativa para linhas com áreas de manobras mais difíceis, porém com alta demanda de passageiros.
A revelação foi feita na manhã desta segunda-feira, 22 de setembro de 2025, pela diretora-presidente da fabricante, Milena Braga Romano, em entrevista ao Diário do Transporte durante cerimônia de apresentação pelo prefeito Ricardo Nunes de 120 novos ônibus elétricos de diversas marcas. A Eletra entregou 18 unidades no evento, seis básicos de 12,1 metros, e 12 padrons de 15 metros (três eixos), para, respectivamente, as operadoras Norte Buss (da zona Norte) e Ambiental (da zona Leste).
Já os 370 ônibus que ainda serão entregues e já estão em produção terão como compradoras diferentes companhias de transportes da cidade que atuam em praticamente todas as regiões.
De acordo Milena, dos 760 ônibus elétricos com baterias que atualmente circulam na cidade de São Paulo, cerca de 50% são com tecnologia Eletra.
Segundo a empresária, um dos motivos para a liderança na capital paulista é o pioneirismo da marca. Milena diz que, enquanto a eletrificação de frotas de ônibus ainda era considerada uma ilusão ou algo impossível no Brasil, a Eletra já atuava no segmento.
Outro fator comentado por Milena sobre a liderança no mercado é que a companhia é 100% nacional e atua com parcerias que também fabricam no Brasil.
Muito mais que um discurso “nacionalista” ou “ufanista”, é que o mercado parece ter entendido, segundo Milena, que o Brasil, com dimensões continentais, tem realidades operacionais diferentes e que não adianta vender “ônibus de prateleiras”. A alta nacionalização permite não apenas mais acesso a financiamentos, mas a maior flexibilidade e personalização dos veículos, de acordo com as características de cada região. (abaixo leia toda a entrevista).
SEMINÁRIO: A Eletra vai participar do Seminário “Caminhos para a Eletromobilidade Urbana em São Paulo” que ocorre nesta próxima terça-feira, 23 de setembro de 2025, no Memorial da América Latina, zona Oeste da capital e é organizado pela Seclima (Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas), Aliança ZEBRA, coliderada pela C40 Cities, o Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT) e a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O evento é aberto para todos os públicos e gratuito.
O Seminário contará com o próprio prefeito Ricardo Nunes, e o Secretário Nacional de Mobilidade Urbana, do Ministério das Cidades, do Governo Federal, Dênis Andia.
Milena será uma das debatedoras do painel “Mercado de Ônibus Elétricos” – Expectativa da indústria sobre a expansão da eletromobilidade no transporte coletivo: Novas tecnologias, Linhas de Produção e PPPs (Parcerias Público Privadas).
O horário do painel é das 15h30 às 16h30 e o Seminário começa às 9h.
ABAIXO DA FOTO DE UM DOS ÔNIBUS ENTREGUES NESTA SEGUNDA-FEIRA (22), LEIA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:
ADAMO BAZANI: O Diário do Transporte conversa com a diretora-presidente da Eletra Industrial, Milena Braga Romano, que vai falar sobre números da empresa aqui na capital paulista, nesta entrega de 120 ônibus e diversas marcas. A Eletra foi uma das que entregaram. Agora, a Eletra tem uma carteira de pedidos já para a capital, é isso?
MILENA BRAGA ROMANO: Isso, nós temos uma carteira de pedido de 370 ônibus para a capital de São Paulo, que já estão em produção. São ônibus básicos, Padron e articulados, 80 destes são articulados, e a previsão de entrega total dessa frota é entre dezembro e janeiro de 2026. Então, São Paulo avança com a eletrificação muito, muito rapidamente.
ADAMO BAZANI: Hoje a Eletra é a principal fornecedora da capital paulista?
MILENA BRAGA ROMANO: Hoje ela é a principal. 50% da frota de São Paulo é fabricada por nós, Eletra. Uma empresa 100% brasileira, 93% dos componentes nacionais produzidos aqui por mão de obra e material brasileiro.
ADAMO BAZANI: Isso dá flexibilidade?
MILENA BRAGA ROMANO: Muito. A Eletra é a empresa que mais tem variedades de produtos, porque a gente faz um estudo de cada operação, de cada necessidade, de cidade, de viário, de autonomia e a gente personaliza esse carro para o melhor custo-benefício daquela operação, daquela empresa, daquele operador e daquele município.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Vinícius de Oliveira
